ABEMI VÊ CENÁRIO DE FUNDO DE POÇO NA CONTRATAÇÃO DE ENGENHEIROS E FARÁ MAPEAMENTO DE DESEMPREGO NO SETOR

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) – 

Nelson-RomanoEm virtude da crise que tanto afetou o país, muitos setores ainda estão à espera de uma retomada. O desemprego, que aflige milhões de brasileiros, também está sendo um problema sério na área de engenharia. Ciente deste quadro, a Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) está se movimentando para entender o tamanho real da crise de contratação no segmento. “Continuamos com um nível alarmante de desemprego de engenheiros”, afirmou o presidente da associação, Nelson Romano, que acrescentou ainda que “o fundo do poço chegou”. Por isso, a Abemi fará um levantamento para descobrir os números reais de desempregados na área de engenharia. Apesar deste cenário, as perspectivas são positivas no horizonte. “Há uma visão otimista em relação ao futuro. Achamos que as grandes questões da Petrobrás estão gerenciadas. A empresa está se recuperando bem. Há uma entrada de novas operadoras no Brasil”, ponderou. Neste sentido, Romano ainda afirmou que as companhias brasileiras de engenharia precisarão investir fortemente em competitividade para conquistar negócios com as empresas estrangeiras que estão chegando ao país.

Como o senhor enxerga as atuais discussões em torno do conteúdo local?

O conteúdo local, de uma forma geral, não teve um progresso da forma que esperávamos. Neste momento, pelo que entendo, o assunto ainda está em discussão em Brasília. Eu irei ao MDIC [Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços] para ver a questão dos créditos que serão gerados pela engenharia, em termos de conteúdo local. Queremos saber como isso será feito. Não existe, até onde eu sei, uma definição. No último encontro da Abimaq [Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos], em São Paulo, um representante do MDIC sugeriu que fôssemos a Brasília para discutir o assunto. 

Qual a importância de investimentos em refino para o setor de engenharia?

O Comperj está avançando e sem dúvida nenhuma vai gerar um reemprego significativo na região – não tanto em engenharia, mas em termos de contratação de mão de obra de execução . Inclusive, temos a expectativa de que com a volta da UPGN [Unidade de Processamento de Gás Natural], algumas outras unidades podem, eventualmente, voltar também. 

Em termos de refino, o governo sinalizou, durante a posse da nova diretoria da ANP, que poderia ser noticiada uma nova refinaria no Nordeste, mas isso não aconteceu. Não há nada de concreto, em termos de refino, acontecendo. O que podemos dizer é que o Brasil precisa aumentar sua capacidade de refino. Até 2022 e 2023, o nível de importação de derivados vai atingir um patamar bastante sensível. 

Com uma nova refinaria, a demanda de serviços de engenharia seria enorme. Mas, como se sabe, no onshore não existe a questão de conteúdo local. O que vai ser determinante é a competitividade e postura dos investidores. O que se comenta é que os investidores seriam, principalmente, os chineses. Então, a contratação da engenharia para o refino vai depender muito de quem for o investidor e da postura do governo em relação ao apoio ao empreendimento. Uma refinaria, em termos de mão de obra de engenharia, seria extremamente importante. Continuamos com um nível alarmante de desemprego de engenheiros. 

Existem números atualizados sobre o desemprego no setor de engenharia?

Ainda não, mas estamos contratando uma empresa para fazer um levantamento [sobre isso]. A dinâmica desses números nos últimos três anos tem sido tão grande que, hoje em dia, se perdeu um pouco a noção da realidade, dada a rapidez com que o desemprego ocorreu. Agora, nós vamos fazer um mapeamento para saber exatamente a situação real. Estamos fazendo isso porque acreditamos que, realmente, o fundo do poço chegou. Daqui para frente, ou estabiliza ou melhora. 

Apesar disso, as perspectivas para o futuro são positivas, em virtude da retomada do setor de óleo e gás?

Existe sim, inclusive foi um tema bastante discutido no nosso último conselho. Há uma visão otimista em relação ao futuro. Achamos que as grandes questões da Petrobrás estão gerenciadas. A empresa está se recuperando bem. Há uma entrada de novas operadoras no Brasil. O problema é que a maturação dos novos projetos offshore de exploração e produção é longa. Estes últimos leilões vão gerar resultados significativos para a engenharia lá para 2021 e 2022, talvez. Mas, a expectativa é positiva. Os leilões estão voltando. Haverá empreendimentos e espaço. O quanto os brasileiros vão conseguir ocupar, ainda é um ponto de interrogação. Teremos que vencer algumas barreiras que existem. Algumas empresas operadoras vão querer fazer o serviço de engenharia no exterior. Isso é uma luta contínua que vamos ter. 

Muito dessa luta também passa pela política de conteúdo local?

Passa sim. Mas, seguramente, isso será apenas uma das ferramentas. Acho que terá que haver também um trabalho de competitividade muito intenso. Temos que ser competitivos e voltar a fortalecer as empresas de engenharia no Brasil, já que grande parte delas está muito fragilizada. Tudo isso passa por uma recuperação global, inclusive das grandes empreiteiras brasileiras voltarem a atuar. Elas eram as grandes contratantes da engenharia brasileira. 

Muitas delas ainda estão impedidas de serem contratadas pela Petrobrás…

Mas vemos claramente que os problemas estão sendo superados. Então, muitas das empresas que já estão voltando a operar. O grande problemas delas é crédito, em virtude de tudo o que aconteceu. As companhias foram muito penalizadas. Mas, grande parte, está voltando a atuar. Quanto aos contratantes estrangeiros, precisamos conquistar espaço, porque elas costumam contratar os seus parceiros.

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Antonio D'Almeida
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Antonio D'Almeida

Enquanto FHC e Serra derem as cartas a Engenharia Brasileira só irá regredir. A intenção desse governo é vender o País e torná-lo mero fornecedor de comodities / agropecuária, enquanto apenas políticos enriquecem. Porque, a exemplo do que fez a Petrobras, não deixam apenas os concursados no Governo e acabam com milhões de cargos apadrinhados, comissionados, etc…? Porque empobrecem a classe média ao invés de cortar custos e benefícios? Tem dinheiro de sobra para investimento em obras e infraestrutura, que geram crescimento e emprego, o que não existe é um governo sem interesses com bom gerenciamento.

Bernardino
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Bernardino

Pela primeira vez vem a publico uma preocupação que muitos estão discutindo nas rodas de amigos. Nenhum instituto, nenhum politico, nenhuma nota na imprensa fala sobre o desemprego da classe de engenheiros, como na mão de obra da montagem eletromecânica. São milhões de desempregados, uma classe que mexe muito com a economia em todo país. A montagem eletromecânica que engloba e movimenta toda uma cadeia de mão de obra direta e indireta sempre esteve fora das discursões de preocupações. Estamos confiantes para novos investimentos que não esteja só dependência da Petrobras. Essa bola levantada pelo Petronotícias e ABEMI, deve se… Read more »

Luciano Seixas Chagas
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Luciano Seixas Chagas

É alarmante o número de desempregados na engenharia como um todo. Pior, os profissionais com excelente preparação, com CV’s de respeito, especializações, mestrados, doutorados e pós doutoramentos não encontram oportunidade dignas no mercado, no nosso Brasil varonil e, quando encontram uma, auferem em contrapartida, salários indignos e que garantem apenas o sustento mínimo das famílias nas necessidades mais essenciais ou sejam: estão sendo explorados propositadamente ou não pela empresas que sobreviveram, justo as que tinham maiores lastros ou aportes de capital alhures. Quais os principais motivos do desemprego na engenharia: 1- Com a decretação falaciosa da Petrobras quase quebrada, fake… Read more »

Luciano Seixas Chagas
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Luciano Seixas Chagas

Escrevi FIEB e O corretor insiste em mudar para FIEM. É FIEB

Imai Bravezan
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Imai Bravezan

Engraçado que quando mais se precisa do CREA/CONFEA eles se fingem de mortos.
Só querem receber as anuidades e manterem a vida mansa.