NAO DELETAR

CONSUMO DE GÁS NATURAL NO BRASIL CRESCE 15,36% NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2026

O volume total de gás natural movimentado no Brasil alcançou uma média de 57,5 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia) no primeiro semestre de 2026. O resultado representa um avanço de 15,36% em relação aos 49,9 milhões de m³/dia registrados no mesmo intervalo de 2025. Os números são do levantamento estatístico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), que reúne dados de consumo dos segmentos industrial, automotivo, comercial, residencial, de geração elétrica, cogeração e uso como matéria-prima, entre outros.

O principal responsável pelo crescimento no período foi o segmento de geração elétrica, cujo consumo avançou 49%, passando de uma média diária de 11,4 milhões de m³/dia no primeiro semestre de 2025 para 17 milhões de m³/dia nos seis primeiros meses de 2026. Já a indústria, que responde pela maior parcela do consumo nacional, manteve a trajetória de expansão, com alta de 4,5%. O volume médio diário do setor passou de 29,5 milhões para 30,8 milhões de m³/dia na comparação entre os dois períodos.

Entre os demais resultados positivos, o consumo residencial cresceu 2,3%, alcançando a média de 1,5 milhão de m³/dia. A utilização do gás como matéria-prima também aumentou, com alta de 8% e média de 556,3 mil m³/dia. No segmento comercial, o consumo permaneceu estável, em 881 mil m³/dia.

Gás Natural

Em contrapartida, os segmentos automotivo, que abrange os postos de combustíveis, e de cogeração registraram quedas de 7,4% e 5,3%, respectivamente. As médias diárias foram de 3,8 milhões de m³/dia no setor automotivo e de 1,2 milhão de m³/dia na cogeração.

Para o diretor executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, o contexto geopolítico internacional e a necessidade de acelerar a reindustrialização brasileira evidenciam a importância de investimentos robustos na indústria de gás natural. Segundo ele, é necessário ampliar a oferta, reduzir a reinjeção nos campos de produção existentes, acelerar o desenvolvimento de novas áreas exploratórias, como Sergipe Águas Profundas, e diminuir a dependência de combustíveis importados, a exemplo do diesel.

“A alta na demanda elétrica é um indicativo de como o gás natural é relevante para a segurança energética brasileira. Outra agenda importante é promover a redução de custos em infraestruturas, concluindo a revisão tarifária no transporte de gás sem duplicidade de cobrança por ativos já remunerados e gerar ganhos de competitividade em elos cruciais da cadeia, como o escoamento, processamento e transporte. Isso permitirá que a demanda industrial siga crescendo“, afirma Mendonça.

MERCADO LIVRE DE GÁS AVANÇA

A migração de grandes consumidores para o mercado livre de gás natural também ganhou força. Em junho de 2026, o volume total movimentado nesse ambiente chegou a 34,6 milhões de m³/dia, ante 25,3 milhões de m³/dia no mesmo mês de 2025.

No segmento industrial, a movimentação no mercado livre cresceu 49,4% na comparação anual, passando de 13,3 milhões de m³/dia em junho de 2025 para 19,8 milhões de m³/dia em junho de 2026. O ambiente livre também registrou volumes relevantes na geração elétrica, com 12,8 milhões de m³/dia, e na cogeração, com 492 mil m³/dia.

Na avaliação de Marcelo Mendonça, a consolidação do mercado livre de gás natural tem contribuído para ampliar a competitividade e estimular o consumo industrial. O executivo, porém, avalia que ainda é necessário enfrentar as assimetrias de informação existentes nesse ambiente.

“Para solucionar esse gargalo, precisamos de uma agenda de competitividade que traga total transparência sobre os contratos firmados no ambiente livre. Assim como já acontece de forma transparente no mercado cativo, é fundamental requerer a publicidade integral dos contratos de suprimento no mercado livre, fornecendo referências de preços claras e isonômicas para todos os agentes. Atribuir a gestão desse processo e o acompanhamento dessa precificação a uma câmara de comercialização como a CCEE será o passo decisivo para dar a governança e a segurança que o mercado precisa para crescer”, destaca Mendonça.

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