ABDAN COBRA URGÊNCIA NA DECISÃO SOBRE RETOMADA DE ANGRA 3 E PREPARA EVENTO PARA HOMENAGEAR PERSONALIDADES DO SETOR NUCLEAR
Com o fim da disputa eleitoral, a Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) espera que o governo Lula finalmente avance nas discussões sobre a retomada das obras de Angra 3. Para o presidente da associação, Celso Cunha, chegou a hora de transformar em ações concretas todas as sinalizações positivas que o Planalto e o Ministério de Minas e Energia apresentaram ao longo dos últimos quatro anos. O dirigente lembra ainda que o atual governo aprovou o Plano Nacional de Energia, que projeta a instalação de 10 gigawatts em novas centrais nucleares no país até 2055. “Portanto, seria um contrassenso não avançarmos neste momento. É hora de tirar os projetos do papel e partir para a execução”, disse.
As perspectivas para o setor e os próximos passos do Programa Nuclear Brasileiro estarão entre os assuntos em destaque no Nuclear Legacy 2026, evento promovido pela ABDAN, que reunirá autoridades, especialistas e representantes da indústria na próxima segunda-feira (9). A programação também contará com debates sobre o papel da fonte nuclear na transição energética e na matriz elétrica brasileira, além de homenagens a personalidades que contribuíram para a construção e o desenvolvimento do setor e a veículos de imprensa que acompanham a indústria nuclear.
O que o senhor pode antecipar para a gente sobre as novidades e discussões do Nuclear Legacy 2026?
O Nuclear Legacy 2026 reunirá algumas personalidades de grande relevância para o setor. Contaremos, por exemplo, com a presença de Chris Gadomski (foto ao lado), analista-líder de Energia Nuclear da Bloomberg e um dos principais profissionais dos Estados Unidos na cobertura do segmento. Ele será responsável pela palestra de abertura, na qual apresentará um panorama do cenário global sob a perspectiva de um analista experiente, que acompanha de perto o desenvolvimento da indústria nuclear em diferentes partes do mundo.
Também receberemos Isabelle Boemeke (foto abaixo, à esquerda), importante influenciadora brasileira, que participará do evento para lançar seu livro em português e realizar uma noite de autógrafos. Após o encontro no Rio de Janeiro, ela cumprirá uma agenda em São Paulo, com participações em veículos de comunicação, como a CNN, para discutir o papel estratégico da energia nuclear na transição energética.
Isabelle também será a mediadora do nosso painel de debates, que reunirá especialistas do mercado de energia, da área ambiental, representantes da Agência Nacional de Águas (ANA) e profissionais do setor nuclear. A proposta será discutir a importância dessa fonte na matriz elétrica e energética brasileira.
Além disso, um dos pontos altos do evento será o momento dedicado às homenagens às pessoas que contribuem para a construção e o desenvolvimento do setor, bem como aos veículos de imprensa que acompanham e dão visibilidade à nossa indústria.
A questão de Angra 3 deve ser abordada de alguma forma durante o evento?
O setor vive a expectativa de que Angra 3 entre na pauta do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A agenda da próxima reunião do conselho ainda não foi definida, mas aguardamos com grande expectativa um anúncio sobre a continuidade das obras. A entrada do grupo J&F na participação acionária da Eletronuclear representa uma mudança fundamental nesse cenário: primeiro, para solucionar as pendências do passado e, em seguida, criar condições para o planejamento do futuro.
Durante o Nuclear Legacy, também contaremos com a presença do ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), que acompanha de perto a pauta nuclear. Recentemente, ele foi relator de um processo que resultou na determinação de um prazo de 240 dias para que o CNPE tome uma decisão sobre Angra 3.
O evento ocorre em um momento marcante do calendário político do país, poucos dias após o segundo turno. O senhor entende que agora é o momento de o governo partir do plano das ideias para a execução efetiva dentro do Programa Nuclear Brasileiro?
A data do evento foi planejada justamente com essa intenção. O atual governo, recém-reeleito, aprovou o Plano Nacional de Energia, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia, que projeta a instalação de 10 gigawatts em novas centrais nucleares até 2055, o que representa um incremento significativo na matriz energética brasileira. Além disso, o Plano Decenal de Expansão de Energia também sinaliza o avanço da fonte nuclear.
Todos os programas e marcos regulatórios aprovados pelo Congresso — como o Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN), o Programa Nacional do Hidrogênio, a taxonomia sustentável e o programa voltado ao setor de data centers — contemplam a energia nuclear. Portanto, seria um contrassenso não avançarmos neste momento. É hora de tirar os projetos do papel e partir para a execução.
Quais serão os próximos movimentos da ABDAN daqui em diante?
Além da realização do Nuclear Legacy, também estaremos presentes, neste mês, na COP31, que contará com a participação do presidente Lula. Como o Brasil assinou, no ano passado, o compromisso de triplicar a participação da energia nuclear em sua matriz, é fundamental cobrarmos o estabelecimento de metas claras para garantir o devido destaque à fonte nuclear nas discussões do próximo ano. Estamos estruturando uma série de ações que, acreditamos, serão coroadas em breve com uma decisão definitiva sobre a continuidade de Angra 3.
Além disso, celebramos recentemente os 39 anos da ABDAN. No próximo ano, comemoraremos nosso Jubileu de Esmeralda, marcando quatro décadas de atuação, e já estamos trabalhando para apresentar muitas novidades, incluindo uma edição ampliada do NT2E, organizada em articulação com parceiros nacionais e internacionais.

publicada em 5 de novembro de 2026 às 5:00 




