WILSON SONS ESTALEIROS ENTREGA NAVIO REBOCADOR E FABRICA OUTRAS DUAS EMBARCAÇÕES COM MAIOR POTÊNCIA

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) – 

Adalberto de SouzaO setor naval brasileiro ainda vive tempos difíceis, mas as empresas nacionais não se rendem à crise que tanto assola o segmento. A despeito das dificuldades, alguns novos contratos e projetos vão surgindo em diferentes camadas dessa indústria. O mercado de rebocadores, por exemplo, tem rendido negócios à Wilson Sons Estaleiros, que acaba de entregar o seu terceiro navio do tipo para a SAAM SMIT Towage Brasil. A quarta e última unidade deste contrato será finalizada daqui a alguns meses. “A embarcação está no dique, estamos com o processo bem adiantado. Não vemos risco de deixar de entregar dentro do nosso prazo, até novembro”, afirmou o diretor executivo da Wilson Sons Estaleiros, Adalberto Souza. O executivo também detalha que a empresa está trabalhando em outros dois rebocadores que serão os mais potentes em termos tração estática no Brasil. Para o setor de óleo e gás, Souza ainda não vê uma melhora no ambiente e negócios no curto prazo, e espera um reaquecimento de mercado apenas daqui a cinco anos. O foco hoje, nesse segmento, tem sido a realização de adaptações. “Todos sabem que existe uma frota muito grande de PSVs (navio de apoio à plataforma) no Brasil e no mundo. Estamos [trabalhando em] adaptações neste tipo de embarcação”, explicou.

Qual a importância da entrega deste novo rebocador para a empresa, em tempos de crise no setor naval?

Com certeza é de suma importância para nós. Primeiro, para nos manter em atividade. Em segundo, nessa fase de crise, quando um armador confia em nosso estaleiro, é um sinal muito positivo. Fazer entregas no prazo é nossa característica. Isso é um ponto de vantagem para nossa empresa. Então, [o SAAM SMIT Towage Brasil] é um armador muito forte que confiou em nós.

Quando que a próxima embarcação será entregue?

A próxima, e última, entrega será daqui a 4 meses, aproximadamente. A embarcação está no dique, estamos com o processo bem adiantado. Não vemos risco de deixar de entregar dentro do nosso prazo, até novembro.

Em quais outros projetos a companhia está trabalhando?

Nós temos mais dois rebocadores, que têm uma característica interessante: serão um dos mais potentes em termos de Bollard Pull (tração estática) em operação. O Bollard Pull desses navios será de mais de 80 toneladas. Então, com certeza, será um dos maiores rebocadores fabricados e entregues aqui no Brasil. Este projeto tem outro diferencial, ele tem um guincho que auxilia e dá mais segurança em manobras de grandes navios.

Gostaria que comentasse a expectativa com a licitação das corvetas para a Marinha do Brasil.

O consórcio é formado pela Damen e Saab. Nós somos empresa parceria na construção. A perspectiva é muito grande por alguns pontos positivos. A Damen é uma projetista consagrada de embarcações militares. Outro ponto positivo é a longa parceria estabelecida entre nós. Somos parceiros há mais de 20 anos. Então, por conta desse longo relacionamento, as duas empresas se conhecem muito bem, fazendo com que o projeto flua mais rápido. 

Quais são as perspectivas para o setor de óleo e gás?

A nossa perspectiva para o mercado de óleo e gás não é, infelizmente, a médio prazo. Essas licitações estão indo ao mercado, mas existe todo um projeto de preparação por parte das companhias. Então, pela minha experiência, daqui a cinco anos vai começar a aparecer alguma coisa para estes mercados. O que temos hoje em dia são [serviços de] adaptações. Todos sabem que existe uma frota muito grande de PSVs (navio de apoio à plataforma) no Brasil e no mundo. Estamos [trabalhando em] adaptações neste tipo de embarcação.  O que nós acreditamos é que essas modificações vão nos ajudar, não em construção, mas em termos de manutenção e adequação à nova realidade. 

E qual o planejamento estratégico para o futuro?

Em termos de estaleiros, vemos que o mercado de rebocagem é sempre ativo. Ele não terá um boom enorme de embarcações, mas é um setor que está sempre se atualizando. Os navios estão crescendo, então vamos precisar de rebocadores mais possantes. Além disso, daqui a pouco, vai começar uma nova geração de rebocadores híbridos. Existe uma resolução da IMO (Organização Marítima Internacional), que ainda não está em vigor, que pretende reduzir as emissões até 2050. Assim como acontece com os carros, as embarcações rebocadoras híbridas também estão vindo por aí. 

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