CREA QUER COLABORAR NA FISCALIZAÇÃO DE DESCOMISSIONAMENTO DE UNIDADES OFFSHORE

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

crea reynaldoEm dezembro, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) terá eleições para definir quem será seu próximo presidente, posto que hoje é ocupado por Reynaldo Barros. Candidato a reeleição, ele revela quais foram alguns dos problemas encontrados pelo conselho em ações de fiscalização durante seu mandato. “Uma das maiores irregularidades é o exercício ilegal de estrangeiros. Sabemos que o mercado de petróleo e gás é global, mas temos que exigir o cumprimento do que determina a lei”, afirmou. Para o futuro, Barros disse que o CREA quer colaborar na fiscalização do descomissionamento das unidades offshore, “que gera uma série de atividades técnicas que devem ser cobertas por profissionais e empresas habilitadas”.

Sobre a situação das empresas impedidas de serem contratadas pela Petrobrás, o presidente do conselho foi enfático: “Passou do limite do razoável. O movimento do judiciário brasileiro deveria se preocupar também com a sustentabilidade do setor produtivo, do emprego para os brasileiros”. Se eleito, Barros afirma que deseja implantar uma plataforma de fomento a startups de engenharia e a “Casa da Engenharia”, uma rede de escritórios tipo coworkings de apoio ao profissional.

Gostaria que o senhor começasse fazendo um resumo das principais ações do CREA RJ nos últimos anos em prol das empresas de engenharia.

Durante muito tempo, o CREA teve uma relação muito fria e burocrática com as empresas. Nosso entendimento é que se as empresas de engenharia também financiam o Conselho, geram emprego e valorizam a atividade profissional, teríamos que inaugurar uma outra relação com o setor empresarial. E fizemos. Assim surgiu a Certificação de Conformidade com o Exercício Profissional do CREA-RJ que já certificou mais de 600 empresas, muitas do setor de petróleo e gás. Diferentemente da fiscalização tradicional, que continuamos fazendo, nós abordamos as empresas oferecendo a certificação como um diferencial competitivo no mercado, por meio do qual podem se apresentar com a chancela do CREA-RJ por cumprir os requisitos legais presentes hoje nas políticas de compliance que o mercado vem adotando.

No que diz respeito às questões de fiscalizações, quais foram as principais irregularidades encontradas ao longo do seu mandato dentro das obras de óleo e gás?

Uma das maiores irregularidades é o exercício ilegal de estrangeiros. Sabemos que o mercado de petróleo e gás é global, mas temos que exigir o cumprimento do que determina a lei. Assim também é cobrado dos nossos engenheiros, geólogos e técnicos nos demais países. A reciprocidade é o que defendemos. Outra questão mais recente que queremos colaborar na fiscalização de outros órgãos, como os ambientais, a Marinha e a ANP é a do descomissionamento das unidades offshore, que gera uma série de atividades técnicas que devem ser cobertas por profissionais e empresas habilitadas; e as devidas Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) para que a sociedade tenha rastreabilidade dos trabalhos técnicos nessa área. Criamos também, por portaria, um Grupo de Trabalho de Petróleo e Gás com especialistas do setor para mapear as unidades de negócios em todo o Estado e desenvolver nossos processos de fiscalização.

Como o senhor enxerga a discussão em torno do conteúdo local dentro do setor óleo e gás? A Petrobrás e as petroleiras querem levar muitas obras para o exterior. Qual sua opinião sobre o tema?

Já me manifestei em artigo sobre a inconveniência da ruptura com o conteúdo local como vem sendo proposto pelas operadoras. Entendemos que não podemos tutelar a indústria brasileira, criando reserva de mercado de forma abusiva, mas não dá pra romper com políticas estruturantes de retomada de setores industriais brasileiros como o naval, por exemplo. Queremos a eficiência da Petrobrás, mas o menor preço a qualquer custo não pode dizimar empregos de engenheiros e técnicos brasileiros de uma hora pra outra, levar a quebradeira de municípios que dão suporte à atividade offshore entre outros prejuízos causados pelos waivers pleiteados pelas operadoras. Há um caminho do equilíbrio que todos devemos encontrar, o setor produtivo e o Estado.

Recentemente, a ANP publicou sua decisão sobre o waiver de Libra e determinou que a Engenharia Básica e Engenharia de Detalhamento da plataforma fossem realizadas no Brasil. Qual será o impacto da decisão?

Será muito positivo e animador para nossa indústria. O momento é de busca pela eficiência para nos acomodarmos ao novo patamar de preço do petróleo, mas também de otimização da capacidade instalada no país, resultado de uma política de longa maturação que o Estado brasileiro não tem o direito de romper abruptamente.

As empresas de engenharia nacionais estão prontas para atender a todas as demandas do setor de óleo e gás?

A engenharia brasileira é uma das líderes no setor. Aliás, em qualquer área da engenharia, apesar da desindustrialização pela qual passamos nas últimas décadas, somos líderes com considerável presença internacional. No campo, por exemplo, exportamos tecnologia para muitos países. Fabricamos aviões competitivos. Mas estamos perdendo o protagonismo. No setor de óleo e gás, a Petrobrás sempre foi uma escola para outras empresas, inclusive internacionais. Não diria todas as demandas, porque a tecnologia evolui muito e o momento econômico do país tem gerado uma paralisação no setor de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Mas ainda somos competitivos e complementares. Tenho lutado para o aumento de investimentos em inovação, tão necessário ao setor de óleo e gás que passa por uma acomodação de margens operacionais e requer novos processos mais eficientes e baratos.

Algumas empresas de engenharia estão proibidas de serem contratadas pela Petrobrás, por conta de problemas de corrupção. Esse bloqueio se arrasta há bastante tempo. Como vê isso? Enxerga alguma solução?

Passou do limite do razoável. O movimento do judiciário brasileiro deveria se preocupar também com a sustentabilidade do setor produtivo, do emprego para os brasileiros. Os acordos de leniência se arrastam e, infelizmente, não vejo um interesse do conjunto do Estado em punir as pessoas e salvar as empresas. Assim fazem a Coréia do Sul, que puniu sua presidente envolvida em corrupção juntamente com executivos da Samsung, mas preserva sua marca como patrimônio. Assim também a Volkswagen fez com seus executivos no escândalo de laudos de emissões de poluentes falsificados, mas teve a proteção do Estado na preservação da marca. Posso citar a Nike e tantos outros exemplos em que os países punem as pessoas mas preservam seus ativos produtivos. Aqui as empreiteiras brasileiras, embora tenham errado, eram uma fronteira importante de nosso setor industrial e de serviços. A engenharia é protagonista do desenvolvimento do país. Creio que nosso sistema profissional, que representa mais de um milhão de profissionais, deve se organizar para manifestar-se contra essa paralisia. Estou nessa luta.

Quais são hoje os principais pleitos, desafios e anseios das empresas de engenharia do Brasil?

As empresas desejam duas coisas: desburocratização e oportunidades. Estamos trabalhando nas duas direções. Implantamos a primeira fase do processo digital, o que agilizará muito o relacionamento com o Crea. Mas sabemos que o setor produtivo que gerar negócios, crescer, prosperar. Estamos atentos a este anseio e trabalhando para gerar as oportunidades, fortalecer os setores da engenharia, fiscalizando a informalidade, para que as empresas estabelecidas tenham mercado. Podemos ajudar muito na geração de mercado. Vamos investir mais em tecnologia e treinamento de nossa fiscalização para que aconteça. Podem esperar!

Em relação à questão de empregos dentro do setor de engenharia, como está o mercado? Há vagas abertas ou o mercado ainda está sentindo a crise?

Creio que realmente batemos o fundo do poço e começamos a enxergar um cenário um pouco melhor. Sou otimista. Estou escrevendo um livro de dicas profissionais para ajudar os colegas. Vou disponibilizá-lo gratuitamente em breve em nossos canais nas redes sociais. Há muitas áreas promissoras como, por exemplo, a de manutenções e operações prediais. O mercado tem que se profissionalizar para atender aos normativos legais e técnicos que endureceram. No setor de energias renováveis, há muitas oportunidades em micro e mais um ciclo de investimentos que certamente irá gerar empregos. Mas oriento sempre que se qualifiquem para ocupar vagas que já começam a surgir. Vivemos recentemente um ciclo de pleno emprego no qual muito estacionaram na zona de conforto. É preciso se diferenciar e se requalificar.

Caso seja reeleito, que medidas irá priorizar em seu próximo mandato?

Nosso projeto é transformar o Crea num agente de oportunidades, com muitos serviços para os profissionais e empresas. Com muita tecnologia, criatividade, inovação e parcerias estratégicas. Já começamos a implantar diversos programas que beneficiam profissionais e empresas, tais como o Progredir, de capacitação; o Crea-RJ Vagas, banco de empregos e estágios; o Crea-RJ Integra, que realiza em parceria com o Sebrae sessões de negócios em todo o Estado, fortalecendo cadeias produtivas; o Clube Mais Vantagens de benefícios e descontos em serviços; a Certificação de Conformidade, que premia as empresas; entre outros. No próximo mandato, vamos criar a Casa da Engenharia, uma rede de escritórios tipo coworkings de apoio ao profissional, novas funcionalidades em nosso aplicativo móvel, o portal do formando, o portal do síndico e do perito, além da valorização de nossa comunidade acadêmica. Vamos criar também uma plataforma de fomento a startups de engenharia. Queremos trabalhar em convergência com setores empresariais e profissionais. Estamos fazendo diversas parcerias com a Firjan e o Sebrae. E as prefeituras também têm percebido nosso projeto de mudança e nos procurado para cooperações em fiscalizações das atividades, gerando segurança e qualidade para a sociedade. São muitos projetos. Finalizo com o projeto da previdência privada complementar com recursos da Anotação de Responsabilidade Técnica, na qual o profissional poderá ter uma conta vinculada para depósitos das ARTs que for anotando em sua carreira para sacar como renda ou capital ao fim da carreira. Estamos já discutindo isso nacionalmente. Para saber mais sobre nosso Plano de Trabalho é só entrar em www.reynaldobarros.com.br e podem inscrever-se também no nosso canal do Youtube.

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1 Comentário em "CREA QUER COLABORAR NA FISCALIZAÇÃO DE DESCOMISSIONAMENTO DE UNIDADES OFFSHORE"

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Deco Bamba
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Esperemos que não sejam palavras ao vento para se eleição mas que seja algo prático em benefício da indústria brasileira e dos profissionais brasileiros.

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