NAO DELETAR

A ULTRAGAZ DESENVOLVEU PARA A TRANSJORDANO UM SISTEMA DE REABASTECIMENTO DE BIOMETANO PARA DE CARRETAS QUE DEMORA DE 8 A 10 MINUTOS

João Bessa- Presidente da Transjordano

A Ultragaz apresentou uma tecnologia capaz de realizar o abastecimento de caminhões movidos a biometano em aproximadamente 8 a 10 minutos, durante o evento promovido pela TransJordano, em Sumaré (SP). No transporte rodoviário de cargas exige soluções que permitam conciliar a redução das emissões de gases de efeito estufa com a produtividade das operações. Com o lançamento do Projeto Corredor Verde, prevendo a  a utilização de 100 caminhões movidos ao combustível renovável até dezembro de 2026, esse reabastecimento torna-se fundamental.  A infraestrutura será operada pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano, e estará disponível também para outras transportadoras. Segundo Erik Trencht, diretor de Gases Renováveis da Ultragaz, responsável pelo fornecimento do biometano utilizado no projeto, a solução adotada apresenta diferenciais relevantes em relação a determinadas configurações convencionais de compressão. Durante sua apresentação, o executivo explicou que sistemas de referência podem exigir potência elétrica instalada entre 300 e 400 kVA e tempos de abastecimento de 20 a 40 minutos. Na configuração implementada no Corredor Verde, a potência instalada é da ordem de 40 kVA e o abastecimento pode ser realizado em aproximadamente 8 a 10 minutos, conforme as condições técnicas apresentadas pela companhia. “A parceria entra no mercado com uma solução muito eficiente, combinando velocidade, baixa potência instalada e eficiência operacional“, destacou Trencht, ressaltando a importância de desenvolver tecnologias compatíveis com a rotina do transporte comercial.

 

A inovação está inserida em um mercado que apresenta perspectivas de crescimento no Brasil. Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), a produção nacional de biometano cresceu aproximadamente 75% em 2025, alcançando 1,06 milhão de metros cúbicos diários. Produzido a partir da purificação do biogás proveniente de resíduos orgânicos, incluindo aterros sanitários, atividades agropecuárias e processos da indústria sucroenergética, o combustível representa uma alternativa para reduzir a utilização de fontes fósseis. Em estudo divulgado em 2025, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontou que o potencial economicamente viável do biometano de origem agropecuária poderia equivaler a aproximadamente um terço do consumo nacional de gasolina e diesel, consideradas as condições analisadas. Transformar esse potencial em utilização efetiva, entretanto, depende de investimentos em produção, distribuição, infraestrutura e veículos. Para Joyce Bessa, diretora de ESG e Relações Institucionais da TransJordano, o Corredor Verde representa a transformação de compromissos ambientais em uma operação estruturada, com tecnologia, financiamento, planejamento logístico e indicadores mensuráveis. Durante o evento, a executiva apresentou os resultados esperados com a incorporação integral da nova frota, que deverá percorrer aproximadamente 5,5 milhões de quilômetros por ano utilizando biometano, o equivalente a cerca de 17% da quilometragem anual da transportadora. “No Corredor Verde, são 6.486 toneladas de CO₂. Eu sei que esse número é muito grande para guardar na cabeça, por isso coloquei bem grande para ninguém esquecer. Essa é a estimativa da quantidade que vamos deixar de emitir por ano.“

A diretora destacou ainda que os benefícios ambientais poderão alcançar diretamente as empresas que contratam os serviços da TransJordano, especialmente aquelas que possuem metas de redução de emissões em suas cadeias de fornecimento. Como o transporte de mercadorias integra o Escopo 3 de muitos embarcadores, a utilização de combustível renovável, associada à mensuração adequada dos resultados, pode contribuir para o acompanhamento dos compromissos ambientais dessas organizações. “O produto de vocês pode chegar ao destino com menos emissões e com relatório de emissões da carga. Nós vamos conseguir entregar relatórios mostrando quanto CO₂ vocês deixaram de emitir.” Com os pontos de abastecimento previstos para Sumaré, Ribeirão Preto e Cubatão, o Corredor Verde busca demonstrar como a integração entre fornecedores de energia, fabricantes de veículos, operadores de infraestrutura e transportadoras pode contribuir para ampliar a utilização do biometano no país. A solução apresentada pela Ultragaz acrescenta um componente operacional importante à iniciativa, ao buscar reduzir o tempo de parada para abastecimento e a necessidade de potência elétrica instalada. Para a TransJordano, o investimento representa uma oportunidade de avançar na descarbonização de suas atividades e, ao mesmo tempo, oferecer infraestrutura compartilhada para outras empresas interessadas em incorporar combustíveis renováveis às suas operações logísticas.

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