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SIEMENS DESEJA AMPLIAR SUA CAPACIDADE INDUSTRIAL PARA ATENDER AO OFFSHORE BRASILEIRO

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

O CEO da Siemens no Brasil, André Clark

O CEO da Siemens no Brasil, André Clark

A despeito das dificuldades que a economia brasileira ainda enfrenta, as perspectivas de novos negócios são bastante positivas. E muito deste otimismo está baseado no offshore brasileiro, com as oportunidades abertas pelo pré-sal. A multinacional Siemens está apostando no potencial deste mercado. O CEO brasileiro da empresa, André Clark, revelou o desejo de ampliar a capacidade industrial da companhia no setor offshore nacional. “Se nós, eventualmente, ganharmos projetos dessa área de offshore… Com o Repetro, uma parte grande de equipamentos será feita no Brasil. Isso significa reativar uma capacidade industrial já existente e, eventualmente, até ampliar“.

O executivo explicou que, para atuar dentro da área de offshore, a Siemens tem uma fábrica localizada em Santa Bárbara (SP) e outra no bairro de Santa Cruz, na cidade do Rio de Janeiro. Hoje, as unidades estão ativas, mas com a capacidade de produção reduzida e trabalhando com serviços de manutenções. Nessas plantas, a empresa pode fabricar turbinas, compressores e outros equipamentos offshore.

Cabe lembrar que a Siemens já deu outras sinalizações importantes para o país este ano, no sentido de deixar seu claro interesse em investir no mercado nacional. O CEO global do conglomerado alemão, Joe Kaeser, afirmou, em recente visita a São Paulo, que a empresa pretende desembolsar 1 bilhão de euros nos próximos cinco anos no Brasil. “Se conseguimos acelerar mais, faremos isso [o investimento] em menor espaço de tempo. A Siemens tem planos arrojados para o país“, disse Clark.

O executivo ressaltou a importância do petróleo no curto prazo. “Aparentemente, existe uma janela importante de uso dessas reservas. Ninguém sabe exatamente como irá se comportar os preços do barril. A janela do petróleo no Brasil deve ser aproveitada o quanto antes, porque é uma riqueza. Se demoramos demais, corremos o risco de que essa riqueza fique lá embaixo, depreciada“.

fpso noiteEspecificamente sobre o pré-sal, Clark falou sobre uma característica da área – a grande quantidade de gás carbônico (CO2). E em tempos onde os governos e a sociedade de modo geral estão mais preocupados com a questão climática, a Siemens está apresentando uma solução para lidar com essa especificidade. A tecnologia, batizada de Echogen, consiste em turbinas onde são injetadas o gás carbônico que, aquecido, passa ao estado supercrítico. “Esse CO2 gera mais energia, que é usada para reinjetar este gás para dentro do poço“, explicou o executivo. “Na mesma turbina, você reinjeta gás com o CO2. O equipamento, ainda assim, funciona bem. Dessa forma, aquece o gás em estado supercrítico e gera uma segunda turbina. Quando o CO2 é resfriado, é jogado para baixo [para o poço]. Essas são tecnologias que, no pré-sal brasileiro, serão fundamentais“, acrescentou.

Mas a visão da Siemens também abrange o setor de energia como um todo no país, com atenção especial para o Rio de Janeiro, que na opinião de Clark é a “capital da transição energética” do Brasil. Para o diretor-executivo, isso ocorre porque grande parte dos reguladores e pensadores da comunidade da energia elétrica está na cidade. “Quando olhamos para o óleo e gás, é a mesma coisa. Os reguladores, os think tanks e a Petrobrás estão aqui. Há três anos atrás, o mundo do petróleo quase não falava com o setor elétrico. Era raríssimo. E esses mundos estão se encontrando de uma forma muito relevante. A começar pelos investimentos que estão acontecendo agora“, afirmou.

Quase todos os players que entraram no pré-sal têm ambições de utilities. Querem jogar o jogo da energia elétrica ou na conformação dessas duas coisas. Globalmente, os players como a Shell e a Total já se posicionam como provedores de energia, na forma que for. Isso virá para o Brasil. A própria Petrobrás começa a discutir sobre a transição energética“, avaliou.

A companhia trabalha com a hipótese de que essa transição possa gerar um impulso de crescimento no Brasil bastante interessante. No radar, estão duas “ondas”: a primeira seria o Repetro, que dará novo impulso à construção de equipamentos onshore e offshore. A onda número 2 é a disponibilidade de grande quantidade de fontes (eólica, solar, gás, biomassa, biogás). “Talvez, vejamos uma reindustrialização da região por conta desta disponibilidade energia. No longo prazo, é bastante alvissareiro. É para ser otimista“, vislumbrou Clark.

Um dos investimentos da empresa na área de energia está concentrado no estado do Rio de Janeiro, no Porto do Açu, em São João da Barra. “Foi um investimento estratégico, [afirmando] que acreditamos em energia. Apostamos em 2014 [no empreendimento]. Temos um terço de participação. O investimento é da ordem de 80 milhões de euros em cada térmica“. Para lembrar, a Siemens é parceria da Prumo e da BP na Gás Natural Açu (GNA), que hoje já está construindo a sua primeira termelétrica (GNA I) e recebeu recentemente autorização para implantação da segunda unidade (GNA II).

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