JOHN CRANE APOSTA NO CRESCIMENTO DO MERCADO BRASILEIRO DE ÓLEO E GÁS E DESTACA NOVAS TECNOLOGIAS PARA OPERAÇÕES OFFSHORE

Julian Diosa e Rogério Quirino
Com a perspectiva de novos investimentos em óleo e gás nos próximos cinco anos, a John Crane vê o Brasil como um dos mercados estratégicos para sua expansão global, impulsionado pela entrada das novas plataformas offshore no país, pela continuidade das atividades no Pré-Sal e pelas oportunidades na Margem Equatorial. Em entrevista ao Petronotícias, Rogério Quirino, gerente regional da John Crane, e Julian Diosa, diretor de vendas para a América Latina, destacaram as novas tecnologias da companhia, como o Selo Coaxial de Separação, que reduz em até 80% o consumo de nitrogênio, e as soluções de monitoramento de equipamentos críticos. Os executivos também ressaltaram o investimento da empresa em serviços especializados no Brasil e o potencial de crescimento nos segmentos offshore e onshore, incluindo projetos de expansão do refino.
Quais são as novidades mais recentes da John Crane para o mercado?

Centro de Serviços da empresa em Rio Claro (SP)
Rogério Quirino: Um dos principais destaques é o Selo Coaxial de Separação. Trata-se de uma tecnologia voltada para equipamentos que operam com sistemas críticos de selagem a gás. Em comparação com a tecnologia anterior, ela proporciona uma redução de até 80% no consumo de nitrogênio, além de proteger o sistema contra contaminações.
Poderia detalhar o tipo de aplicação dessa tecnologia do Selo Coaxial? Onde ela é aplicada no setor onshore e offshore?
Rogério Quirino: Ela possui aplicações tanto onshore quanto offshore. No segmento offshore, especificamente nas plataformas, praticamente todos os equipamentos voltados para a parte de compressão no topside podem utilizar esse tipo de tecnologia. É uma solução versátil, aplicável desde compressores centrífugos até compressores tipo parafuso, entre outros modelos.
Como a John Crane atua na entrega de soluções de serviços e na extensão da vida útil dos equipamentos?
Rogério Quirino: A John Crane possui uma atuação muito forte que vai além da entrega do produto em si; nós focamos na solução completa de serviço. Quando falamos em recuperação, não nos limitamos apenas a reparar o selo. Nós entregamos uma solução que engloba a análise de causa raiz, identificando o que está ocorrendo para que o equipamento consiga atingir seu desempenho máximo e estender sua vida útil nas operações de campo dos nossos clientes.
Quais janelas de oportunidade de crescimento vocês enxergam no Brasil para os próximos anos?
Julian Diosa: O mercado brasileiro, especialmente no segmento offshore, tem registrado um crescimento consistente. Observamos uma previsão de investimento expressiva na área de óleo e gás para os próximos cinco anos, o que assegura uma constância e uma excelente visibilidade de novos projetos anualmente. Trata-se de um cenário muito otimista para o crescimento dos negócios. Além disso, enxergamos um potencial promissor na área onshore, impulsionado por projetos de expansão no setor de refino.
No segmento offshore, qual é o volume e o perfil dessas oportunidades no momento?
Julian Diosa: Do ponto de vista de novos projetos, estamos observando a entrada de duas a três plataformas por ano. Paralelamente a essas novas unidades, há a chegada de novos players assumindo a operação de plataformas antigas que continuam em plena produção. Essa combinação entre novos empreendimentos e a continuidade dos ativos existentes cria um ambiente extremamente favorável para o futuro dos negócios no país.
Poderiam detalhar a plataforma de serviços da John Crane e como funcionam as tecnologias de monitoramento?
Rogério Quirino: A John Crane dispõe de uma plataforma robusta de serviços chamada plataforma Performance Plus. Ela abrange desde a modernização de equipamentos e treinamentos até a gestão de ativos e condições de operação, permitindo atuar de ponta a ponta na planta do cliente. O objetivo é ir além do simples reparo, oferecendo monitoramento em tempo real que permite prever e diagnosticar a situação dos equipamentos na rotina operacional.
Como parte dessa estratégia, destacamos o Sense Turbo, um dispositivo acoplado ao DGS (Dry Gas Seal, ou selo a seco) utilizado em compressores. Vale lembrar que a John Crane foi pioneira nessa tecnologia. Com o Sense Turbo, conseguimos monitorar com precisão o comportamento interno do selo, identificar anomalias com antecedência e realizar análises de causa raiz.
Qual é a perspectiva da empresa em relação às novas fronteiras de exploração, como a Margem Equatorial e o prosseguimento das atividades no Pré-Sal?

Margem Equatorial
Rogério Quirino: As perspectivas são bastante otimistas. O mercado de óleo e gás no Brasil possui um potencial enorme. Além das explorações continuadas na bacia do Pré-Sal, a Margem Equatorial surge como uma nova fronteira promissora para futuros projetos.
Para atender a essa demanda crescente por equipamentos críticos em águas cada vez mais profundas — com explorações ultrapassando 2.000 metros —, a John Crane inaugurou, em abril de 2024, um novo centro de serviços especializado em selos a seco no Brasil. Este investimento estratégico nos capacita a realizar a manutenção e recuperação de ativos de DGS e selos úmidos não apenas para o mercado nacional, mas para toda a América Latina a partir da nossa estrutura no Brasil.
Qual é a relevância do mercado brasileiro dentro da estratégia global da John Crane?
Julian Diosa: O Brasil tornou-se uma das regiões mais estratégicas do mundo para a John Crane. O foco do crescimento global da companhia acompanha a expansão da indústria de óleo e gás offshore brasileira. Além de centralizar no Brasil a reparação de todos os selos a seco da região, estamos focados em exportar a expertise do talento local. O boom da indústria nacional permitiu que os profissionais brasileiros desenvolvessem um know-how valioso, que agora está sendo compartilhado com as demais operações da empresa pelo mundo.

publicada em 19 de outubro de 2026 às 5:00 




