ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO VEÍCULO ELÉTRICO PREVÊ AUMENTO ANUAL DE 200% DA FROTA CASO IMPOSTOS SEJAM REDUZIDOS

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

ABVE-Ricardo Guggisberg Foto1-ABVEO futuro da mobilidade no mundo deve passar necessariamente pelos veículos elétricos (VEs), especialmente porque os países buscam alternativas mais limpas e ambientalmente amigáveis. Globalmente falando, as estimativas indicam que a participação dos VEs nas vendas totais de automóveis novos em todo o mundo chegará a 55% em 2040, de acordo com o Bloomberg New Energy Finance. No Brasil, entidades do setor já se movimentam para destravar o crescimento da frota deste tipo de automóvel. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) já contabilizou 1.260 carros elétricos e híbridos licenciados de janeiro a abril deste ano. Se manter esse ritmo, o país poderá superar o recorde registrado em 2017, com 3.296 unidades. Contudo, o presidente da ABVE, Ricardo Guggisberg, explica que é preciso uma redução de impostos para estimular o aumento da frota. “Se o Brasil aliviar os tributos, teremos um aumento de 200% ao ano na frota brasileira”, afirmou. O executivo também explica que a matriz de geração nacional tem atualmente condição de atender o crescimento do consumo de eletricidade por conta dos VEs, mas quando esses veículos passarem da marca de 6 milhões de unidades, será preciso começar a pensar em aumentar a produção energética.

Como avalia o momento atual do setor de veículos elétricos no Brasil?

É um momento extremamente de transição, onde o mercado pressiona o governo para diminuição da carga tributária do IPI de 25% (elétricos puros) e 13% (híbridos) para 7%, no âmbito do novo regime automotivo Rota 2030. A partir dessa diminuição, o mercado vai começar a fluir, independentemente de tudo.

Quais são as expectativas de crescimento da frota?

Toda essa perspectiva está atrelada ao custo dos veículos, que são atrelados aos altos impostos. Se o Brasil aliviar os tributos, teremos um aumento de 200% ao ano na frota brasileira. O custo de aquisição ainda é o principal desafio. Os veículos elétricos estão acima de R$ 180 mil.

Dependemos bastante da definição da Rota 2030 para que tenhamos uma previsibilidade de crescimento de frota. Assim que tivermos o Rota 2030 decretado, com uma regulação de mercado adequada para os veículos elétricos, poderemos prever melhor o crescimento.

Em que nível está a produção brasileira de veículos elétricos?

O Brasil tem uma posição bem favorável, porque já produz veículos de todos os tipos e modelos. Então, o país já produz parte de seus veículos. A grande questão é quando estaremos produzindo a tecnologia elétrica. Eu acho que isso é uma questão de demanda. Assim que o Brasil adquirir a demanda necessária de produção, passará a produzir veículos elétricos. É uma transição natural.

Com o aumento da frota de VEs, qual será a necessidade de expansão de geração de energia?

Na realidade, a geração de energia no Brasil já cresce por meio de instalação de fazendas solares, de usinas eólicas, de nova geração de energia hidrelétrica e de cogeração a partir do etanol. A partir de um estudo feito, somente a partir de uma frota de 6 milhões de veículos que nós teremos que mexer na nossa planta [de geração nacional]. Esse cálculo foi feito em 2016. Mas nós já perdemos muita entrega de energia [aos consumidores] por causa da recessão. Então, com certeza, não vamos sofrer falta de energia por conta de veículos elétricos, principalmente porque eles serão abastecidos à noite.

Como o senhor avalia a dependência da logística brasileira em relação aos caminhões movidos a diesel?

É um mal planejamento. Hoje em dia, entendemos o quanto somos dependentes do diesel e do transporte rodoviário, mas não deveríamos ser. Essa dependência teria de ser dividida entre o transporte rodoviário, ferrovias, transporte fluvial e aviação. A concentração de 66% no transporte rodoviário faz com que o país dependa dessa classe para fazer a nação rodar. Precisamos descentralizar esse modelo.

Quais serão os próximos passos da associação a partir de agora?

A associação trabalha politicamente em propostas de desenvolvimento e proliferação do uso de veículos elétricos no Brasil. Atuamos nos governos municipais, estaduais e federal. As propostas que apresentamos são para a criação de programas de incentivos para o crescimento deste tipo de transporte no país, que beneficiará o meio ambiente.

Foi criada a Frente Parlamentar Mista da Eletromobilidade, onde vamos poder discutir nacionalmente as propostas de desenvolvimento do setor. No dia 4 de julho, teremos a primeira audiência pública dessa frente, liderada pelo deputado Marcelo Mattos.

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Sugiro avaliar conceder incentivos através da redução de alíquotas de IPI e ICMS para auto-produtores, ou seja, o CPF que comprovar microgeração de energia elétrica em seu nome, com potência instalada compatível com o consumo doméstico+veicular, obterá os benefícios fiscais na aquisição do carro elétrico. Idem para o CNPJ. Isto estimulará a geração distribuída, dará maior segurança energética, pode desobrigar investimentos públicos e/ou privados para atender a demanda dos carros elétricos, além de tornar a mobilidade usando caros elétricos mais competitiva, com impactos positivos na economia do País.