ELETRONUCLEAR ESPERA SOLUÇÃO PARA SUA DÍVIDA ATÉ MEADOS DE DEZEMBRO

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O quarto homenageado nesta sexta-feira (1º) com o Prêmio de Mérito Nuclear, da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), foi o presidente da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães. Em conversa com jornalistas durante o encontro, ele detalhou como está o quadro da empresa, frente à difícil situação financeira por conta de um empréstimo feito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A próxima parcela, de R$ 30 milhões, vence no dia 15 de dezembro. E o presidente da Eletronuclear espera que até lá haja uma decisão de suspender o pagamento. Leonam explica que se não existe a obrigação de equacionar o financiamento, a Eletronuclear estaria com sua saúde financeira em dia. Mas, por conta do atraso das obras de Angra 3, a empresa está com dificuldades de gerar a receita necessária para honrar os compromissos. O executivo ainda ressalta que o peso da dívida com o BNDES é tão grande, que compromete também o funcionamento das usinas Angra 1 e Angra 2.

Como o senhor se sente recebendo essa homenagem?

Muito importante essa iniciativa da Abdan em criar esse prêmio. A comunidade nuclear é pequena e eu tive o privilégio de ser um dos primeiros. Além da importância do evento, também merece destaque a oportunidade de se reunir o setor nuclear, prefeitos da região de Angra e parlamentares. Estreitar os laços é extremamente importante. Fiquei bastante honrado com o prêmio.

Como estão as negociações sobre o financiamento com o BNDES?

A Eletronuclear vive um momento crítico, com sua própria sobrevivência ameaçada. Angra 3 é grande demais para a Eletronuclear sozinha. Hoje estamos arcando com as dívidas da usina e nossa única fonte de receita é a geração de energia em Angra 1 e 2. Com essa receita, não temos condição de honrar os compromissos com a obra. Além do BNDES, temos outras dívidas com fornecedores e é uma ameaça para a continuidade das usinas de Angra 1 e 2. A Eletronuclear, sem a questão de Angra 3, é uma empresa extremamente saudável dos pontos de vista financeiro e operacional. Mas esse bom desempenho não é suficiente para arcar com os custos. Estamos buscando formas de equacionar essa dívida. Se isso não for feito no curto prazo, pode comprometer o funcionamento de Angra 1 e 2.

Havia uma espera de que o governo tivesse uma solução até dezembro para continuidade do projeto de Angra 3. Como está a discussão no âmbito do CNPE?

A expectativa do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) é mais ampla do que o problema da dívida. O que se espera do conselho é um sinal de retomada [das obras de Angra 3] e autorização para estruturação de um novo modelo de negócio, com parceria privada e internacional. Muitas empresas de fora têm mostrado interesse. O CNPE tomaria decisões mais amplas, que são complexas. Mas o problema maior é o da dívida. Essa questão da dívida tem sido discutida em todas as instâncias do governo, a medida de se conseguir um waiver. Nossa dívida principal com o BNDES é de R$ 2,8 bilhões. Isso representa R$ 30 milhões por mês, o que é 12% da receita bruta da companhia. Não há desempenho bom que consiga fazer frente a esse impacto. Depois, temos que equacionar a dívida com a Caixa Econômica, que é de R$ 2,9 bilhões. Tem as dívidas dos fornecedores também, algo em torno de R$ 50 milhões. Precisamos equacionar essas dívidas para seguir em frente com a modelagem nova e revisão da tarifa.

O senhor vislumbra alguma posição positiva do governo?

A posição do governo tem sido bastante positiva. Mas estão faltando ainda ações concretas, principalmente na questão da dívida. Do contrário, não dá tempo de chegar à reunião do CNPE, porque antes disso vamos parar. Esse problema da dívida é muito grave e precisa ser superado para dar o passo seguinte, que é a retomada [das obras].

Mas existe uma perspectiva de quando essa questão da dívida pode ser solucionada?

Nós esperamos até o dia 15 de dezembro, que onde vence o terceiro boleto de R$ 30 milhões. Pagamos a primeira parcela em outubro. Essa decisão depende, no fim da linha, do BNDES, mas o banco não pode tomar essa decisão unilateralmente. Precisa do suporte do governo e isso que está sendo costurado. Esperamos conseguir até 15 de dezembro para não ter de pagar a nova parcela de R$ 30 milhões.

Quando superado o problema do financiamento, como ficará o projeto de retomada de Angra 3?

Estamos avançando bastante na definição de um novo modelo. Temos consultoria trabalhando conosco. Estamos com um primeiro leque de opções de composição de modelo de negócio e já na próxima semana será apresentado e discutido com a Eletrobrás, para selecionar o caminho para se continuar. Aí sim, efetivamente, podemos começar com o trabalho de negociação com esses parceiros, possivelmente por meio de uma chamada pública.

Como está a questão das parcerias?

Temos potenciais parceiros mostrando interesse, como a Rosatom, CNNC e a aliança entre a EDF e Mitsubishi. Acho que isso é um sinal positivo, de que as empresas internacionais acreditam no setor nuclear brasileiros. Já assinamos acordos com Rosatom, CNNC e a parceria com a EDF está no prelo. Esses acordos são a maneira de formalizar as negociações preliminares que fizemos. Ainda não envolve nenhum compromisso de execução. Se conseguimos montar uma sociedade de sucesso com esses potenciais parceiros, fica aberto o caminho para a expansão de nossas usinas. 

Quanto falta para concluir a obra de Angra 3?

Não precisamos de dinheiro, precisamos de sócios, que entrem com o que falta ser feito. Temos 64% das obras concluídas. Ainda são necessários R$ 13 bilhões em investimentos.

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