OCYAN TRAZ AO MERCADO MODELO DE RISER HÍBRIDO PARA CONQUISTAR NEGÓCIOS NO PRÉ-SAL E EXTERIOR

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) – 

MARCELOS MARQUES nunesCom a retomada do calendário de leilões do pré-sal, o ânimo das empresas da cadeia de óleo e gás se reacendeu. As companhias agora se preparam para ofertar diversos tipos de novas tecnologias para ajudar as operadoras a superarem os desafios tecnológicos impostos pela natureza. A Ocyan, por exemplo, fechou uma parceria com a Magma Global para oferecer ao mercado o CompRiser, um modelo de riser híbrido com foco em águas profundas e ultraprofundas. Uma das vantagens, de acordo com o diretor de subsea da Ocyan, Marcelo Nunes, é a resistência à corrosão. O executivo ainda detalha uma série de diferenciações que garantem redução de peso, tempo de instalação e custos. Nunes revela que a tecnologia está em processo de qualificação na Petrobrás e também fala do interesse em levar a solução a outros países. “Vamos sim atuar fora do Brasil, se houver oportunidade e interesse de terceiros“, afirmou.

O senhor poderia começar explicando as características gerais da tecnologia?

A tecnologia CompRiser é um sistema desacoplado. A estrutura, como um todo, se conecta à unidade de produção por meio de jumpers. Todo o peso [extra] que essa unidade recebe é só o do jumper. Ela não recebe o peso de duto da lâmina d’água, independente da profundidade. Essa é a característica principal do CompRiser. 

Quais são as suas principais diferenciações?

O que mudou neste projeto, com o sistema de torre convencional, é que trocamos os risers de aço carbono na extremidade pelo duto da Magma, que é de compósito. O duto boia e, por consequência, nos permitiu reduzir ou eliminar 100% das boias que adicionávamos para garantir a flutuabilidade desta estrutura. Toda a estrutura é construída em terra, depois rebocada na horizontal. Posteriormente, é verticalizada no ponto de instalação.

E quais são as inovações e suas implicações?

As grandes inovações são duas. A primeira é a adição de risers de compósito no lugar dos risers de carbono. Por consequência, garantindo vida útil compatível, em função da existência de CO2 e H2S. Garante também a flexibilidade para conexão com o flowline e, ao mesmo tempo, nos dando flutuabilidade. O segundo ponto de inovação é que este riser é mais flexível que o duto rígido, permitindo uma conexão direta com o flowline. Por isso, é possível eliminar dois conectores por riser, simplificando drasticamente o conceito. 

O pré-sal impõe enormes desafios no que diz respeito à corrosão provocada por CO2 e H2S. Essa tecnologia tem, então, boas perspectivas neste tipo de ambiente?

Esta tecnologia teve, como seu caminho principal, a aplicação em campos de águas profundas e ultraprofundas. Ou seja, o pré-sal. A utilização do duto da Magma, de compósito, vai em [direção de] combate ao CO2, H2S, além da questão da flutuabilidade. Essa estrutura foi pensada parar atuar nesse tipo de ambiente. Não esperamos competir com essa solução em águas rasas. 

Desde quando a empresa começou a apostar nessa solução?

A Ocyan já apostava nessa solução desde 2010, em projetos que bidamos sistema desacoplado. Todavia, naquela época, usávamos o aço carbono. De 2015 para cá, com a associação com a Magma e o desenvolvimento in-house que fizemos, a tecnologia foi ganhando forma e maturidade. Ela se concretizou como uma solução na qual a Ocyan acredita e que quer competir no mercado. 

O primeiro benefício para as operadoras é a resistência ao CO2 e H2S. Em segundo lugar, conseguimos uma série de reduções de custo, onde você tem um material extremamente nobre. O compósito é um produto nobre, muito nobre. Ele tem sua aplicação bastante objetiva. A tecnologia possibilita reduções de peso, de tempo de conexão, de carga no FPSO e de tempo de montagem do bundle*. É possível agora montar uma estrutura dessa em menos de trinta dias. 

Antes, esse período de montagem durava quanto tempo?

Mais de quatro meses, porque era necessário soldar toda a tubulação. 

Tendo em vista os novos leilões do pré-sal, quais são as perspectivas da empresa para esse mercado?

Hoje, a Ocyan junto com a Magma está pronta para competir. O duto está em processo de qualificação e é uma etapa que precisa ser cumprida. A Magma tem esse processo já em andamento com a Petrobrás. Estamos aguardando essa fase ser concluída para competirmos de igual para igual com as demais soluções [existentes no mercado]. Esperamos competir com as tecnologias rígidas e flexíveis, oferecendo uma solução alternativa. E, claro, vamos competir em campos para os quais essa solução foi feita. 

Os campos onde esperamos competir são todos os de águas profundas e ultraprofundas, como Mero, Sépia, Pão de Açúcar… ou seja, todas essas áreas da Petrobrás e das IOCs. 

Existe alguma previsão de quando esse processo de qualificação deve ser concluído?

Não. A Ocyan apoia a Magma nesse processo, mas não temos essas datas ou qualquer estimativa para passarmos ao mercado ainda.

E como estão as conversas com os potenciais clientes? A Ocyan já tem alguma negociação?

Não temos ainda negociações de venda, mas existem análises do design, em parceria com empresas operadoras. 

Há perspectivas de oferecer a tecnologia no exterior também?

A solução é modular, a construção não demanda grande área. Por isso, hoje, pode ser construída em qualquer país. Só não estamos com um marketing mais pesado fora do Brasil porque o foco está hoje no país. Vamos sim atuar fora do Brasil, se houver oportunidade e interesse de terceiros. 

* Bundle é o conjunto de risers no entorno do core pipe.

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A Cyan está muito bem assistida com Marcelo Nunes .