TENARIS LANÇA NOVA TECNOLOGIA DE REVESTIMENTO E AMPLIA SERVIÇOS PRESTADOS À PETROBRÁS

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –  

IDARILHOUma das principais fornecedoras de tubos de aço em todo o mundo, a Tenaris está com recentes avanços no mercado brasileiro e se prepara para oferecer novas soluções para o setor de óleo e gás. O diretor comercial da companhia, Idarilho Nascimento, revela a assinatura de um recente e amplo contrato de serviços com a Petrobrás, que envolve inspeção e reparo de tubulações e conexões. Além de prestar apoio na instalação dos produtos, o acordo prevê ainda estocagem de tubos e auxílio no desenho do projeto da coluna de revestimento. A Tenaris também está com uma nova tecnologia de revestimento para conexões. Um dos pontos positivos da novidade é o apelo ambiental. “Por se tratar de um revestimento a seco, elimina a necessidade de graxa nas operações. Dessa forma, você reduz etapas do processo, como a lavagem – que gera resíduos“, explicou o executivo.

Como o senhor enxerga o atual momento do setor, com a retomada dos leilões?

Acho que nós, como fornecedores das principais operadoras que estão no Brasil, estamos na expectativa. São campos muito produtivos. Isso é positivo porque abrirá novas oportunidades para os fornecedores da indústria brasileira fornecer não somente para a Petrobrás, que hoje não é operadora exclusiva, mas também para as operadoras internacionais, que estão adquirindo novas áreas. É uma perspectiva positiva. As rodadas anteriores, mesmo no pré-sal e pós-sal, foram bastante positivas e de sucesso. Isso vem fazendo com que haja uma continuidade, uma carteira de projetos. É disso que a indústria precisa. A indústria precisa de uma massa contínua de trabalho para evitar esses picos e vales, que afetam do ponto de vista de produtividade. 

Quais são as principais soluções ofertadas hoje para o setor de óleo e gás?

Os nossos principais produto são os tubos do mercado de OCTG, que fabricamos para os poços de petróleo. Fabricamos no Brasil os tubos condutores, que são instalados na primeira fase do poço. Temos também soluções completas, envolvendo produtos, casing, tubing, condutores e serviços.

A Tenaris desenvolveu um sistema de serviços, muito em função do desenvolvimento do shale gas nos Estados Unidos. E nós estamos expandindo esse modelo de serviços para os operadores offshore. Nós assinamos um contrato com a Petrobrás e estamos provendo este tipo de serviço para a estatal. Isso traz uma eficiência em toda a suply chain do petróleo, onde somos responsáveis por todo o material que entregamos. A operadora é responsável por levar esse material até uma plataforma. E quando esse material retorna da plataforma, nós somos responsáveis por fazer inspeção, reparo, condicionamento e armazenamento. Somos responsáveis por todo o circuito fechado de embarque e desembarque, evitando perdas. O estoque regulador passa para o nosso domínio. Isso traz uma eficiência grande e as operadoras buscam isso. Elas querem reduzir custos de operação e tempo de sonda. 

Poderia detalhar o escopo de trabalho deste contrato com a Petrobrás? Quando ele foi assinado?

Foi assinado neste ano. É um contrato de serviços, similar ao modelo Rig Direct. Os serviços abrangem inspeção e reparo de tubulações e conexões. Especialistas de campo embarcam na plataforma para dar assistência durante a instalação dos nossos produtos. Envolve também estocagem de tubos, preparation for offshore (preparação de material que será embarcado na sonda) e auxílio no desenho do projeto da coluna de revestimento. 

O senhor mencionou a questão do Rig Direct. Como está a oferta dessa solução de serviços integrados?

É um modelo de negócios que, realmente, tem se expandido em todo o mundo. Hoje, nos Estados Unidos, mais de 60% das nossas vendas acontecem em função deste pacote. Como comentei, assinamos um contrato recente com a Petrobrás e estamos implementando também esse modelo no Brasil. Temos ainda outros contratos em outras regiões do mundo, com outras operadoras. Sem dúvida, esse modelo de negócio está trazendo uma eficiência muito grande para a cadeia de supply chain

Nossos clientes têm recebido isso de uma maneira muito positiva, porque estão vendo que essa solução faz com que nós sejamos responsáveis pela manutenção e manuseio dos tubulares que vão até os poços. Os operadores, por sua vez, ficam focados na produção do óleo e gás, que é o core business deles. 

E quais outras novidades a Tenaris levará para o mercado de óleo e gás?

Um produto que a Tenaris expôs na Rio Oil & Gas são as roscas com tecnologia Dopeless, que é um revestimento a seco colocado sobre as conexões. Isso facilita tanto o enrosque quando o desenrosque. Outro ponto positivo é o apelo ambiental. Por se tratar de um revestimento a seco, elimina a necessidade de graxa nas operações. Dessa forma, você reduz etapas do processo, como a lavagem – que gera resíduos.  

Temos operadoras [no Brasil] as quais estamos oferecendo essa solução, na fase de testes. Estão utilizando a conexão e adquirindo conhecimento sobre o produto. Estamos em uma fase de divulgação. Com o tempo, acredito que essa tecnologia virá de encontro a necessidade ambiental pela qual todos nós estamos passando. 

Como a Tenaris planeja crescer ainda mais dentro do setor de óleo e gás?

Temos dois principais projetos. Um é o desenvolvimento do mercado local. E ao mesmo tempo, termos o mercado internacional, que está em plena expansão com essa retomada dos preços do petróleo. Muitos projetos estão sendo retomados, por conta disso. A partir da nossa planta no Brasil, temos exportado produtos.

Que tipo de produtos?

Tivemos casos recentes para o projeto Kaombo (Angola) e Sankofa (Gana). Tivemos também o projeto de Zohr, no Egito. Passamos quase dois anos produzindo um tubo, um dos mais demandantes do ponto de vista técnico. Ele tem 30 polegadas. Dois fornecedores mundiais foram habilitados a fornecer esse tipo de produto para este projeto, que pertence a Petrobel e Eni. Hoje, Zohr já está produzindo 57 milhões de m³ por dia de gás. 

Então, toda essa dinâmica de serviços e de suply chain, faz com que os investidores tenham um retorno de uma forma mais rápida. Essa dinâmica vem sendo imprimida na cadeia de petróleo e temos contribuído para isso. 

Existem previsões de crescimento ou investimentos por parte da empresa?

Estamos aguardando o investimento das operadoras. Hoje, o Brasil ainda tem um nível de atividade baixa. Um indicador disso são as sondas de perfuração. Mas esses novos leilões vão trazer uma nova dinâmica para o mercado que, sem dúvida, aumentará o nível de atividade das empresas. 

A abertura do mercado onshore também está no radar?

Sem dúvida. É um mercado onde temos conhecimento. Como comentei anteriormente, o shale promoveu uma dinâmica distinta para o mercado americano. Temos visto isso também na Argentina, no campo de Vaca Muerta. O Brasil tem um potencial tanto de gás convencional, quanto de shale – que ainda não foi explorado. Tão só a retomada do gás convencional promoverá uma dinâmica e oportunidades muito grandes. Estamos acompanhando com muita expectativa o programa Reate [para revitalizar áreas terrestres]. Da mesma forma que houve uma abertura do mercado offshore brasileiro, estamos vendo a possibilidade de acontecer isso também no mercado onshore. 

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