EDITAL PARA ESCOLHA DE PARCEIRO PARA CONCLUIR ANGRA 3 PODE SAIR ATÉ MEADOS DE 2019

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) – 

O presidente da Abdan, Celso Cunha

O presidente da Abdan, Celso Cunha

A notícia de que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) bateu o martelo sobre o reajuste da tarifa da usina de Angra 3 deu um novo ânimo ao setor nuclear. As empresas ligadas a este segmento passam agora a fazer planos, vislumbrando a retomada da construção. Porém, ainda existe um caminho a ser trilhado antes de reiniciar os trabalhos no canteiro de obras, conforme explica o presidente da Eletronuclear, Leonam Guimarães. O executivo afirmou que há a previsão de publicação do edital para escolha de um parceiro privado para o empreendimento até meados do próximo ano. Contudo, Guimarães também aponta quais os passos que devem ser dados antes. O Petronotícias também conversou com o presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), Celso Cunha, para repercutir o impacto da decisão do CNPE para o setor energético brasileiro. Ele elogiou o empenho do ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, em resolver a situação de Angra 3, mas também foi enfático ao afirmar que o reajuste foi a primeira etapa para a retomada do projeto. Outras medidas ainda devem ser adotadas.

“A importância da decisão do CNPE se prende ao fato de que, a partir dessa resolução, se permite dar início ao processo de renegociação da dívida que a Eletronuclear tem com o BNDES, Caixa e Eletrobrás, como também a estruturação de um modelo de parceria que poderá ser aplicado na seleção de um parceiro, que investirá na conclusão do empreendimento”, disse Leonam Guimarães.

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O presidente da Eletronuclear, Leonam Guimarães

O executivo detalhou que, agora, o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) do governo federal vai se debruçar sobre um relatório final – desenvolvido por um grupo de trabalho. Nesse documento, estão apontadas as alternativas de modelo de negócio para admitir uma parceria privada com o objetivo de reiniciar a construção da usina. “Dentro do conselho, será definido sobre qual modelo se estruturará essa parceria”, acrescentou o presidente da Eletronuclear.

A partir de então, Guimarães explicou que será elaborado o edital de seleção do futuro parceiro. “Quando esse edital for elaborado e publicado, o próximo passo será a renegociação com os bancos. Espera-se que esse processo até a publicação do edital possa ocorrer em meados do ano que vem”, concluiu.

A notícia de que o governo decidiu readequar o valor de tarifa de Angra 3 foi muito comemorado pela indústria. A Abdan, entidade que congrega as principais empresas deste setor, viu a medida como bastante positiva. E espera que as demais questões pendentes também sejam resolvidas. “Esse foi o primeiro passo. Agora, são mais dois passos a serem dados. Um é a reestruturação da dívida da Eletronuclear e o outro é o modelo de negócios para a conclusão das obras. Ou seja, temos um caminho a seguir ainda”, opinou Celso Cunha.

O presidente da Abdan frisou ainda que a revisão da tarifa não vai apenas equalizar a questão de Angra 3, mas se converterá também em benefícios para os brasileiros, já que o valor da energia da planta nuclear é muito inferior em relação ao custo de energia elétrica quando o país aciona as usinas térmicas.

Apesar do cenário eleitoral, Cunha não teme por possíveis reviravoltas no empreendimento quando o novo governo assumir o Palácio do Planalto em 2019. “Independente de quem ganhe as eleições, existe um fato que é incontestável. O custo para concluir Angra 3 é de R$ 15 bilhões. Ou então, serão necessários R$ 12 bilhões para não concluir a obra”, disse o executivo. “Soma-se a isso o fato de que continuaremos pagando mais caro pela energia das térmicas. Eu acho que o próximo governo terá uma decisão que não será muito complicada”, afirmou.

O presidente da Abdan também mostra preocupação com a questão da dívida da Eletronuclear, que se não for resolvida poderá levar a empresa para insolvência, impossibilitando o pagamento dos empréstimos existentes. “O que aguardamos é que a usina seja incluída no Programa de Parcerias Público-Privadas do governo e esperamos que o modelo de negócio seja definido”, concluiu Cunha.

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