NAO DELETAR

CONSTRUÇÃO DE PLATAFORMAS DE GNL GANHA FORÇA APÓS RESTRIÇÃO DE OFERTA DO GOLFO PÉRSICO

Em um cenário de interrupção prolongada do fornecimento de GNL do Golfo Pérsico, a Wood Mackenzie estima que a disponibilidade global poderá ficar cerca de 70 milhões de toneladas por ano (Mtpa) abaixo dos níveis anteriores ao conflito até 2035. Sete projetos de plataformas de GNL (FLNG) aprovados desde 2023, que acrescentarão 18 Mtpa de nova capacidade em seis países, representam a resposta mais direta do mercado a essas duas pressões. Um navio FLNG possibilita a produção, liquefação e armazenamento de gás natural no exterior. O gás é extraído dos campos submarinos, processado a bordo e resfriado a -162° C (-260° F), reduzindo seu volume em 600 vezes para criar GNL.

Uma nova pesquisa da Wood Mackenzie identifica quatro fatores que determinarão se esse movimento continuará: o papel do FLNG na diversificação do fornecimento, sua utilização como ferramenta estratégica e não apenas oportunística, as vantagens econômicas de realocação que o diferenciam das infraestruturas terrestres fixas e uma lacuna estrutural na propriedade comercial que limita a próxima fase de crescimento do segmento.

“Sete projetos aprovados em três anos, apoiados por investidores em infraestrutura, empresas internacionais de petróleo (IOCs) e comercializadoras de GNL, não representam uma aposta em tecnologia”, afirmou Fraser Carson, analista principal de pesquisa de GNL global da Wood Mackenzie. “A diferença de custos em relação aos projetos terrestres diminuiu e o GNL flutuante agora compete em condições de mercado nas localidades que importam. Custo e tecnologia já não são as restrições. A questão é se as estruturas comerciais acompanharão essa oportunidade. Atualmente, uma única empresa oferece FLNG como serviço para todo o mercado global. Essa única fornecedora está diante de uma carteira de mais de 80 Mtpa em projetos que ainda não chegaram à decisão final de investimento (FID)”, acrescentou.

O argumento em favor da diversificação é geográfico, e não relacionado ao volume. Toda a nova capacidade de GNL proposta na América do Sul e na África Ocidental utiliza conceitos de projetos flutuantes. Para produtores de Vaca Muerta, na Argentina, e das províncias de gás da África Ocidental, o FLNG frequentemente é a única rota de exportação considerada viável. A tecnologia representa menos de 10% da nova oferta global de liquefação, mas seu valor está no alcance: permitir o aproveitamento de recursos que não poderiam ser desenvolvidos por meio de abordagens convencionais, e não no volume agregado que entrega.

O FLNG continua sendo uma escolha deliberada, e não uma solução padrão. Quando concorre diretamente com projetos terrestres modulares de baixo custo, a viabilidade econômica pode ser limitada. Já quando permite comercializar recursos isolados ou offshore que não possuem outra rota para o mercado, o argumento a favor da tecnologia é claro. Para os desenvolvedores, a questão não é saber se a tecnologia funciona, mas onde ela faz sentido.

A economia dos projetos confirma que um novo patamar de competitividade de custos foi alcançado. A decisão final de investimento tomada em junho de 2026 para o Delfin LNG FLNG 1, primeira unidade flutuante de exportação de GNL dos Estados Unidos e, com 4,4 Mtpa, maior unidade individual de FLNG aprovada no mundo, ficou em aproximadamente US$ 932 por tonelada, valor competitivo com recentes projetos terrestres de GNL nos EUA que chegaram à FID.

Projetos de conversão e novas unidades padronizadas podem chegar ao mercado com custos iguais ou inferiores à referência do setor, de aproximadamente US$ 950 a US$ 1.000 por tonelada. Os pontos de equilíbrio (breakeven) de plantas de projetos recentes variam entre US$ 2,3 e US$ 4,6 por milhão de BTU (MMBtu). A utilização média da frota de FLNG foi de 88% em 2024 e 2025, acima da média de 85% das instalações terrestres. Os custos operacionais, porém, continuam estruturalmente superiores aos de projetos terrestres, correspondendo a aproximadamente 3% a 5% do investimento total em capital (capex) por ano.

A lacuna estrutural mais evidente do setor está na esfera comercial. Das 15 unidades de FLNG em operação ou em construção, 12 são de propriedade dos próprios projetos e três operam no modelo de arrendamento e operação, todas pertencentes à Golar LNG, que se comprometeu com uma quarta embarcação em 2026 de forma especulativa. O modelo de arrendamento e operação transfere os riscos de construção e financiamento para o proprietário da embarcação, reduzindo a barreira de capital para produtores em mercados de fronteira que não possuem balanço suficiente para financiar um projeto totalmente integrado. A existência de uma única fornecedora para atender a todo o mercado representa uma restrição. Com mais de 80 Mtpa em propostas conhecidas de FLNG ainda em fase anterior à FID e outros 160 trilhões de pés cúbicos (tcf) de ativos de produção ainda não desenvolvidos e adequados ao uso de FLNG em todo o mundo, o espaço para a entrada de novos participantes é significativo.

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