NAO DELETAR

ELEIÇÃO MARCADA PARA HOJE NOS ESTADOS UNIDOS TERÁ SEU RESULTADO INFLUENCIANDO A POLÍTICA DE VÁRIOS PAÍSES, PRINCIPALMENTE O BRASIL

ORLANDO – Por FABIANA ROCHA – As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos são um verdadeiro termômetro do atual governo Trump, com consequências para todo o mundo. Talvez seja tão importante quanto a eleição presidencial. Trump sofre um verdadeiro massacre da grande mídia americana – quase que completamente pró-democratas – assim como a mídia internacional. Querem um exemplo ? leiam os jornais brasileiros e façam o que na universidade de comunicação nos ensina: o jornalismo comparado. Os interesses da grande maioria dos donos jornais só visam lucro e liberaram a credibilidade construída em dezenas de anos de equilíbrio, para a influência de uma nova geração do jornalismo formada pelas universidades comandadas por professores com viés claro de esquerda, principalmente nas universidades federais. Trump apanha de todos. Para lembrar, as midterms nos Estados Unidos,  são as eleições gerais que acontecem no meio do mandato presidencial de 4 anos. Ocorrem sempre na primeira terça-feira de novembro, dois anos depois da eleição presidencial. O que está em jogo: Câmara dos Deputados. Todos os 435 assentos são renovados a cada 2 anos; Senado: 33 ou 34 das 100 cadeiras – senadores têm mandato de 6 anos;  os  governadores: cerca de 36 dos 50 estados elegem governador nas midterms;  Legislativo e cargos estaduais e locais prefeituras, assembleias estaduais, secretários de estado, juízes, propostas de leis estaduais. Por que são importantes? Elas são  consideradas um termômetro do presidente em exercício.

Historicamente, o partido que está na Casa Branca tende a perder cadeiras no Congresso nas midterms. O resultado define se o presidente terá maioria para aprovar projetos nos 2 anos finais ou se terá um Congresso de oposição. É também quando se decide o controle do Congresso, que tem poder para aprovar orçamento, investigações e nomeações. Uma vitória do partido Republicano deixará o Presidente Trump ainda mais forte. As eleições americanas também terão uma forte influência em todo mundo, principalmente para o Brasil. A eleição que deu vitória à Lula, com influência, mais uma vez, do STF, que adiou o início da contagem por duas horas horas de paralisação, vai ser comparada aos dados da inteligência do Estados Unidos e do Mossad, de Israel. Tanto Trump quando Benjamin Netanyaho. As últimas eleições por várias características inéditas e por proporcionalidade matemática quase impossível de acontecer, provocou uma expectativa de vários governos, como Estados Unidos e Israel. Nenhum dois reconheceu ainda a vitória de Lula como legítima.

Outro aspecto para o Brasil será o econômico. Especialmente no grande projeto de construção de um túnel de sete quilômetros sob o Lago de Michigan, que servirá como passagem de pelo menos uma linha  de um oleoduto. Como o Petronotícias já noticiou, apenas a empresa brasileira Liderroll, com vasta experiência no assunto, tem tecnologia reconhecida e patenteada para serviços dessa importância, como lembra o empresário Paulo Fernandes(esquerda), presidente da companhia brasileira. O projeto, desde 1998, é bombardeado pelo governo democrata dos Estados Unidos, unido aos velhos conhecidos ambientalistas que usufruem do capitalismo até o caroço, ao mesmo tempo em que querem destruí-lo. Precisariam viver os mesmos dias que a população da Nicarágua, de Cuba, da Coréia do Norte ou das agruras da parte pobre da população do nordeste do Brasil, sem água, saneamento e vivendo das migalhas do Bolsa Família, para entenderem na própria  pele o que é esta realidade. “Namoramos essa donzela há muito tempo e agora está chegando a hora do casamento. Nada pode acontecer de errado, temos qe ter fé neste aspecto. Teremos mais um importante exemplo internacional desta importância para mostrarmos, mais uma vez, a capacidade técnica da Liderroll. O lançamento de um duto de sete quilômetros dentro de um túnel a 30 metros abaixo do leito do lago, com 3,5 quilômetros em decida e 3,5 quilômetros em subida, é um desafio que ainda não enfrentamos mas já testamos as nossas outras tecnologias que serão usadas em conjunto. Temos plena convicção nos testes que já fizemos, que tudo dará certo. Engenharia é isso. E temos plena confiança nela,” diz Paulo Fernandes, presidente da empresa brasileira.

Uma vitória democrata pode jogar areia e apagar a ideia de um novo trecho deste oleoduto estratégico para regiões dos Estados Unidos e do Canadá. Iriam mexer também com o petróleo canadense em Michigan, em função da situação política que envolve o funcionamento da Linha 5.  Acredita-se que a situação para uma solução do oleoduto melhoraria se os republicanos vencessem três disputas importantes, já que se os democratas vencerem, aumenta o potencial tanto de beneficiar quanto de prejudicar a produção e exportação de energia convencional do Canadá. Há 39 governos estaduais em disputa nas eleições de 3 de novembro, e cinco deles estão localizados em estados que fazem fronteira com o Canadá. Estados fronteiriços estão entre os mais afetados pela disputa tarifária entre os EUA e o Canadá. Estados com empresas que realizam um grande volume de comércio  com o Canadá e que normalmente atraem muitos turistas canadenses estão entre os que mais pressionam o governo Trump para que ponha fim à sua investida contra o Canadá. Do ponto de vista do oeste canadense, importa menos se o governador de um estado é republicano ou democrata, desde que tenha uma visão favorável ao comércio bilateral com os Canadenses.

A governadora democrata de Michigan, Gretchen Whitmer, antiga adversária do oleoduto Linha 5 da Enbridge, atingiu o limite de mandatos e não pode concorrer à reeleição. Como já fez diversas vezes, Whitmer ameaçou recentemente fechar o oleoduto Linha 5 da Enbridge, que  transporta 540 mil barris de petróleo bruto canadense por dia através de Wisconsin e Michigan até Sarnia, Ontário. Ela é responsável por aproximadamente 90% do petróleo bruto refinado e consumido em Ontário. Obviamente, se o Oleoduto 5 fosse repentinamente fechado, Ontário enfrentaria uma grave crise energética. Os caminhões de transporte ficariam sem diesel, o que impediria o abastecimento de alimentos nos supermercados. A província rapidamente ficaria sem combustível de aviação e todos os veículos movidos a gasolina teriam que permanecer parados. A capacidade de Ontário funcionar como uma sociedade moderna e próspera estaria seriamente comprometida até que sistemas alternativos para a obtenção de petróleo bruto pudessem ser desenvolvidos.

Gretchen Whitmer, por vezes aprovou o Oleoduto 5, e em outras ocasiões foi uma das suas mais fervorosas opositoras. A última vez que ameaçou encerrar o projeto foi em setembro de 2026. O principal ponto de discórdia de Whitmer(dieita) em relação ao Oleoduto 5 é a possibilidade de um vazamento de petróleo no ponto onde o oleoduto cruza o fundo do Estreito de Mackinac, em Michigan. Um grande vazamento de petróleo no Estreito é visto por ambientalistas e democratas de Michigan como uma séria ameaça à qualidade da água dos Grandes Lagos. Para mitigar o risco de um vazamento, a Enbridge se comprometeu a construir um túnel de concreto com 7 mil metros  através do leito.

Whitmer anunciou recentemente que a promessa da Enbridge de construir um túnel é insuficiente, visto que a empresa não iniciou a construção do projeto, que foi proposto pela primeira vez em 2018. As aprovações regulatórias para o túnel e para o próprio Oleoduto 5 foram concedidas, apenas para serem revogadas posteriormente e, em seguida, concedidas novamente em uma série de decisões contraditórias. Por que a Enbridge lançaria um projeto de túnel de US$ 800 milhões em um momento em que a licença de operação do Oleoduto 5 foi revogada? A Enbridge se viu exatamente nessa situação após uma decisão judicial proferida no último verão. A candidata democrata para substituir Whitmer como governadora é Jocelyn Benson, atual secretária de Estado de Michigan. Benson prometeu estudar a situação do Oleoduto 5, “explorando todos os mecanismos legais e regulatórios disponíveis para proteger os Grandes Lagos de derramamentos de petróleo”. Ela prometeu “desativar qualquer infraestrutura considerada perigosa para as vias navegáveis ​​públicas, incluindo trechos expostos do Oleoduto 5,  como o trecho no fundo do Estreito”.

A leitura dos compromissos de plataforma de Benson ( esquerda) a coloca em sintonia com a posição de Whitmer em relação ao Oleoduto 5. A situação é a seguinte: a Enbridge precisa fechar o Oleoduto 5 porque o túnel que propõe construir através da rocha abaixo do Estreito de Mackinac ainda não foi construído. No entanto, a construção do túnel foi atrasada em grande parte porque os órgãos reguladores e os tribunais de Michigan têm exigido repetidamente o descomissionamento do oleoduto. O adversário republicano de Benson na disputa pelo governo do estado é John James, que atualmente cumpre seu segundo mandato como representante de Michigan na Câmara dos Representantes dos EUA. James é um defensor ferrenho do projeto do túnel da Enbridge e se comprometeu a encerrar todos os processos judiciais em nível estadual contra o Oleoduto 5 assim que assumir o cargo. James declarou à mídia local que “O túnel oferece uma solução segura e moderna que garante o fornecimento essencial de energia e mantém as operações da refinaria em toda a região.” Esse comentário sugere que James reconhece a importância crucial da Linha 5 para Ontário.

A candidatura de James ao Senado pode se beneficiar do fato de que os eleitores negros representam de 20% a 25% da base eleitoral dos democratas. Alguns analistas argumentam que uma parcela da comunidade negra de Michigan, normalmente inclinada aos democratas, pode estar relutante em votar contra um republicano negro experiente, aumentando assim as chances de James.  Analistas de pesquisas eleitorais, incluindo Nate Silver, afirmam que, em média, os democratas têm uma vantagem de 8,0% a 8,3% sobre os republicanos na disputa por cadeiras na Câmara dos Representantes. A média nacional é corroborada pela média das pesquisas do Real Clear Polling para a corrida ao governo de Michigan. Benson tem uma vantagem média de 8,2% sobre James nas últimas 10 pesquisas.

A pesquisa mais recente para a disputa pelo governo de Michigan foi um amplo levantamento conduzido pela YouGov.com entre 28 de setembro e 5 de outubro. A YouGov entrevistou 3.947 eleitores prováveis ​​para a pesquisa, tornando-a a maior pesquisa realizada sobre as eleições para governador e senador de Michigan neste ciclo eleitoral. Os resultados da YouGov indicam que a disputa se acirrou. A vantagem de Benson sobre James agora é de apenas três pontos percentuais. Benson é o favorito de 48% dos eleitores prováveis, enquanto James foi escolhido por 45%. A diferença entre os dois candidatos agora é menor que a margem de erro. Estamos diante de uma disputa acirrada. Obviamente, a corrida para governador de Michigan não reflete mais a média nacional que favorece os democratas. Na verdade, as tendências nacionais tendem a ser menos evidentes em um “estado indeciso” como Michigan, onde cada partido obteve maior sucesso em duas das últimas quatro eleições nacionais. Existe outro motivo pelo qual James pode estar se saindo melhor do que a pesquisa da YouGov sugere. Os institutos de pesquisa dos EUA têm consistentemente, e incorretamente, superestimado a importância dos democratas em suas amostras nas últimas cinco eleições nacionais.

Uma das cadeiras do Senado dos EUA pelo Michigan está em disputa este ano, e o senador atual não está concorrendo à reeleição. Os senadores dos EUA devem concorrer à reeleição a cada seis anos, não havendo limite para o número de mandatos de seis anos que podem cumprir. O candidato republicano ao Senado é Mike Rogers(direita), ex-membro do Congresso e atualmente especialista em segurança nacional. Ele é mais um republicano de Michigan que reconhece a importância crucial do Oleoduto 5 para Ontário. Rogers atestou a “importância econômica estratégica do Oleoduto 5 para a distribuição confiável de petróleo no Meio-Oeste dos EUA”. O Oleoduto 5 fornece petróleo bruto para algumas refinarias americanas em seu trajeto até Sarnia. Rogers argumenta que “envolver o oleoduto em concreto em profundidade na rocha elimina as vulnerabilidades a derramamentos, preservando ao mesmo tempo o comércio transfronteiriço de energia com o Canadá”.

O adversário democrata de Rogers na disputa pela vaga no Senado é o Abdul El-Sayed(esquerda), ex-diretor de saúde do Condado de Wayne. El-Sayed possui um currículo acadêmico impressionante, que inclui uma bolsa de estudos Rhodes. Antes de sua nomeaçãocurrículo acadêmico impressionante, que inclui uma bolsa de estudos Rhodes. Antes de sua nomeação, El-Sayed fez campanha por “um fechamento gradual e responsável do Oleoduto 5 em seu formato atual.” Isso sugere que El-Sayed pode ter considerado a crise energética que afetaria as refinarias de Ontário e Michigan caso o oleoduto fosse fechado de forma irresponsável. Atualmente, El-Sayed promete exigir uma avaliação ambiental federal abrangente do oleoduto. Talvez El-Sayed não estivesse prestando atenção durante as aparentemente intermináveis ​​rodadas de revisão regulatória às quais o Oleoduto 5 foi submetido.

É claro que outras questões além do Oleoduto 5 influenciarão o desempenho de El-Sayed no dia da eleição. Embora ele não se declare membro da facção socialista democrática do Partido Democrata, compartilha algumas das posições da extrema esquerda, como o corte da ajuda americana a Israel. Michigan tem a maior proporção de americanos de origem árabe de qualquer estado americano,  sua posição sobre Israel provavelmente atrairá muitos eleitores de ascendência do Oriente Médio. Os árabes representam apenas 3,1% da população de Michigan. Mas, em uma disputa extremamente acirrada, seus votos podem ser decisivos. Os números da YouGov indicam que agora a disputa está acirrada. A pesquisa da YouGov mostra El-Sayed e Rogers tecnicamente empatados. O democrata El-Sayed é o favorito de 49% dos eleitores prováveis, apenas um ponto à frente do republicano Rogers, que tem 48% de apoio.

NOVO PROCURADOR

Uma reportagem da Energy Now de 23 de setembro relatou o fracasso de um processo movido pela Procuradora-Geral de Michigan, Dana Nessel(direita). O processo alegava que as principais empresas petrolíferas haviam conspirado para limitar o aumento da produção de veículos elétricos e, por extensão, frustrar os esforços para combater as mudanças climáticas. Este processo, juntamente com vários outros semelhantes que foram movidos nos EUA, foi rejeitado pelo tribunal. Dana Nessel, procuradora-geral cessante de Michigan, entrou com um processo judicial contra a indústria petrolífera, no qual foi derrotada, alegando que as empresas petrolíferas haviam conspirado para acabar com o mercado de veículos elétricos.

Eli Savit(esquerda), o candidato democrata a procurador-geral, afirmou que dará continuidade a todas as ações judiciais relacionadas ao Oleoduto 5 iniciadas pela procuradora-geral Nessel, que está deixando o cargo. Ele também prometeu contestar e, com sorte, reverter uma recente decisão de um tribunal federal que limita parte da autoridade do estado sobre oleodutos.  Savit possui uma sólida formação jurídica. Atualmente, ele é o promotor do Condado de Washtenaw, em Michigan. Anteriormente, foi consultor jurídico sênior da cidade de Detroit e, antes disso, ocupou um prestigioso cargo de assistente jurídico na Suprema Corte dos EUA. O candidato republicano a procurador-geral é Doug Lloyd. Ele é claramente a favor do gasoduto e promete suspender as ações judiciais movidas contra o Oleoduto 5. Ele apoia a continuidade da operação do gasoduto durante o período que antecede a conclusão do projeto do túnel.

Com base na análise das eleições de meio de mandato em Michigan, é perfeitamente razoável concluir que os interesses do setor energético convencional do Canadá serão melhor atendidos se os candidatos republicanos vencerem todas as três disputas examinadas. Se os republicanos tiverem um bom desempenho, o futuro do Oleoduto 5 estará muito mais seguro no curto prazo do que estaria se os democratas vencerem qualquer uma ou todas as disputas. Tendo em vista as incertezas em torno das políticas de oleodutos de Michigan, dois primeiros-ministros do Canadá estão tomando medidas para desenvolver um sistema alternativo de fornecimento de petróleo bruto para Ontário.

Doug Ford e Danielle Smith propõem a construção de um novo oleoduto com capacidade para 550.000 barris por dia, que seguirá uma rota totalmente canadense, ligando Hardisty, Alberta, ao polo de refino de petróleo em Sarnia. Smith e Ford argumentam que a proposta do  fortalecerá a soberania e a independência energética do Canadá. Não menos importante é o fato de que ela garantiria que pudéssemos evitar a crise energética devastadora que Ontário sofreria se os americanos decidissem fechar o Oleoduto 5. A Proposta de rota totalmente canadense para o gasoduto Northern Shield. Se o oleoduto Northern Shield estivesse em construção hoje, o resultado das eleições de meio de mandato em Michigan teria menos importância para os apoiadores da indústria petrolífera canadense. Mas, caso os americanos interrompam as operações do Oleoduto 5 antes da conclusão do Northern Shield, o Canadá precisaria encontrar rapidamente outra maneira de levar petróleo bruto para Ontário.

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