AMAZUL CONCLUIU O PROJETO DETALHADO DO REATOR MULTIPROPÓSITO BRASILEIRO

ALTE_DEIANA_NOV_21_3O ano de 2021 começa a caminhar para o seu desfecho, mas ainda reservava ao menos uma boa notícia para a Ciência e Saúde do Brasil. A estatal Amazul anunciou hoje (30) que concluiu – em parceria com a argentina Invap – o projeto detalhado do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). O empreendimento, como se sabe, trata-se de um reator de pesquisa que permitirá a produção de radioisótopos, insumo para os radiofármacos utilizados na medicina nuclear.

“Como a maioria dos radioisótopos é importada, o RMB reduzirá os riscos de desabastecimento e os custos de produção dos radiofármacos e da realização de exames. Com isso, criará condições para investimentos privados na área de medicina nuclear e a ampliação do número de pessoas aos benefícios da medicina nuclear”, afirmou diretor-presidente interino da Amazul, Francisco Deiana.

O projeto de engenharia de detalhamento do RMB abrange o reator, as estruturas, os sistemas e os componentes do complexo composto por prédios e outras instalações. O trabalho resultou na elaboração de 3.842 documentos pela Amazul e a verificação de outros 5.348 elaborados pela argentina Invap, responsável pelo projeto relativo ao prédio do reator. A Amazul lançou mão de sua expertise em 13 áreas de conhecimento de engenharia em geral e sete de tecnologia nuclear, além da alta qualificação de seus profissionais.

Maquete_RMB__Para a etapa de engenharia de detalhamento, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (FIP), liberou recursos da ordem de R$ 150 milhões. Agora, os responsáveis pelo projeto estão realizando gestões para a obtenção de recursos para o início das obras de construção. O empreendimento está orçado em cerca de US$ 500 milhões.

Os radiofármacos são usados em diagnósticos de doenças e complicações como embolia pulmonar, infecções agudas, infarto do miocárdio, obstruções renais, entre outras. Além disso, esses produtos são aliados fundamentais na detecção de câncer, já que são capazes de definir o tipo e a extensão de tumor no organismo. Hoje, o Brasil ainda precisa comprar insumos necessários para produção de radiofármacos da Rússia, África do Sul e Países Baixos.  Com o RMB, o país deixará a condição de importador de radioisótopos e alcançará sua autossuficiência.

Além de radioisótopos, o RMB também poderá produzir traçadores que são usados em pesquisas em agricultura, indústria, proteção do meio ambiente e biologia. O RMB será construído em uma área de 2 milhões de metros quadrados adjacente ao Centro Industrial e Nuclear Aramar, no município de Iperó (SP). Desse total, 1,2 milhão de metros quadrados foram cedidos pela Marinha do Brasil e o restante por meio de desapropriação realizada pelo governo do Estado de São Paulo.

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