FIRJAN PROPÕE APRIMORAMENTO DE CONTEÚDO LOCAL E MAPEIA NOVAS OPORTUNIDADES NO SETOR DE DEFESA

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

OTC Brasil 2017 - Karine Fragoso, geral de petróleo, gás e naval da FIRJAN

Recentemente, o consórcio formado pelas empresas Damen Shipyards, SAAB e Wilson Sons anunciou, durante um evento na Firjan, que busca fornecedores brasileiros para montar uma proposta para a licitação das corvetas Classe Tamandaré, da Marinha. A notícia trouxe um pouco de ânimo para a cadeia nacional, que caminha com dificuldade num cenário de poucas oportunidades. Passado já um tempo, a federação confirma que existe muita expectativa em torno do projeto e que a proposta para a Marinha deve ser feita em junho. Enquanto isso, no setor de óleo e gás, a Firjan avalia que a política de conteúdo local passou por modernizações, mas aponta que ainda é preciso fazer alguns ajustes. “Avançamos em alguns pontos, mas precisamos também evoluir em outros. Por exemplo, na construção de uma métrica para concessão de conteúdo local incentivado e também para o estímulo de conteúdo local exportável”, explica a a gerente de Petróleo, Gás e Naval da federação, Karine Fragoso.

O que a Firjan tem percebido de movimentação após o evento do consórcio que planeja construir as corvetas?

Existe muita expectativa ainda, mas não temos resultados. A previsão é de que em meados de junho haverá o recebimento de propostas. As empresas fornecedoras receberam a notícia com muita expectativa. Estamos ainda em um cenário de baixa demanda. Então, todas as companhias ficam com muita expectativa quando há qualquer demanda.

E como a Firjan avalia as possibilidade de novos negócios para atender as demandas do setor de defesa?

Nós estamos acompanhando esse potencial mercado há algum tempo. Aqui na Firjan, fizemos um evento no ano passado para falar da possibilidade de contratações pela Marinha do Brasil. Ainda temos expectativas [em relação a este setor]. Na verdade, o fornecimento [para o mercado de defesa] não está tangível ainda.

Com relação ao ambiente naval, temos procurado nos abastecer de informações sobre alguns mercados distintos, não só o de construção, mas também de modernização, ampliação, manutenção, apoio marítimo e, dentro deste escopo também, o mercado de defesa.

Falando agora sobre o mercado de óleo e gás, qual a sua visão a respeito das mudanças no setor?

Eu acredito que nós estamos iniciando uma modernização da ferramenta de conteúdo local. Avançamos em alguns pontos, mas precisamos também evoluir em outros. Por exemplo, na construção de uma métrica para concessão de conteúdo local incentivado e também para o estímulo de conteúdo local exportável. Isso, agregado aos índices compromissados nos contratos de concessão, nos daria uma dimensão de um conteúdo local possível de ser alcançado, com maior participação da indústria nacional. Seja ela a de bens e equipamentos e de prestadores e serviços. A visão é que a gente possa alcançar metas de conteúdo local com ferramentas adequadas.

O que tínhamos no passado era uma ferramenta de conteúdo local dentro do contrato de concessão e uma outra ferramenta separada – e muitas das vezes contraditória – que era o processo de conteúdo local no Repetro. O que já percebemos é um melhor alinhamento entre essas ferramentas.

E o que ainda precisa evoluir dentro da política de conteúdo local?

Precisamos continuar caminhando para criar condições de aumentar o conteúdo local. Ou seja, além do compromisso das operadoras de contratação local por meio do contrato de concessão, ter também o estímulo para estas companhias pratiquem o conteúdo local, desenvolvendo tecnologias e empresas nacionais para fornecimentos futuros.

E também trabalhar com empresas nacionais para fornecimento [de produtos] para empreendimentos destas companhias fora do Brasil também. Nós já vimos casos de empresas nacionais que já exportaram e que podem no futuro alcançar um nível de escala que seja suficiente para concorrer com outras bases no fornecimento internacional.

Existe também uma discussão sobre o Repetro aqui no Rio de Janeiro. Como enxerga esta questão?

O Repetro está internalizado no Rio de Janeiro. Acreditamos que ele é uma ferramenta fundamental para operadores e fornecedores. O Rio, com principal produtor do país, precisa ser partícipe desta ferramenta para estimular o retorno das atividades. O esforço da Firjan tem sido o de aproximar as operadoras das fornecedoras. No âmbito do Repetro, temos os modelos antigo e novo em vigor, então vamos acompanhar a operacionalização deste novo modelo para entender como o mercado está aderindo a ele.

Quais são as dificuldades e gargalos que o setor precisa superar?

Tivemos um evento na semana passada sobre a necessidade de ter um horizonte para o processo de licenciamento ambiental. Isso é fundamental para as empresas. Temos uma preocupação com a celeridade do processo de licenciamento, com uma maior previsibilidade sobre os requisitos ambientais. É um tema que temos acompanhado.

Outro tema onde vamos concentrar esforços, especialmente agora no segundo semestre, diz respeito aos recursos da cláusula de pesquisa e desenvolvimento. A ideia é identificar como podemos trabalhar para incentivar o uso dos recursos para produção de inovação. Entendemos que o processo, como um todo, tem que ser visto com um aspecto macro. Os projetos precisam dar resultado ao final, com um produto testado, certificado e à disposição do mercado. Vamos dedicar mais tempo para analisar as questões de regulamentação e trazer esse debate sobre o uso dos recursos dessa cláusula para que as empresas retomem seus investimentos para desenvolvimento de tecnologia.

Quais serão os próximos passos da Firjan, a partir de agora?

A Firjan estruturou seu atendimento a partir de alguns documentos produzidos por nós. Anualmente, fazemos um anuário de petróleo. Na edição deste ano, inclusive, estamos trabalhando com mais instituições para a elaboração dele. Temos também um documento específico para o mercado de gás, que é outra área importante. Existe outro estudo sobre a área naval, com a visão do setor, que deve ser lançado em agosto. E um quarto estudo, que foi iniciado no ano passado, sobre o ambiente onshore.

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Conteúdo Local nós só teremos quando saírem do poder o Serra (articulador principal), Temer, Sarney, FHC e Cia. Pesquisem no Wikileaks e irão ver que a venda do nosso pré-sal, relaxando as regras de Conteúdo Local entre outras, já estavam sendo conversadas com empresas estrangeiras. Um país sem obras não desenvolve e quem disse que o governo quer nos dar emprego e desenvolvimento? Queriam o dinheiro da venda!