DESCOMISSIONAMENTO VAI REAQUECER O MERCADO DE PETRÓLEO DE MACAÉ

brazAs últimas rodadas de leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) proporcionaram à Bacia de Campos, fortemente afetada pela queda na produção e sem oferta de novas áreas há dez anos, o seu momento de renascimento, o que deverá afetar frontalmente o hoje desaquecido mercado de suporte a exploração e produção de petróleo, basicamente operado na cidade de Macaé, no Norte Fluminense. Com a experiência de 20 anos de atuação neste mercado, sem contar uma carreira sólida de mais de 40 anos na engenharia, o executivo de óleo e gás, Sebastião Braz, detalha suas expectativas e percepções sobre este novo momento da Bacia de Campos.

– Como entender esse momento? Podemos realmente falar em retomada?

Na verdade o que se vê é uma adequação a novas demandas. O amadurecimento dos campos já explorados e o eminente descomissionamento de algumas unidades, por si só, demandam uma readaptação de mercado para as empresas prestadoras de serviço e fornecedores em geral, porém o excelente resultado dos dois últimos leilões traz sim, sem dúvidas, esse ar de retomada no mercado de apoio offshore

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– Essas demandas então não lhe parecem conflitantes?

De forma nenhuma. Na verdade o que se apresenta no cenário atual é a necessidade de adequação do mercado fornecedor. Existe sinergia entre as atividades. O que se pontua como diferença e imprime como realidade é que no apoio a E&P, a curva de aprendizado já foi completada e efetivamente precisamos retomar as atividades. Já no desmantelamento há ainda um enorme espaço para aprendizado, mas sem renunciar ao que já conhecemos. O apoio logístico, o suporte em construção e montagem, coleta e gerenciamento de resíduos, entre outras, são atividades comuns a essas duas fases tão distintas do processo.

– E as empresas estão preparadas para isso?

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Podemos dizer que em parte. Como já dito, o processo de apoio a operação já é conhecido. Ocorre que com a recente desmobilização de parte desse mercado e ainda os efeitos sentidos pela Operação Lava Jato pulverizaram o mercado. Quando se fala nessa retomada, certamente falamos em novos atores para um cenário modificado. Já percebemos claramente um movimento de chegada de novas empresas, o interesse de outras empresas já tradicionais no mercado de engenharia, mas que nunca se interessaram diretamente no óleo e gás e ainda há o crescimento de empresas de menor porte que orbitavam nas outrora grandes empresas, hoje impedidas de contratar com a Petrobras, enfim, há um mercado não novo, mas modificado e com a incorporação de novos atores.



– Então essas novas empresas precisam “entender” esse mercado?

– Isso não prejudicaria as operações.

Sim, há necessidade de entender o cenário modificado, mas absolutamente haverá prejuízo. A Bacia de Campos tem características muito peculiares, principalmente esse mercado de apoio de E&P. Uma característica marcante é a essência das operações que tem um veio logístico muito forte que em muitas vezes sobrepõe até a própria engenharia. Outra particularidade é que, via de regra, os contratos celebrados nesse mercado carecem de profissionais já familiarizados e engajados nesse novo modelo dada sua singularidade. Ao mesmo tempo, esses mesmos profissionais costumam permanecer militando no mercado digamos “local”, ou seja, há sim, como já falado espaço para aprendizado, mas também entendo ser estratégico, para quem esta chegando, buscar esse know-how que, senão perdido, está hoje bem pulverizado.

– E a cidade de Macaé?  Está preparada para a retomada?

Também há a necessidade de adaptação. O chamado “custo Macaé” precisa ser revisto em vários aspectos. Hoje, temos uma influência significativa da cidade de Campos, por conta do Porto do Açú e das cidades circunvizinhas que criaram Zonas Especiais de Negócios próprias. Nesse contexto, toda a região carece de realmente se adaptar a essa nova situação, principalmente em sua competitividade comercial. Há a necessidade de uma ruptura de valores e da cultura local, pois deve se ter claro em mente que é uma retomada, mas não vislumbro que não veremos o mesmo mercado de cinco, seis anos atrás, mas ao mesmo tempo não há, definitivamente, um outro local tão bem preparado e com tanta qualidade técnica como a região de Macaé e não podemos abrir mão disso.



– Não aderir ao REPETRO prejudica a retomada?

Está sendo discutido, neste momento, na Casa Legislativa Fluminense, uma importante questão de aderir ou não a renovação do Repetro. Considero que não renovar, por mais 20 anos ao Repetro, como já fizeram São Paulo e Espírito Santo, que já aderiram integralmente, poderá dificultar a retomada do parque industrial do estado, com destaque o naval, como estamos tratando aqui.

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Oceaneering está admitindo pilotos estagiários em ROVdeco bambaRaul Cruz Recent comment authors
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Raul Cruz
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Raul Cruz

Parabéns pela sua abalizada opinião. Torçamos pela adesão ao Repetro. E pelo aproveitamento da nossa mão de obra com experiência.

deco bamba
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deco bamba

Tocou em ponto nefrálgico que é a falta de um porto logístico em Macaé. Pode gerar emprego em certo momento mas não permanente.Por exemplo saem 5 unidades e entra 2 unidades, logo haverá uma queda de emprego devido a falta de 3 unidades. A tendência de “revamps” é queda de emprego no final do empreendimento.

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