TRADENER FARÁ INVESTIMENTOS EM NOVAS USINAS E AGUARDA LIBERAÇÃO PARA COMERCIALIZAR GÁS DE CAMPO NO PARANÁ

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

p_walfridoA comercializadora de energia Tradener, baseada no Paraná, aguarda com ansiedade o mês de abril. O presidente da companhia, Walfrido Ávila, a empresa apresentará projetos de usinas no próximo leilão de energia nova, marcado para o início daquele mês. “Estamos preparados para o próximo leilão de abril, com, mais três PCHs e uma eólica. Também temos mais uma usina eólica, mas esta é para o mercado livre”, explicou. Na área de produção de gás, a companhia aguarda o sinal verde para começar a comercializar gás natural de um campo localizado na bacia do Paraná. “Estamos esperando as licenças ambientais, que em nosso País demoram muito para serem emitidas. E não sabemos o motivo disso. Não tem explicação. Uma licença dessas poderia sair em dois ou três dias”, comentou o executivo.

Qual sua avaliação do mercado elétrico no ano passado? Qual o balanço o senhor faz?

Foi um ano bom. O mercado de energia livre cresceu e continua em evolução. Os clientes conseguem fazer bons negócios, com preços firmes para períodos entre dois e quatro anos. Com isso, a indústria, por exemplo, consegue programar sua produção, sem problemas de aumento de tarifa ou falta de energia. Por isso, o mercado livre continua sendo uma opção muito boa. Estamos há 20 anos no mercado livre e nunca tivemos um caso de um cliente que voltou para o mercado cativo. Isso dá uma tranquilidade para a indústria, porque firma um preço para um elemento importante da cadeia produtiva – que é a energia. A maior parte da indústria, cerca de 70%, está dentro do mercado livre, que poderia ainda ser expandido no Brasil.

O que falta para que haja uma expansão do mercado livre no Brasil?

As nossas autoridades dizem que têm “medo” de fazer essa expansão. Mas não sei o motivo deste medo. Como já disse, estou há 20 anos no mercado e não vi medo nenhum, a não ser quem ficou no mercado cativo. Esse sim tem medo do que vai acontecer no futuro. O vai e volta das tarifas e a questão das bandeiras tarifárias. Você não sabe o preço que vai colocar na energia. Falta vontade política. A lei já existe desde 1998, permitindo abrir o mercado. Essa abertura pode acontecer hoje, se a Aneel autorizar.

Quais as principais vantagens do mercado livre de energia?

A vantagem é preço, que vai ser menor. Sempre que se abre o mercado, haverá competição. E havendo competição, o preço abaixa. O que não pode acontecer é a montagem de monopólio. Aí o preço sobe.

Quais são os investimentos previstos da Tradener daqui para frente?

Nós já compramos uma PCH e estamos fazendo outra em Goiás – para o mercado cativo, que vendemos no leilão de 2016. Estamos preparados para o próximo leilão de abril, com, mais três PCHs e uma eólica. Também temos mais uma usina eólica, mas esta é para o mercado livre.

As três PCHs, de 15 MW, receberão, cada uma, algo em torno de R$ 100 milhões. As eólicas – uma de 90 MW e outra de 80 MW – ainda não fechamos o valor de compra dos equipamentos. O último leilão (realizado em dezembro) foi muito interessante, porque mostrou que os preços das turbinas eólicas baixou bastante. Com isso, acreditamos que colocaremos energia eólica no mercado livre. Isto abre uma oportunidade muito boa para os fabricantes. Uma das vantagens de abrir o mercado de energia é a possibilidade dos fabricantes de equipamentos venderem direto no mercado livre. Vai ser uma tendência.

Em que fase está o projeto de exploração e produção de um campo de gás na bacia do Paraná?

O campo de gás no Paraná está pronto. Já foi perfurado na década de 70. Ele foi leiloado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) há dois anos. A partir de então, entramos com os pedidos das licenças para fazer o teste para poder distribuir o gás. Estamos esperando as licenças ambientais, que em nosso País demoram muito para serem emitidas. E não sabemos o motivo disso. Não tem explicação. Uma licença dessas poderia sair em dois ou três dias. E já faz dois anos que estamos esperando.

Resolvida esta questão das licenças, qual será o próximo passo?

Vender no dia seguinte para postos de gasolina e para as indústrias da região. Venderíamos na hora.

Além deste projeto, a Tradener já mira atuar em outros campos de gás?

A ideia é primeiro aprender. Com as licenças em mãos, vamos fazer a operação. E depois disso, partiremos para o segundo projeto do tipo. Antes disso, não. Não dá para investir [em um empreendimento deste tipo] sem saber o que o País vai querer.

Como o senhor vê as mudanças em curso, com o advento do Programa Gás para Crescer?

Eu entendo este programa como uma forma de colocar o gás no mercado de uma forma livre também. Hoje, o Brasil gosta muito de regulamentar tudo. A questão de impostos ela influi bastante. Você vai trazer o gás de um estado para ser consumido em outro, a primeira coisa que todos querem saber é sobre o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Só querem falar de impostos. Ninguém fala em crescimento. Hoje, da forma como as coisas estão, se for colocado imposto, fica complicado. Aí não terá gás nenhum para crescer. Estamos vendo que esta parte de uma reforma tributária energética na área de gás teria de ser de uma forma que visse a simplificar. Do contrário, ninguém vai usar o gás.

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