PETROBRÁS NÃO SE PRONUNCIA E DEIXA EM DÚVIDAS OS CONTRATOS DA MOTA-ENGIL INFLUENCIADOS POR LULINHA A CINCO DIAS DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL
Ainda repercute e muito a entrevista especial que a empresário Roberta Luschinger deu para a CNN no último domingo (18) abrindo as estranhas da corrupção dentro do governo Lula. E mais uma vez a própria Petrobrás voltou a ser citada como se tivesse beneficiado uma outra empresa (a primeira foi a Unigel) – a portuguesa Mota Engil, que também teria sido beneficiada depois das conversas e de um acordo feito com Lulinha, filho do Presidente Lula, diretamente com o presidente da companhia no Brasil, Amauri Rodrigues Pinha(esquerda de terno) na casa da própria Roberta, em São Paulo. Lulinha e o presidente da empresa eram vizinhos em São Paulo. Como este é o segundo caso na administração de Chambriard, dá a impressão que poderia ser uma fraqueza, mas quanto a isso, todo mercado sabe do rigor com que a presidente trate deste tema. Para ela, isso é não é admissível. Para lembrar, quando houve o primeiro caso público, denunciado pelo Petronotícias, na venda pré-combinada de risers fixos e flexíveis, para campos de petróleo, a presidente simplesmente cancelou as quatro licitações e determinou a realizou de outras quatro, afastando profissionais internos que estavam envolvidos, recuperando a decência.
No final do mês passado veio à tona uma descoberta da Polícia Federal que Lulinha também atuou a favor dos interesses da produtora de fertilizantes Unigel junto à Petrobrás em parceria com a lobista Roberta Luchsinger e o ex-
chefe de gabinete do presidente no Palácio do Planalto Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Roberta negociou e fechou com Leo Slezynger, diretor da Unigel e filho do fundador da empresa, Henri Slezynger, um contrato de consultoria com dois objetivos: conseguir que a empresa fechasse com a Petrobras um arrendamento que a salvaria da bancarrota e, numa segunda etapa, um financiamento com o BNDES para a expansão da companhia em uma joint venture com a petroleira. O acerto de Roberta com a Unigel previa o pagamento de R$ 100 mil reais mais R$ 25 milhões caso a empresa conseguisse o financiamento de R$ 500 milhões que pleiteavam junto ao banco de fomento. De acordo com informações da investigação, entre março de 2023 e julho de 2024 Leo repassou à lobista R$ 1,26 milhão, sem contar presentes como pagamentos extras e diárias de hotel. Na época, a frente da Petrobrás, Jean Paul Prates, foi contra o negócio prevendo prejuízos da Petrobrás, mas foi obrigado a fazer o negócio por “pressão do alto poder de Brasília” que, meses depois, foi cancelado pelo TCU. O desgaste político por essas e outras imposições, provocaram a saída dele do cargo.
O Petronotícias pediu um posicionamento da Petrobrás em relação ao caso Lulinha-Mota-Engil, porque neste caso ficou claro que houve uma abordagem lateral para que cinco contratos entre as duas empresas foram assinados. Somados, eles superam R$ 5 bilhões. Esse valor não é para qualquer arco e flecha assinar. A Petrobrás ainda não se posicionou. Não se sabe se está apurando internamente ou não. Não há qualquer informação. Mas, há dois dias de um debate presidencial na TV e com o filho do presidente envolvido e há cinco dias da eleição, um esclarecimento público seria bem vindo. Afinal, pela administração ser responsabilidade do governo, que teve um histórico pesado de corrupção em outras administrações da companhia, ter a reencarnado a Operação Lava Jato, não seria nada bom para a credibilidade da companhia. Seria a confirmação de um processo de corrupção cíclico.
Magda Chambriard tem mais credibilidade do que o próprio presidente Lula. E, depois de todos estes escândalos em seu governo, desde o desvio de dinheiro dos aposentados, com
envolvimento do próprio filho, as negativas de conhecimento do sócio de Lulinha, é preciso mesmo separar as duas coisas. Posição difícil de Chambriard, que sempre se colocou apoiando Lula. Mas é preciso apoiar o que é certo porque a vida vai continuar depois das eleições. E o trabalho realizado até aqui, pelos resultados alcançados pela Petrobrás, financeiros e produtivos, falam por si mesmo. As pessoas passam de bestial à besta, muitas vezes, por falta de atenção no óbvio e para se evitar se colocar, por constrangimento. Ficou ainda mais difícil acreditar que o Presidente Lula esteja falando a verdade depois da entrevista devastadora da empresária Roberta Luschinger na CNN Brasil. Ela abriu em fatos o que a grande maioria já se sabia. E eles parecem mais do que teimosos. Ela confirmou a sociedade com Lulinha, filho de Lula, para fazer negócios com o governo. Falou sobre corrupção bilionária no governo. Disse que que Lula sabia de tudo e que ajudava em todo esquema. Revelou o envolvimento de ministros do governo e que Lulinha se reunia semanalmente com vários deles. Ela denunciou ainda as reuniões secretas entre Lulinha e Amauri Rodrigues Pinha(direita), presidente da empresa portuguesa Mota-Engil no Brasil.
OS CONTRADOS DA MOTA-ENGIL E PETROBRÁS
Para lembrar, veja os contratos e os negócios realizados por Lulinha na Petrobrás. Roberta aponta os contratos da empresa portuguesa Mota-Engil com a estatal brasleira: Há cinco contratos entre as empresas. Todos eles são via ECB, em consórcio. A Empresa Construtora Brasil, que foi fundada em 1945, com sede em Belo Horizonte (MG) e atua com implantação de Infraestrutura rodoviária, ferroviária, aeroportuária, minerária, mobilidade urbana, serviços industriais e no segmento de óleo e gás. Em 2012, a empresa vendeu metade de suas ações ao Grupo Mota-Engil. Em 2025, o grupo comprou 100% da companhia. Ainda em 2025, a ECB assinou um contrato com a Petrobrás para uma série de intervenções na Reduc (Refinaria Duque de Caxias), no Rio(esquerda). São cinco contratos vigentes divulgados oficialmente. Dois contratos são de manutenção/operação offshore (o dia a dia das plataformas); Três contratos são de descomissionamento / almoxarifados – que é a especialidade que fez a ECB virar fornecedora estratégica da Petrobrás: tirar do fundo do mar as linhas flexíveis antigas da Bacia de Campos e Marlim, processar e vender o material. Com esses contratos, a carteira da Mota-Engil na América Latina passou de € 1,2 bilhão, 26% da carteira global do grupo. Os números oficiais são da própria Mota-Engil, que é obrigada a divulgar na CMVM de Portugal (equivalente à CVM) são esses:
1- REDUC – Refinaria Duque de Caxias (RJ): Participação da Mota-Engil: projeto, execução, construção, montagem, comissionamento, operação assistida e integração com a refinaria. É obra para ampliar produção de gasolina e diesel.
33% no consórcio – cerca de € 230 mi diretos; Valor Total do Contrato R$ 4,4 bilhões – cerca de € 700 milhões. Prazo 50 meses.
2- Bacia de Campos – Almoxarifados Submarinos: recolha, processamento, destinação final e alienação das linhas flexíveis. R$ 0,2 bilhão – cerca de € 35 milhões – 5 meses (extensão) – 100% ECB;
3- Manutenção de Plataformas Offshore: manutenção, construção e montagem em plataformas – instalação de dutos, fabricação e instalação de estruturas metálicas, caldeiraria (vasos, tanques, torres), andaimes, pintura, elétrica, instrumentação e automação. 100% ECB – R$ 1,61 bilhão- US$ 283 mi – 48 meses – Manutenção de Plataformas Offshore: manutenção, construção e montagem em plataformas – instalação de dutos, fabricação e instalação de estruturas metálicas, caldeiraria (vasos, tanques, torres), andaimes, pintura, elétrica, instrumentação e automação. | 100% ECB;
4- Descomissionamento em Marlim, Marlim Sul e Marlim Leste: recuperação e remoção final de 420 km de linhas flexíveis, umbilicais hidráulicos, cabos elétricos e equipamentos submarinos entre 700 e 2.000m de profundidade. Inclui coleta offshore, transporte, desmantelamento. 100% ECB | R$ 1,56 bilhão – US$ 274 mi – 60 meses. Descomissionamento em Marlim, Marlim Sul e Marlim Leste: recuperação e remoção final de 420 km de linhas flexíveis, umbilicais hidráulicos, cabos elétricos e equipamentos submarinos entre 700 e 2.000m de profundidade. Inclui coleta offshore, transporte, desmantelamento. 100% ECB |
5- Contrato original dos Almoxarifados Submarinos – Bacia de Campos (2021): recolhimento, processamento, destinação final e alienação de linhas flexíveis. Parte do faturamento em dólar (US$ 110 mi) e parte em real. 90% em consórcio com Sea Brasil (10%) R$ 913 milhões – US$ 164 mi – 5 anos – Contrato original dos Almoxarifados Submarinos – Bacia de Campos (2021): recolhimento, processamento, destinação final e alienação de linhas flexíveis. Parte do faturamento em dólar (US$ 110 mi) e parte em real. 90% em consórcio com Sea Brasil (10%).

publicada em 21 de outubro de 2026 às 10:00 




