CERIMÔNIA DE PREMIAÇÃO DA ABDAN NO RIO REFLETIU MOMENTO DE OTIMISMO DO SETOR NUCLEAR PARA O PRÓXIMO ANO

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

IMG_20181126_131742222O setor nuclear se reuniu em peso nesta segunda-feira (26) no Rio de Janeiro, durante o “2º Prêmio de Reconhecimento Nuclear 2018”. A cerimônia homenageou quatro importantes figuras do setor: o Almirante Humberto Moraes Ruivo; o pesquisador Rex Nazaré; o diplomata Marcel Biato; e o engenheiro José Augusto Perrota. O evento, organizado pela Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), também serviu de termômetro para este novo momento da indústria nuclear brasileira. Nas rodas de conversa, o otimismo quanto ao novo governo e também os avanços conquistados ao longo de 2018 foram os assuntos mais comentados. A expectativa para 2019, portanto, é positiva.

IMG_20181126_133107307Nesse sentido, o presidente da Abdan, Celso Cunha, destacou em seu discurso que um novo olhar começou a ser desenhado no Brasil sobre o setor nuclear, especialmente após o realinhamento da tarifa de Angra 3. “A conclusão dessa obra provocará uma onda de boas notícias para o setor nuclear e elétrico, como a geração de 9 mil empregos diretos e indiretos, além do aumento na arrecadação dos tributos, ajudando o Rio de Janeiro”, projetou. A construção do empreendimento está paralisada desde 2015.

Contudo, ainda na visão de Cunha, ainda existem desafios que demandam certa urgência por parte do novo governo que assumirá o poder em janeiro. Um deles, evidentemente, é a renegociação da dívida da Eletronuclear com instituições financeiras. “Ainda precisamos que o PNDE 2027 e o PNE 2050 demonstrem de forma clara qual o papel que o novo governo reserva para a termo geração nuclear na matriz energética brasileira”, acrescentou.

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José Augusto Perrota recebendo o prêmio das mãos do diretor da Framatome na América do Sul, André Salgado

Apesar do ano já se aproximar de seu fim, a Abdan ainda nutre uma expectativa de que a Modelagem do Estudo de Negócios para término da usina de Angra 3 seja definida pelo Comitê Gestor de Parceria Público-Privada. “Nós aguardamos ansiosamente a definição de mais este capítulo. Queremos que ele se encerre ainda em 2018”, pontuou o presidente da Abdan.

Ainda que os desafios existam, o sentimento do mercado, no geral, é positivo. Parte também deste otimismo em relação ao desenvolvimento nuclear passa, necessariamente, pelo RMB, que elevará o Brasil a outro patamar. O engenheiro José Augusto Perrota, um dos ganhadores do prêmio da Abdan neste ano, é o coordenador técnico do empreendimento.

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O pesquisador Rex Nazaré ao lado do vice-presidente da Westinghouse para a América Latina, Carlos Leipner

Em sua fala, ele destacou  a importância do projeto para o país. “Certamente, o RMB vai dar autonomia na produção de radiofármacos e contribuirá bastante no desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil”.

O segundo homenageado foi o pesquisador Rex Nazaré, que hoje atua como assessor da presidência da Eletronuclear. Em sua trajetória de contribuição ao mercado nuclear, Nazaré acumula uma passagem de 35 anos na Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), onde foi Chefe de pesquisa da Carreira técnico-científica da instituição.

Em seu discurso, ele destacou também o papel da Abdan dentro do setor, já que a entidade tem colaborado para o debate a respeito dos benefícios da nuclear não apenas em termos de geração, mas também no aspecto social.

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O presidente da Abdan, Celso Cunha, concedendo o prêmio ao diplomata Marcel Biato

O terceiro homenageado do evento foi o diplomata Marcel Biato, que atualmente é  Representante Permanente do Brasil junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele declarou que visão do exterior em relação ao Brasil tem se modificado. Os olhos do mundo para o país já são outros e cabe ao mercado aproveitar o momento de oportunidades. “A AIEA tem tem acesso a cursos, e redes de especialistas. Por isso, devemos trabalhar junto a agência. Meu papel é promover essa articulação. O Brasil está com uma nova perspectiva e a agência pode ser nossa aliada”, afirmou.

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O Almirante Humberto Moraes Ruivo sendo homenageado durante o evento da Abdan

Por fim, o diretor da recém-criada Agência Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, Almirante Humberto Moraes Ruivo, recebeu o prêmio e frisou o papel e contribuição da Abdan no que diz respeito ao desenvolvimento de novos talentos para a indústria nuclear brasileira. “Devemos reconhecer o esforço da Abdan para integrar o setor e também como ela ajuda a capacitar  as novas gerações de profissional para vencermos os novos desafios que temos pela frente”, concluiu.

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