ANP PREVÊ R$ 2,8 BILHÕES EM INVESTIMENTOS EM EXPLORAÇÃO NO BRASIL EM 2022 E VÊ AQUECIMENTO DESSA ATIVIDADE | Petronotícias





ANP PREVÊ R$ 2,8 BILHÕES EM INVESTIMENTOS EM EXPLORAÇÃO NO BRASIL EM 2022 E VÊ AQUECIMENTO DESSA ATIVIDADE

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

Dir Marina AbelhaO Petronotícias abre o noticiário desta segunda-feira (28) trazendo projeções animadoras para uma das atividades mais vitais da indústria de petróleo e gás – a exploração de novos poços. Segundo um levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as operadoras no Brasil devem perfurar até 30 poços no país neste ano – sendo oito marítimos e 22 terrestres. Além disso, também está previsto um volume considerável de aquisições de dados sísmicos. Assim, a estimativa dos investimentos em exploração para esse ano soma cerca de R$ 2,8 bilhões (os números estão detalhados no final desta entrevista). Para comentar esses dados e trazer uma análise sobre o futuro dessa atividade no Brasil, conversaremos hoje com a diretora da ANP, Marina Abelha – atualmente à frente da diretoria 3 do órgão, que abriga a Superintendência de Exploração (SEP). A entrevistada vê, por exemplo, que o setor tem se mostrado resiliente frente a todas adversidades enfrentadas desde 2020. “O que vislumbramos é que, de fato, há uma perspectiva de aumento de investimentos na fase de exploração, ainda que discreta”, previu. Marina lembra ainda que existe a perspectiva da primeira perfuração na Bacia da Foz do Amazonas ainda em 2022, além de novos poços em regiões de nova fronteira das bacias de Sergipe-Alagoas e Espírito Santo. A diretora também comenta que espera um aumento representativo de aquisições sísmicas em 2022, com foco nas Bacias de Campos e Potiguar. Por fim, Marina fala ainda sobre agenda regulatória, trazendo detalhes sobre duas resoluções importantes que serão trabalhadas pela ANP em 2022: a do Plano de Trabalho Exploratório e a da Prorrogação da Fase de Exploração de Contratos de E&P.

Levando em conta os oito poços offshore que devem ser perfurados em 2022, é possível detalhar em quais bacias essas atividades exploratórias devem acontecer?

sondaA divulgação dos dados não é detalhada por bacia para evitar abrir a estratégia de algum agente específico. Não obstante, é possível informar que, na fase de exploração, os poços exploratórios offshore previstos para 2022 incluem as bacias de Campos, Espírito Santo e Foz do Amazonas. Importa ressaltar que, dos oito poços previstos para o corrente ano, três já iniciaram a perfuração (todos na Bacia de Campos, em prospectos do Pré-sal):

1-BRSA-1884-RJS – concluído (Bloco 2 Irmãos – Operador Petrobras);
1-SHEL-34A-RJS – em andamento (Bloco C-M-791 – Operador Shell); e
1-BRSA-1383-RJS (Bloco Alto de Cabo Frio Central – Operador Petrobras).

Além desses, encontram-se em andamento os poços 1-EMEB-3-SES (Bloco SEAL-M-428 – Operador Exxon – Bacia de Sergipe Alagoas) e 1-TOT-2-RJS (Bloco C-M-541 – Operador Total – Bacia de Campos), os quais constavam na previsão de início em 2021.

O poço da Total na Bacia de Campos foi iniciado no final de dezembro de 2021, já o poço da Exxon na Bacia de Sergipe Alagoas foi iniciado no final de fevereiro de 2022.

Ainda sobre o ambiente offshore, um dado que chama atenção é o volume expressivo de sísmica 2D e 3D (mais de 13 mil km²). Como avalia esse número? É o indicativo de que as petroleiras devem aquecer seus programas exploratórios daqui em diante?

sondaO ano de 2021 foi fortemente impactado nas atividades sísmicas na fase de exploração, não sendo prevista nem realizada nenhuma aquisição de dados exclusivos relativos à fase de exploração em 2021 no offshore. Dados exclusivos são aqueles adquiridos pelos concessionários/operadores em suas áreas contratadas.

De fato, a previsão para 2022 é um aumento representativo de aquisições. Os levantamentos estão previstos para as Bacias de Campos e Potiguar.

Houve aquisição offshore de dados exclusivos nas tecnologias 3D e OBN na fase de produção (2.328 km2), bem como de dados não exclusivos – 9.314 km de dados sísmicos 2D na Bacia de Pelotas, e 19.445 km2 de dados sísmicos 3D nas Bacias de Santos e Espírito Santo. Dados não-exclusivos são aqueles realizados com fins comerciais (multicliente) obtidos por Empresas de Aquisição de Dados (EAD) em área que seja ou não objeto de contrato de concessão, cessão onerosa ou contratos de partilha, mediante autorização prévia da ANP.

Tendo em vista o atual cenário em que o mundo se reposiciona para atingir as metas do Acordo de Paris rumo à transição energética, o orçamento disponível para projetos exploratórios em nível mundial tem se mostrado cada vez mais escasso. Dessa forma, mostra-se cada vez mais urgente a necessidade de se otimizarem os investimentos na fase de exploração, e uma das saídas é o uso de novas tecnologias, com vistas a aperfeiçoar os modelos geológicos na tentativa de diminuir a necessidade de perfuração de poços. Esta estratégia passa diretamente pela necessidade de aquisição de dados geofísicos de alta tecnologia e elevada qualidade ainda na fase de exploração. Pelo exposto, a expectativa é de que vejamos um acréscimo em investimentos de dados sísmicos tridimensionais no ambiente offshore.

A previsão para o ambiente onshore também é considerável (22 poços). Poderia detalhar um pouco sobre em quais regiões essas atividades exploratórias terrestres devem ficar concentradas?

sondaPara 2022, no ambiente onshore, estão previstos poços nas bacias do Espírito Santo, Potiguar, Recôncavo, Parnaíba e Amazonas. Neste ano, já foram iniciados cinco poços em terra:

3-ENV-28D-MA – concluído (Bloco PN-T-69 – Operadora Eneva – Bacia do Parnaíba);
1-ENV-29-MA – concluído (Bloco PN-T-87 – Operadora Eneva – Bacia do Parnaíba);
1-ENV30D-MA – concluído (Bloco PN-T103 – Operadora Eneva – Bacia do Parnaíba);
1-ALV14D-BA – em andamento (Bloco REC-T182 – Operadora Alvopetro – Bacia do Recôncavo) e;
1-BGM-5-ES – em andamento (Bloco ES-T-496 – Operadora BGM – Bacia do Espírito Santo).

As 22 perfurações estão previstas de serem realizadas por sete operadores.

Diante desses números, poderia fazer uma avaliação sobre esse momento de reaquecimento da atividade exploratória no Brasil?

anpAs atividades de exploratórias são as primeiras a reagirem aos efeitos negativos sobre ao setor de petróleo e gás natural, sejam aqueles associados aos preços da commodity, como também relacionados às incertezas na demanda ocasionadas, por exemplo, pela pandemia mundial de covid-19. Ainda assim, o setor tem se mostrado resiliente frente a todas essas adversidades que temos enfrentado desde 2020. O que vislumbramos é que, de fato, há uma perspectiva de aumento de investimentos na fase de exploração, ainda que discreta.

O que estamos observando é a materialização do otimismo que vislumbrávamos para a retomada cautelosa das atividades exploratórias para 2022, após os fortes impactos mundiais da pandemia de covid-19 e variações do preço do petróleo. No ambiente offshore, as perfurações planejadas vão para além do pujante play pré-sal no eixo das Bacias de Santos e Campos, incluindo novas perfurações em regiões de nova fronteira das bacias de Sergipe Alagoas e Espírito Santo. Importa destacar que há a expectativa de que ocorra a primeira perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, após mais de uma década de interrupção das atividades de poços. A indústria aguarda ansiosa essa perfuração, que pode abrir um novo play de classe mundial no Brasil, a exemplo das importantes descobertas que têm sido realizadas na Guiana e Suriname.

No ambiente onshore, verificamos que há previsão de perfuração tanto em ambiente de nova fronteira (Bacias do Parnaíba e Amazonas) quanto em bacias maduras (Recôncavo e Espírito Santo), com propensão para gás e óleo. Além da diversidade de bacias sendo exploradas, cabe um destaque para a diversidade de agentes com previsão de perfuração em seus ativos. Essa pluralidade de atores na exploração onshore, um reflexo direto e importante das recentes ações de abertura do mercado em terra, é extremamente saudável, e tem o potencial de incorporar novas reservas, ao tempo em que movimenta a economia local, com geração de empregos e oportunidades de investimentos.

Por fim, gostaria que comentasse de que forma agenda regulatória da ANP poderá contribuir ainda mais para o setor de exploração?

sondaDo ponto de vista da agenda regulatória, temos duas entregas importantes para o ano de 2022: a Resolução do Plano de Trabalho Exploratório e a Resolução de Prorrogação da Fase de Exploração de Contratos de E&P.

A Resolução do Plano de Trabalho Exploratório vem para modernizar a entrega de informações de previsão de atividades e investimentos na fase de exploração, unificando instrumentos e apresentando uma plataforma moderna de entrega de dados. A ANP ampliará a sua capacidade de acompanhamento dos contratos de exploração e produção (E&P) na fase de exploração e os operadores terão os seus esforços para envio de informações reduzidos e clareza no regramento a que estão submetidos. Além disso, a sociedade em geral poderá usufruir de informações de maior qualidade referentes ao planejamento e à realização das atividades exploratórias disponíveis nas publicações realizadas pela ANP e se beneficiará, de forma indireta, pelo aperfeiçoamento da gestão de contratos de E&P na fase de exploração.

Por fim, estamos dando andamento à publicação de resolução que trata da prorrogação da fase de exploração de contratos de E&P em razão dos impactos sofridos conjuntamente pela Pandemia de Covid-19 e variações no preço do petróleo. Essa Resolução ANP atenderá ao estabelecido na Resolução CNPE 12/2021, que estabeleceu como de interesse da Política Energética Nacional que a ANP avalie a adoção de medidas visando à prorrogação da fase de exploração dos contratos de concessão e partilha de produção vigentes. O prazo de prorrogação da fase de exploração dos contratos estabelecido por esta Resolução foi de 18 meses. No caso do modelo de partilha da produção (adotado em áreas do pré-sal e outras consideradas estratégicas), a prorrogação não poderá afetar a duração inicialmente definida para o contrato. Os objetivos da medida são: minimizar os impactos negativos gerados pelo cenário atual da indústria do petróleo, em especial devido à Pandemia da Covid-19; e evitar a extinção de contratos em fase de exploração sem que tenham sido realizadas as atividades exploratórias compromissadas, preservando o interesse nacional com relação à manutenção dos investimentos comprometidos nestes contratos.

Veja abaixo o detalhamento das previsões de investimentos da ANP para as atividades exploratórias em 2022:

tabela

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