MODELAGEM DE ANGRA 3 PERMITINDO A RETOMADA DAS OBRAS SERÁ APRESENTADA À ELETROBRÁS E AO MME EM BREVE

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

marcelo gomes da silvaUma corrida contra o relógio. A Eletronuclear planeja assinar no ano que vem o contrato de parceria com um investidor privado para conclusão das obras de Angra 3. O prazo, contudo, é apertado. Por isso, uma decisão ágil do governo é vital neste momento, tendo em vista a necessidade do país de ter em sua matriz uma unidade nuclear de geração firme e segura. O chefe do Departamento de Desenvolvimento de Novos Empreendimentos da Eletronuclear, Marcelo Gomes da Silva, explica que a empresa contratou uma consultoria americana para elaborar um documento com os modelos de negócios que serão apresentados em breve aos investidores estrangeiros. Mas, antes de mostrar esta modelagem aos potenciais parceiros, é preciso que seja validada pela Eletrobrás. “Se houver consenso, [o documento] seria encaminhado ao Ministério de Minas e Energia para apreciação e também ao CNPE, se for o caso”, acrescentou. Apesar do foco da Eletronuclear ainda ser a conclusão de Angra 3, a companhia já tem seus olhos em futuras novas centrais nucleares. “Estamos aguardando o Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, que deverá definir quantas usinas nucleares estão previstas para o futuro. Já temos alguns sítios potenciais e continuamos prospectando outros”, concluiu.

Em que fase estão as discussões internas sobre o modelo de negócio de Angra 3?

A empresa contratou no final do ano passado uma consultoria americana, a Alvarez & Marsal. O trabalho inicial dela foi o desenvolvimento e o estudo de um modelo de negócio mais viável. Esse trabalho foi feito em conjunto com um escritório de advocacia, que realizou uma consultoria jurídica. Em função disso, chegou a se a alguns modelos que serão propostos ao mercado. A ideia então é buscar um parceiro que possa aportar capital e tecnologia para conclusão de Angra 3.

Existe uma previsão de quando esses modelos serão apresentados ao mercado?

A ideia da Eletronuclear é conduzir um processo transparente de chamada pública para selecionar este parceiro. Então, vai ser elaborado um edital para essa chamada. E será no momento de abertura dessa chamada que o modelo será apresentado. 

Uma das metas da Eletronuclear é fazer a assinatura do contrato com um parceiro ainda em 2019. Isso ainda é possível?

Ainda é possível sim. O tempo é bastante justo, mas é possível. Se esse processo de seleção ocorrer ao longo desse ano, toda a discussão contratual pode acontecer no ano que vem. Então, é possível sim.

Uma das pendências que precisam ser resolvidas para a retomada de Angra 3 é a revisão do valor da tarifa. Como está a discussão sobre isso?

A Eletronuclear juntou o Ministério de Minas e Energia e a própria holding Eletrobrás no sentido de realizar esse reajuste. Existe um entendimento e se busca a melhor forma de se fazer isso, com a melhor forma jurídica. Esse é um ponto fundamental, porque é a tarifa que vai garantir a atratividade do empreendimento para o investidor privado e permitirá que a Eletronuclear negocie suas dívidas com o BNDES e a Caixa.

Qual seria o modelo de negócio ideal para a Eletronuclear?

Ainda não podemos detalhar isso, porque [os modelos que estão sendo estudados] ainda precisam da validação da Eletrobrás. Mas a ideia é que venha um parceiro privado com efetiva capacidade tecnológica e que faça o gerenciamento de obras para a realização do projeto.

A partir de agora, quais são os próximos passos da Eletronuclear?

Esse documento [desenvolvido pela Alvarez & Marsal] vai ser discutido internamente dentro da Eletrobrás. Se houver consenso, ele seria encaminhado ao Ministério de Minas e Energia para apreciação e também ao CNPE, se for o caso.

A partir do momento em que for aprovado, a retomada das obras fica mais viável, correto?

Sim, porque com esse modelo e a tarifa revista, nós caminhamos bastante para discutir a retomada das obras. São os dois pontos principais. Sem tarifa, não se consegue nada.

Embora o foco atual ainda é Angra 3, o senhor pode nos contar um pouco também como está o debate sobre novas usinas nucleares no Brasil?

Esse trabalho foi parado em função da situação de Angra 3. Mas sempre temos em perspectiva  a busca de novos locais para futuras usinas. Estamos aguardando o Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, que deverá definir quantas usinas nucleares estão previstas para o futuro. Já temos alguns sítios potenciais e continuamos prospectando outros, no sentido de pode atender essa demanda e definição de avanço do programa nuclear brasileiro. A Eletronuclear já identificou 40 regiões que poderiam tecnicamente acolher usinas nucleares. Em função disso, olhamos com mais atenção para alguns sítios na região Sudeste e Nordeste. 

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