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PETROBRÁS PAGOU R$ 2 BILHÕES PARA BANCO DE SÓCIO DE PEDRO PARENTE MAS ESTATAL NEGA IRREGULARIDADES

parente fotoComo se já não bastasse todo o clima quente no Brasil por conta das manifestações dos caminhoneiros, que já chegaram ao seu 7º dia, uma nova polêmica acaba de envolver o presidente da Petrobrás, Pedro Parente. Em maio, a estatal anunciou que fez um pagamento antecipado de um financiamento de US$ 600 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões) para o banco J.P. Morgan, presidido pelo executivo José Berenguer. O problema estaria no fato de que o banqueiro e Parente serem sócios numa empresa chamada Viedma. Uma ligação que gera suspeitas em muitos, mas a estatal alega que não há irregularidades nela.

A informação sobre o elo de Parente e Berenguer foi revelada pela revista Crusoé neste final de semana. Procurada pelo Petronotícias, a Petrobrás confirmou neste domingo (27) que o presidente da Petrobrás é titular de participação minoritária na empresa Viedma, que constituiu um veículo de investimentos chamado Kenaz Participações, no qual José Berenguer também é sócio. Mas, segundo a estatal, o banco JP Morgan não participa da Viedma ou da Kenaz. “O simples fato de o Sr. Pedro Parente e o Sr. José Berenguer participarem minoritariamente de veículo de investimento gerido por terceiros não constitui conflito de interesses”, explicou.

Presidente do Banco J.P. Morgan no Brasil, José Berenguer

Presidente do Banco J.P. Morgan no Brasil, José Berenguer

A dívida da Petrobrás com o J.P. Morgan venceria apenas em setembro de 2022. E tem sido uma prática relativamente comum na gestão de Parente realizar pagamentos antecipados, tanto quando se trata de empréstimos, como em questões judiciais. Para lembrar, a estatal decidiu pagar uma multa de US$ 2,95 bilhões para investidores estrangeiros, com temor de perder uma ação nos Estados Unidos.

Toda essa situação pega o Presidente da Petrobrás, que antes da crise dos caminhoneiros parecia forte, quando chegou a declarar que “o governo não se envolve na política da Petrobrás e a Petrobrás não se envolve na política do governo”, e agora está pagando pela arrogância. Muito da crise que o país está passando, como o Petronotícias sempre alertou, está fundamentalmente calçada na política de reajustes diários dos combustíveis, o que causou uma desordem absoluta no mercado, no varejo da venda de combustíveis, que entornou o caldo. Agora há uma expectativa que, desautorizado pelo governo, possa até pedir demissão do cargo. Era uma condição imposta ao Presidente Temer que só aceitaria estar na presidência da estatal se não houvesse interferência. Mas, efetivamente houve. E Isso pode significar, como se diz no popular, que Parente subiu no telhado, o que certamente não   será problema para ele. A BRF o espera. Ninguém acusa Pedro Parente de desonestidade mas, nesses caso, até por conhecer, ser amigo e sócio de um interessado, antecipar um pagamento desse valor em quatro anos, é dar um mergulho na ética que tanto defende.

Mas, voltando a falar do caso da J.P. Morgan, a petroleira defende a atitude de pagar antecipadamente o empréstimo. “O pré-pagamento realizado pela Petrobrás ao banco JP Morgan implicou um ganho de R$ 74,39 milhões (US$ 20,27 milhões) para a companhia”, informou. “Todas essas operações, inclusive a acima citada, foram analisadas pela área técnica da diretoria de Finanças da Petrobrás e aprovadas pela diretoria executiva sem quaisquer modificações, pois regras de governança da Petrobrás não permitem que decisões dessa natureza sejam tomadas isoladamente por nenhum de seus executivos”, acrescentou a companhia.

Leia abaixo a nota da Petrobrás na íntegra:

“O pré-pagamento realizado pela Petrobras ao banco JP Morgan implicou um ganho de R$ 74,39 milhões (US$ 20,27 milhões) para a companhia. No caso específico, a taxa original do empréstimo era de Libor de seis meses mais 2,50% ao ano, enquanto na data do pagamento antecipado a companhia captava por Libor de seis meses mais 2% ao ano para prazo equivalente, gerando resultado positivo para a Petrobras. Essa operação foi devidamente divulgada em Comunicado ao Mercado de 11/05/2018 e tinha previsão contratual específica.

Faz parte da política de gerenciamento da dívida da Petrobras, considerando a meta de desalavancagem de seu Plano de Negócios e Gestão 2018-2022, o pré-pagamento de operações com taxas mais elevadas e sua substituição por captações com taxas mais atrativas, tendo sido realizadas 55 operações dessa natureza nos anos de 2017 e 2018 no volume total de US$ 28,9 bilhões e que envolveram outras 24 instituições financeiras.

Todas essas operações, inclusive a acima citada, foram analisadas pela área técnica da diretoria de Finanças da Petrobras e aprovadas pela diretoria executiva sem quaisquer modificações, pois regras de governança da Petrobras não permitem que decisões dessa natureza sejam tomadas isoladamente por nenhum de seus executivos.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, é titular de participação minoritária na empresa Viedma, que constituiu um veículo de investimentos chamado Kenaz Participações, no qual o senhor José Berenguer também é sócio. O JP Morgan não participa da Viedma ou da Kenaz.

O simples fato de o Sr. Pedro Parente e o Sr. José Berenguer participarem minoritariamente de veículo de investimento gerido por terceiros não constitui conflito de interesses.

A decisão pela rolagem da dívida mencionada foi tomada pela administração no exclusivo interesse da Petrobras, acarretando benefícios concretos para a companhia, conforme a melhor prática de gestão financeira, cujo mérito não pode ser questionado por insinuações superficiais.”

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Sorley CostaRicardo BriãoLuciano Seixas ChagasSergio MalegroPedro Pacheco Recent comment authors
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Pedro Pacheco
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Pedro Pacheco

Que matéria barata, com título espalhafatoso e tendencioso para atrair acessos. Pelo bem dos leitores, vou perder meu tempo escrevendo isso aqui. 1) A Petrobras (sem acento, por sinal) não “pagou” US$ 2 bilhões. A empresa devolveu o empréstimo. que aliás foi contraído junto ao J.P. Morgan, um banco de atuação mundial. 2) O banco não pertence ao sócio de Pedro Parente. Como mencionado, é um dos maiores bancos do mundo. Ou “seje”, o pagamento de 2 bilhões de dólares jamais beneficiaria Pedro Parente ou seu sócio. 3) Dentro do próprio texto a empresa explica que o pagamento antecipado da… Read more »

Manuel Freitas
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Manuel Freitas

Parabéns Sr.Pedro é preciso denunciar,com argumentos irrefutáveis, as noticias tendenciosas.

Ricardo Brião
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Ricardo Brião

Me responda então, por gentileza, Sr. Pedro Pacheco, quais os critérios utilizados para a Petrobrás pedir empréstimo a um banco norte americano, cujo presidente no Brasil é amigo e sócio de Pedro Parente?

Luciano Seixas Chagas
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Luciano Seixas Chagas

O problema reside na falta de informações ou nas divulgações de informações da gestão pullenparentiana e do seu imenso séquito. A principal função de uma gerencia financeira, relativa às dívidas, quando elas são de longo prazo e juros altos, é renegociá-las com taxas mais baixas e prazos mais longos o que significa, em última análise, reduzir as taxas de desconto dos projetos (todos) da companhia. Não sei se a antecipação de pagamentos dos R$ 2,2 bilhões anunciados foi boa ou danosa para a empresa, pois não conheço integralmente as bases das negociações e, como todos sabem, prazos mais longos implicam… Read more »

Sergio Malegro
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Sergio Malegro

Curiosos esses dois comentários. Para quem preza tanto a ética, antecipar o pagamento em quatro anos de uma dívida neste valor ( R$ 2 bilhões) para um sócio é no mínimo suspeito. Vocês não conseguem ver isso ? Hoje a petrobrás deve bilhões a empresas fornecedoras e não paga. atrasa pagamentos, dificulta a vida de diversas empresários. Não vi ninguem levantar para defender essas empresas. Muitas delas faliram ou estão em Recuperação judicial. Isso é ético ? Isso é coreto ? Não se trata aqui de desonestidade. Acho que a reportagem foi bem precisa. É um fato, não é fake… Read more »

Pedro Pacheco
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Pedro Pacheco

Sérgio, o pagamento não é para um sócio, é para o J.P. Morgan, um banco de atuação mundial.

Falar que o banco é do sócio do Parente é contar meias verdades.

Eu não entendo o suficiente dos processos de pagamentos de dívidas da Petrobras a ponto de opinar se foi uma decisão acertada ou não.

No entanto, a forma como a informação é exposta na matéria, principalmente no título, é extremamente tendenciosa sim, e essa foi minha reclamação no comentário anterior.

Um título mais razoável poderia ser “Petrobras adianta pagamento de dívida de R$2 bilhões para J.P. Morgan”.

Título direto, informativo e isento.

Luciano Seixas Chagas
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Luciano Seixas Chagas

Segundo as regras da grafia a Petrobrás como a Eletrobrás deveriam ser acentuadas. A primeira não é e a segunda sim, pelo simples fato do registro assim comportar. Regras absurdas do MERCADO que impingem regras de registro maiores que as da língua de Camões e de brasileiros subservientes, que preferem ser papagaios ao invés de pesquisadores. Dá trabalho buscar a verdade.

Pedro Pacheco
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Pedro Pacheco

Caro Luciano, nome de empresa é nome próprio, ou seja, as regras da gramática não se aplicam.

Portanto o nome correto é “Petrobras” sem acento.

Luciano Seixas Chagas
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Luciano Seixas Chagas

Caro Pedro,
Se aplica sim, para todos os acrônimos incluindo a Petrobrás. Isso no bom português.

Luciano Seixas Chagas
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Luciano Seixas Chagas

Ser o CEO da Petrobras e o presidente do CA da BRF pode até ser legal. Pergunto? Isso é ético do “ethos” , ou hábito? E ser sócio de outros empreendimentos que se beneficiam direta ou indiretamente de suas atitudes? Tempos estranhos onde o usos dos conceitos são úteis apenas quando nos servem ou se adequam as nossas conveniências. Como diz o Yuval Noah Harari no livro “Sapiens” o mundo é desigual e as pessoas também, principalmente na religião vencedora chamada “Capitalismo” e o seu filhote favorito, e igualmente ímpar e desigual, denominado “Mercado”. Também vencerá o “Homo Deus” igualmente… Read more »

Sergio Malegro
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Sergio Malegro

Caro senhor Pedro, Me desculpe. Mas é uma questão ética. Não me pareceu uma matéria tendenciosa, mas informativa. Qual o problema. Este site que acompanho há tempos, elogia o Parente quando ele merece elogios e critica quando ele merece crítica. Neste caso, senso amigo, sócio, ele teria que ter mais cuidado. A reportagem não chama de desonesto, mas que ele escorregou na ética, escorregou. E por tanto cobrar, deveria ser o primeiro a zelar. Apenas trata do assunto. E ele é tão verdadeiro quanto a sua carta. A propria Petrobrás justificou a ação da empresa. Não achei leviano o site.… Read more »

Sorley Costa
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Sorley Costa

Gostaria de saber qual a fonte das informações e qual jornalista assina a matéria.