MERCADO DE ENERGIA EÓLICA ESPERA POR RETOMADA ECONÔMICA PARA CONTINUAR SUA EXPANSÃO NO BRASIL

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

elbia

A energia eólica atualmente está atendendo quase 14% do Sistema Interligado Nacional (SIN), de acordo com os dados mais recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Além disso, a fonte alcançou recentemente a marca de 14 GW de capacidade instalada no país, num sinal claro de expansão da geração de energia a partir dos ventos no Brasil. Porém, na visão da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), para a continuidade do crescimento da fonte, a economia precisa voltar a dar sinais claros de recuperação. “O principal desafio hoje está relacionado não ao setor elétrico em si, já que é fundamental que o País volte a crescer para que sejam realizadas novas contratações de energia, em montantes suficientes para que o setor siga produzindo e crescendo”, afirmou a presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum. A executiva também comentou sobre o futuro da energia eólica offshore no Brasil, destacando que esta modalidade de geração necessita de muito tempo para desenvolvimento e implantação. Contudo, Elbia acredita que a eólica offshore pode vir a ser uma fonte importante no futuro. “É importante, portanto, que estejamos começando a pensar nisso, com iniciativas pioneiras de pesquisa”, acrescentou.

Ao que atribui a nova marca de 14 GW de capacidade instalada de energia eólica no Brasil? O que mais influenciou nessa evolução?

A energia eólica tem uma trajetória virtuosa de crescimento sustentável no Brasil, compatível com o desenvolvimento de uma indústria que foi criada praticamente do zero no País. De 2010 a 2017, o investimento no setor foi de US$ 32 bilhões. O Brasil acaba de ultrapassar a expressiva marca de 14 GW de capacidade instalada de energia eólica. Já são 14,34 GW de capacidade instalada em 568 parques eólicos e mais de 7.000 aerogeradores em 12 estados. Para comparação, podemos, por exemplo, citar que esta é a mesma capacidade instalada de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do Brasil. Em média, a energia gerada por estas eólicas equivale atualmente ao consumo residencial médio de cerca de 26 milhões de habitações (80 milhões de pessoas).

Há uma série de fatores que explicam o sucesso da energia eólica no Brasil. Em primeiro lugar, o Brasil tem bons ventos para obter energia eólica com grande produtividade: são ventos estáveis, com a intensidade certa e sem mudanças bruscas de velocidade ou de direção. Especialmente no Nordeste, o Brasil tem a sorte de ter uma quantidade enorme deste tipo de vento, o que explica em grande medida o sucesso da eólica no Brasil nos últimos anos. Para comparação, podemos citar que a média mundial do fator de capacidade (medida de produtividade do setor) está em torno de 25%. No Brasil, nos últimos doze meses (de set/17 a ago/18), o fator de capacidade médio foi de 42,5%, atingindo picos de superiores a 60% em um mês e tendo passado dos 80% no caso dos recordes registrados pelo ONS no Nordeste em um dia. Um outro ponto favorável do desenvolvimento da fonte eólica no Brasil é o fato de a cadeia produtiva ser 80% nacionalizada gerando empregos aqui e produzindo com alta tecnologia e investimento.

O que o Brasil deve fazer para continuar crescendo o número de usinas eólicas instaladas no país?

A principal necessidade hoje é que o País volte a crescer, para que o governo realize novos leilões de contratação de energia.

Como avalia o interesse da Petrobrás e da Equinor em desenvolver projetos eólicos offshore no Brasil? Em sua visão, o Brasil tem um grande potencial para receber projetos eólicos offshore?

É necessário entender que a energia eólica offshore é uma tecnologia que exige tempo para desenvolvimento e implantação. É importante, portanto, que estejamos começando a pensar nisso, com iniciativas pioneiras de pesquisa. Com o crescimento da matriz e a necessidade de que ela seja diversificada, a eólica offshore pode vir a ser uma fonte importante no futuro e temos que estar preparados para isso. De fato, nosso potencial de eólica onshore é praticamente inesgotável, já que é de cerca de 5 vezes o que temos hoje instalado de todas as fontes e, considerando a necessidade de termos uma matriz diversificada, não chegaremos perto de atingir todo nosso potencial onshore. Isso não significa, no entanto, que não seja necessário desenvolver a offshore que no futuro pode ser uma importante contribuição para uma matriz diversificada entre renováveis de baixo impacto.  

Quais são os principais desafios do setor eólico atualmente?

O principal desafio para o setor é o que mencionei anteriormente: o Brasil precisa voltar a crescer para que sejam realizados leilões para contratação de energia.

De que forma avalia a chega de Bolsonaro à presidência, do ponto de vista do setor eólico?

As expectativas do setor são baseadas em critérios técnicos. O potencial de energia eólica no Brasil é de cerca de 500 GW, muito mais do que o País consome atualmente. Considerando que a matriz de geração de eletricidade deve ser diversificada entre as demais fontes de geração e o Brasil tem um baixo consumo de eletricidade per capita, a energia eólica no Brasil ainda possui muitas décadas de desenvolvimento para o futuro.  

A situação favorável da indústria eólica no Brasil pode ser explicada pela ótima qualidade dos ventos brasileiros e pelo forte investimento das empresas que, nos últimos cinco, seis anos, construíram uma cadeia produtiva nacional para sustentar os compromissos assumidos e o enorme potencial de crescimento desta fonte de energia, que acreditamos ser o futuro.

Quais serão os próximos passos e ações da ABEEólica para ajudar a desenvolver o setor?

O trabalho regular da ABEEólica está concentrado em discutir questões regulatórias, além de atuar pelo reconhecimento da energia eólica como uma fonte limpa, renovável, de baixo impacto ambiental, competitiva e estratégica para a composição da matriz energética nacional. Como dito em respostas anteriores, o principal desafio hoje está relacionado não ao setor elétrico em si, já que é fundamental que o País volte a crescer para que sejam realizadas novas contratações de energia, em montantes suficientes para que o setor siga produzindo e crescendo.

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