ITAIPU VAI AMPLIAR ATUAÇÃO AMBIENTAL PARA 56 MUNICÍPIOS DO OESTE DO PARANÁ

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

20170608RF0847Do Brasil para o mundo. A usina de Itaipu participou dos debates sobre clima e energia na COP-23, que será realizada até a próxima sexta-feira (17), na Alemanha. A usina mostrou na conferência as ações que estão sendo adotadas para colaborar com os compromissos climáticos e ambientais firmados pelo Brasil. “A Itaipu vem trabalhando para ampliar suas iniciativas. A atuação ambiental, antes restrita a 29 municípios da bacia hidrográfica, será ampliada para 56 municípios do Oeste do Paraná”, revelou o diretor de Coordenação da usina, Hélio Gilberto Amaral. O executivo destaca a importância de Itaipu para a segurança energética do país – em 2016, a hidrelétrica produziu 103,1 milhões de MWh, o equivalente a  500 mil barris de petróleo por dia. Amaral menciona também que outras fontes também podem contribuir não apenas com eletricidade, mas também para o aspecto climático. “A energia nuclear, assim como a hidrelétrica, é uma fonte que pode prover grandes cargas de energia firme, com a vantagem que pode se localizar relativamente mais próxima dos centros consumidores”, afirmou.

Gostaria que o senhor começasse detalhando os principais projetos apresentados na COP 23.

Como água é a matéria-prima para a geração de energia e para a produção de alimentos (atividade econômica principal da área de influência da Itaipu no Brasil e no Paraguai), cuidar dela em quantidade e qualidade para atender a seus usos múltiplos, incluindo a promoção do turismo e o abastecimento dos municípios, é algo que foi incorporado à missão e ao planejamento estratégico da Itaipu.

Por isso, durante a COP 23, a Itaipu apresentou um conjunto de projetos que desenvolve em sua área de influência de modo a garantir a segurança hídrica para os usos de seu reservatório, que tem 170 km de extensão e uma lâmina d’água de 1.350 km2.

As principais ações (além da área fim da empresa que é a produção de energia limpa e renovável) são as voltadas à conservação da biodiversidade (flora e fauna); à gestão de bacias hidrográficas; e à promoção do desenvolvimento rural sustentável, por meio do incentivo ao plantio direto, da transformação dos dejetos da pecuária em energia (biogás) e da adoção de técnicas sustentáveis de produção. A empresa também apresentará o Cultivando Água Boa, uma metodologia de gestão participativa dos recursos hídricos premiada pela ONU-Água em 2015 e ações de educação ambiental.

Os cuidados com os recursos hídricos se refletem na própria geração de energia. Com 14 mil Megawatts de potência instalada, a Itaipu binacional desenvolveu, a partir de 2012, um sistema de gestão da produção semelhante à gestão de uma cadeia de suprimentos, em que a água é o insumo principal. Dessa forma, as paradas de manutenção e outras manobras que demandem o desligamento de máquinas são adequadas de acordo com o fluxo de água que chega ao reservatório.

Em um ano com grande disponibilidade de recursos hídricos, como em 2016, associada à demanda por eletricidade no Brasil e no Paraguai, esse sistema de gestão possibilitou estabelecer um novo recorde mundial de geração anual, com 103.098.366 megawatts/hora que abasteceram 17% do consumo brasileiro e 78% do consumo paraguaio de eletricidade. Para gerar essa quantidade de energia por fonte térmica, seriam necessários 583 mil barris de petróleo por dia.

O reservatório de Itaipu é cercado por uma faixa de proteção com 200 metros de largura em média, além de refúgios e áreas protegidas no Brasil e no Paraguai que totalizam mais de 100 mil hectares de florestas. Essas áreas verdes respondem, aproximadamente, pelo sequestro de mais de 5 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Recentemente, Itaipu se tornou a primeira usina no mundo a ter suas áreas protegidas reconhecidas pela Unesco como reserva da biosfera. No Paraguai, a Itaipu também é responsável pela coordenação do programa Paraguay Biodiversidad, com recursos aprovados pelo governo paraguaio junto ao Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), do Banco Mundial. O objetivo é conservar a diversidade biológica e promover o uso sustentável da terra.

No Brasil, as áreas protegidas conectam-se ao Sul, por meio do Corredor de Biodiversidade Santa Maria, com o Parque Nacional do Iguaçu, e, ao Norte, com Parque Nacional de Ilha Grande, no Mato Grosso do Sul. Em ambos os países, a Itaipu também desenvolve projetos de conservação de espécies animais nativas que se encontram em situação de risco, como a harpia, a anta e a onça-pintada.

A conservação de florestas é um cuidado essencial para a segurança hídrica, mas também depende de outras estratégias voltadas ao entorno, especialmente no que diz respeito ao uso da terra.

Itaipu está encravada em uma das regiões mais produtivas do agronegócio, tanto no Brasil como no Paraguai. Portanto, os corpos d’água que conectam o território com o reservatório estão sujeitos aos passivos ambientais da agropecuária, tais como agrotóxicos, dejetos de gado, aves e suínos, e parte do solo descoberto que fica sujeito à ação da chuva e acaba indo parar nos rios.

Para frear esses passivos, Itaipu lança mão de uma série de iniciativas, como o terraceamento das áreas agrícolas (para fazer a correta drenagem das chuvas e aumentar a retenção de água no solo), a difusão do plantio direto (que também colabora para a retenção, diminui a necessidade de agrotóxicos, mantém o solo coberto durante todo o ano e reduz as emissões de gases de efeito estufa da agricultura) e o uso dos dejetos da pecuária para a produção de biogás (como insumo para energia térmica, elétrica e veicular) e de biofertilizante. O biogás também contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas, uma vez que transforma um dos principais passivos da pecuária (as emissões de metano) em fonte de energia.

A essas técnicas somam-se outras iniciativas, como ações de educação ambiental, o estímulo à agricultura orgânica e a adoção de sistemas de integração lavoura-pasto-floresta, assistência técnica gratuita, readequação e cascalhamento de estradas rurais, recuperação e proteção de nascentes, entre outras.

A partir destes projetos, quais foram os resultados obtidos até então?

No contexto da realização da COP 23, alguns resultados importantes das ações da Itaipu que estão alinhadas com o Acordo de Paris e com o enfrentamento das mudanças climáticas:

– A produção de energia limpa e renovável (para a produzir a mesma quantidade de energia gerada em 2016 – 103,1 milhões de MWh –, seriam necessários 500 mil barris de petróleo por dia, cerca de um quinto da produção brasileira).

– A manutenção de mais de 100 mil hectares de áreas verdes que sequestram aproximadamente 5 milhões de toneladas de CO2  equivalente/ano.

– A promoção da recuperação de microbacias hidrográficas. São 217 microbacias atendidas, com 22 mil hectares de terraceamento e conservação de solos  (que permite a drenagem correta dos solos agrícolas e evita erosão) e 1.400 km lineares de matas ciliares recuperadas protegendo o curso de rios que são afluentes do reservatório.

– A redução das emissões da agricultura com a promoção de práticas sustentáveis, como a agroecologia e o plantio direto, que reduz emissões de gases de efeito estufa na agricultura.

– O incentivo ao aproveitamento de dejetos da pecuária (metano) para a produção de energia térmica, elétrica e veicular (biogás).

– A realização de diversas ações de educação ambiental nas comunidades do entorno.

– A promoção do cultivo de plantas medicinais, atividade econômica que, além de contribuir para a saúde, preserva a biodiversidade, uma vez que as plantas são nativas da região e devem ser cultivadas sem agrotóxicos.

– Itaipu emprega 100 veículos elétricos em sua frota. Nos últimos 10 anos, eles rodaram 836 mil  km e evitaram a emissão de 87 ton de CO2.

Além destas iniciativas, Itaipu pretende adotar novas medidas para ajudar no controle das mudanças climáticas?

A Itaipu vem trabalhando para ampliar suas iniciativas. A atuação ambiental, antes restrita a 29 municípios da bacia hidrográfica será ampliada para 56 municípios do Oeste do Paraná. A empresa também vem atuando na cooperação com outras regiões do Brasil e do mundo, compartilhando conhecimentos sobre gestão de bacias hidrográficas e práticas sustentáveis. Por meio do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), com sede no Parque Tecnológico Itaipu (PTI), vem atuando na capacitação e no compartilhamento, inclusive com cursos a distância, para transmitir conhecimentos sobre a transformação de dejetos da pecuária e esgotos em energia. Também tem atuado na pesquisa de tecnologias de armazenamento de energia, para atender comunidades isoladas (como na Amazônia, por exemplo), com sistemas que combinam geração eólica e solar.

Como a empresa tem ajudado no desenvolvimento sustentável em sua área de influência?

Conforme respondido anteriormente, a Itaipu está encravada em uma região fortemente dedicada ao agronegócio em ambos os países. Além de contribuir com a preservação e a conexão dos principais remanescentes florestais na região, a empresa vem atuando em várias frentes ligadas ao desenvolvimento sustentável do território. Por meio de suas ações socioambientais, a empresa vem atuando na melhoria das condições sociais e ambientais nas microbacias hidrográficas em que atua, tanto com ações coletivas (como a readequação de estradas, recomposição de matas ciliares, conservação de solos) como também individuais (como a assistência técnica gratuita para que produtores rurais produzam de forma mais sustentável). A empresa também atua em parceria com diversas instituições no sentido de promover estudos e propor soluções para gargalos estruturais em cadeias produtivas da região. Por meio do Parque Tecnológico Itaipu, são desenvolvidos inúmeros projetos voltados à geração de emprego e renda, educação, pesquisa de novas tecnologias e outras iniciativas que contribuam para o desenvolvimento regional.

O senhor acredita que outras fontes, além da hidrelétrica, podem ajudar no controle do clima? Quais?

Sem dúvida, todas as renováveis têm um papel a cumprir. Solar e eólica são fontes de energia que podem ser aproveitadas em áreas próximas ou mesmo junto ao consumo, dentro do conceito de geração distribuída. Mas têm a desvantagem de serem intermitentes (estão sujeitas a variações, conforme insolação e incidência de ventos). Hidrelétricas têm a vantagem de poderem fornecer energia firme em grandes quantidades e conforme a necessidade. O Brasil tem a vantagem de possuir regimes hidrológicos diferenciados em suas regiões geográficas. Dessa forma pode contar com hidrelétricas do Sul e do Sudeste quando os reservatórios do Norte e Nordeste estão em períodos de seca, e vice-versa. A energia nuclear, assim como a hidrelétrica, é uma fonte que pode prover grandes cargas de energia firme, com a vantagem que pode se localizar relativamente mais próxima dos centros consumidores. Todas essas são fontes de baixas emissões de gases de efeito estufa, mas cada uma tem vantagens e desvantagens. Um sistema elétrico seguro, robusto e sem impactos sobre a atmosfera, deve contar com essas fontes de forma diversificada e aplicada conforme a necessidade e melhor aplicabilidade em cada caso.

Como vê o futuro da geração hidrelétrica no Brasil e de que forma ela pode ajudar para combater o aquecimento global?

O Brasil ainda tem grande potencial hidrelétrico não explorado. Porém, grande parte desse potencial se encontra na região amazônica, bastante sensível em termos ambientais e sociais. Os projetos hidrelétricos nessa região precisam ser ainda mais rigorosos em relação à avaliação de seus impactos e como estes serão mitigados ou compensados. Dessa forma, projetos hidrelétricos (ou outros projetos de infraestrutura) podem, assim como Itaipu, se converter em uma força positiva, impulsionando o desenvolvimento sustentável em suas áreas de influência.

De que forma a empresa pode colaborar com o país no tema de segurança hídrica?

A Itaipu atua de forma integrada aos sistemas elétricos do Brasil e do Paraguai e, especialmente, de forma integrada a outras usinas instaladas na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná (são 57 grandes reservatórios na bacia) de modo a regular a vazão e equilibrar os reservatórios e a geração de energia nas diferentes geradoras. Além disso, com todas as iniciativas já mencionadas de proteção da biodiversidade no entorno e de promoção do desenvolvimento sustentável do território, a Itaipu contribui para assegurar água em quantidade e qualidade para satisfazer os usos múltiplos de seu reservatório: lazer e turismo, abastecimento de municípios, pesca e aquicultura, e agropecuária.

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