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VALLOUREC PREVÊ PRODUÇÃO DE NOVA TECNOLOGIA DE ISOLAMENTO NO BRASIL A PARTIR DE 2027 E MOSTRA INTERESSE EM ABRIR BASE NA REGIÃO NORTE

Com muitos planos e boas perspectivas para o mercado brasileiro, a Vallourec está se preparando para expandir sua atuação no país. Como noticiamos recentemente, a empresa iniciou a implantação dos processos necessários para a produção de uma tecnologia de isolamento térmico submarino licenciada pela ExxonMobil na unidade de Serra, no Espírito Santo. A companhia prevê iniciar a fabricação em larga escala da solução entre novembro e dezembro de 2027. Primeira empresa licenciada para produzir e comercializar a tecnologia em escala, a Vallourec fornecerá cerca de 90 quilômetros de tubos com os sistemas de resina Proxxima com tecnologia Goldilocks para o projeto Longtail, operado pela ExxonMobil na Guiana.

Em entrevista ao Petronotícias, o presidente da companhia para a América do Sul, André Lacerda, e o diretor de Vendas de Revestimentos, Paulo Santos, detalham ainda outros projetos da Vallourec no Brasil, incluindo a execução de contratos para Sépia 2 e Atapu 2. Olhando para o futuro, a Margem Equatorial surge como uma fronteira de oportunidades e novos investimentos estão no radar. “Onde quer que a Petrobras defina eventualmente onde será o melhor ponto de suporte offshore para suas futuras operações, nós, como fornecedores, temos o interesse de abrir uma base nesse mesmo local para fazer o armazenamento e executar o mesmo processo que já realizamos em Macaé”, detalhou Lacerda. 

Poderia começar falando um pouco sobre o mercado brasileiro como um todo para a Vallourec? Qual é a importância do nosso país dentro do contexto global das operações da empresa?

Paulo Santos

André – A Vallourec é uma empresa francesa, listada em bolsa, cuja maior planta industrial de todo o grupo fica aqui no Brasil. Em 2027, celebraremos 75 anos de atuação no país. Contamos com 7 mil funcionários diretos, sendo a maior parte concentrada em Minas Gerais, além de unidades operacionais em Serra (ES), Guarulhos (SP) e Macaé (RJ). Somos a única produtora de tubos sem costura do Brasil e, há 75 anos, fornecemos soluções para o mercado de energia.

Para demonstrar a relevância do país no cenário global, em 2022 a Vallourec tomou a decisão estratégica de fechar suas fábricas na Europa e fornecer nossos produtos a partir do Brasil. Hoje, temos uma forte presença na exportação — atendendo a mercados críticos no Mar do Norte, África, Oriente Médio, Ásia, América do Norte e América do Sul —, além de suprirmos a demanda nacional e dos países fronteiriços.

Para completar a integração, possuímos em Minas Gerais uma mina própria para extração de minério de ferro e uma cadeia produtiva 100% integrada, que abrange desde o aço, lingotamento e tratamento térmico até as linhas de acabamento, revestimento (coating) e o nosso centro de pesquisa e desenvolvimento.

A empresa anunciou recentemente dois contratos importantes com a Petrobras para os campos de Atapu 2 e Sépia. Poderia detalhar a importância desses contratos, o cronograma e os dados de execução?

Paulo – A contratação para esses dois projetos evidencia a capacidade da Vallourec em entregar soluções completas e integradas, englobando tanto os tubos de aço carbono quanto os serviços de revestimento. Trata-se de projetos que estão no caminho crítico para o first oil dos respetivos FPSOs.

No projeto de Atapu 2, já iniciamos a entrega dos tubos. Eles serão encaminhados a um fabricante de Mechanically Lined Pipe (MLP). Estimamos iniciar a etapa de revestimento em cerca de um ano e meio, logo após a conclusão da fabricação do MLP. Na sequência, os tubos revestidos estarão prontos para que a Allseas, na condição de EPCista, realize o lançamento subsea. Todo o ciclo de vida desse projeto dura cerca de três anos até a entrega final, começando pela nossa inteligência de engenharia integrada.

O mesmo fluxo ocorre no projeto de Sépia 2, no qual fornecemos os tubos de aço carbono e o revestimento para a Petrobras via EPCista Subsea7. A fabricação do lote de Sépia 2 ocorrerá logo na sequência da execução de Atapu 2.

A Vallourec anunciou recentemente a implementação de uma tecnologia de isolamento submarino em sua fábrica no Espírito Santo. Poderia detalhar mais a tecnologia, suas possíveis aplicações e a definição do produto?

Paulo – Somos os primeiros licenciados da Proxxima (empresa do grupo ExxonMobil) com autorização e capacidade para produzir tubos com essa tecnologia de revestimento. Isso motivou um novo ciclo de investimentos no Brasil: há algumas semanas realizamos o lançamento da pedra fundamental da nova fábrica, evento que contou com a presença do nosso CEO global. 

A nova unidade fabril em Serra estará construída em meados de 2027. Após a conclusão das obras, passaremos pelas etapas de comissionamento e qualificação industrial para iniciar a produção entre novembro e dezembro do mesmo ano. É um projeto de volume expressivo, destinado ao projeto Longtail, operado pela ExxonMobil na Guiana, totalizando aproximadamente 90 km de tubos (cerca de 40 mil toneladas).

Em relação aos diferenciais do produto, o revestimento Goldilocks oferece um ganho de produtividade considerável no tempo de aplicação em relação às soluções tradicionais. Um processo de revestimento que normalmente levaria seis meses, por exemplo, pode ser concluído em cerca de dois meses e meio — um aumento de praticamente três vezes na capacidade de produção.

Além do ganho produtivo, o material oferece propriedades térmicas superiores, estendendo o cool-down time (tempo de resfriamento). Ele mantém o fluido aquecido na tubulação por mais tempo, evitando a formação de parafina e o consequente entupimento da linha.

Há perspectiva de levar esse revestimento a outros operadores do mercado offshore?

André – Sim. Embora seja um licenciamento da ExxonMobil, ele não é exclusivo para vendas à Exxon. Trata-se de um produto que podemos comercializar e aplicar em projetos de linepipe de outros clientes do mercado offshore global. Atender aos rigorosos requisitos operacionais de referências mundiais como a Petrobras e a ExxonMobil chancela a qualidade do produto e serve de vitrine para todo o mercado.

Paulo – Já iniciamos um trabalho de apresentação e qualificação dessa tecnologia junto à Petrobras, incluindo um workshop realizado recentemente. Trata-se de um processo de qualificação gradual, mas que já está em andamento. Também estamos em contato com outros operadores internacionais para poder qualificar a tecnologia. 

Além do projeto na Guiana, quais outras oportunidades e regiões estão no radar para a aplicação dessa nova tecnologia?

Paulo –  O desenvolvimento de projetos offshore da ExxonMobil na Guiana ocorre de forma sequencial, com diversas fases previstas nas quais temos interesse em inserir essa solução. Além disso, olhamos com atenção para a Margem Equatorial brasileira, que apresenta características de reservatório e profundidade similares às da Guiana.

Também estamos ofertando a tecnologia para novos projetos futuros da Petrobras, como Sergipe Águas Profundas (SEAP 1 e SEAP 2). Trata-se de projetos com previsão de entrada em operação para 2030, o que nos dá o horizonte ideal para concluir o processo de qualificação técnica.

Falando sobre a Margem Equatorial e a logística para atender a essa e outras regiões remotas, como a Vallourec se estrutura para dar suporte técnico futuramente nesta região?

Margem Equatorial

André – Nosso modelo de negócio vai além de produzir o tubo, o revestimento e as conexões. A Vallourec também conta com centros de serviços. Hoje, a Petrobras opera o mercado offshore brasileiro a partir de Macaé (RJ) — tanto a Bacia de Campos quanto a Bacia de Santos, no Pré-Sal, têm suas operações geridas de lá.

Nós temos uma base da Vallourec em Macaé com cerca de 300 pessoas. Contamos com uma equipe de acompanhamento de descida de tubulação offshore em campo, que monitora a descida dos tubos 24 horas por dia. Fazemos também o chamado pré-embarque: antes de o produto ser colocado no supply boat que vai para a plataforma, ele é inspecionado, verificado, medido e registrado de forma digital para facilitar a descida na sonda.

Além disso, fazemos o processo de retorno de sonda: recuperamos e recebemos de volta tudo o que não foi utilizado, reciclamos a parte dos protetores, inspecionamos os tubos, armazenamos e deixamos tudo pronto para a próxima utilização. 

No caso da Margem Equatorial, provavelmente essa logística de suporte da Petrobras deve acontecer no Norte do país. Onde quer que a Petrobras defina eventualmente onde será o melhor ponto de suporte offshore para suas futuras operações, nós, como fornecedores, temos o interesse de abrir uma base nesse mesmo local para fazer o armazenamento e executar o mesmo processo que já realizamos em Macaé — ou seja, pré-embarque, acompanhamento de descida, retorno de plataforma e armazenagem, com uma equipe dedicada para isso.

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