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ADOÇÃO DE NOVO MODELO DE PLANEJAMENTO PELA EPE É NECESSÁRIA PARA A SEGURANÇA ENERGÉTICA DO PAÍS

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

CELSO CUNHaO World Nuclear Spotlight, realizado na última semana, reuniu os principais nomes do setor nuclear do Brasil e também do exterior. O evento foi organizado pela World Nuclear Association (WNA), em parceria com a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), e trouxe uma série de anúncios importantes para o segmento. O balanço do encontro internacional terminou com um saldo bastante positivo na visão do presidente da ABDAN, Celso Cunha, que elogiou as novidades que o governo trouxe durante o Spotlight. Contudo, o executivo ainda ressalta que são necessárias mudanças no modelo de planejamento energético adotado no Brasil hoje, que deixa as usinas nucleares de fora dos chamados Planos Decenais. “Eu diria que o modelo adotado até hoje é, na nossa visão, preconceituoso, a partir do momento em que determinadas fontes não aparecem nele”, disse Cunha. “Acho que esses modelos precisam ser mexidos e melhorados. A própria Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já reconhece a necessidade de melhorias no modelo existente”, acrescentou. O presidente da ABDAN destaca também a função importante que a geração nuclear terá para algumas regiões do país. “O Brasil tem todas as fontes e a energia nuclear pode ter nesse momento o papel de gerar de energia base, que precisamos principalmente no Nordeste”, complementou.

Qual o balanço que o senhor faz do World Nuclear Spotlight?

O evento foi um sucesso. O trabalho da ABDAN com a WNA foi fundamental para juntar tantas pessoas importantes, como os presidentes das multinacionais. É muito difícil conseguir a agenda dessas pessoas. A ida do ministro Bento Albuquerque no segundo dia do evento foi importante, mesmo sendo uma participação de curta duração. Foi o suficiente para dar uma palavra, demonstrando aos investidores que existe uma disposição clara, como política de governo, de continuar o trabalho estratégico para o país.

Quais foram as principais mensagens pelo governo durante o evento, ao seu ver?

O ministro Bento Albuquerque durante reunião no Spotlight

O ministro Bento Albuquerque e Agneta Rising, diretora-geral da WNA, durante reunião no Spotlight

O ministro de Minas e Energia deixou bem claro que a questão nuclear é uma política de estado. Houve muita troca de informação. O governo também se posicionou sobre outros temas, falando não apenas sobre a questão de Angra 3. A Secretaria de Planejamento do MME falou sobre a revisão de modelos e o lançamento do Plano Nacional de Energia e do Plano Decenal de Energia, no dia 10 de dezembro. Também foi citado sobre a escolha de sites para instalação de futuras usinas. Houve muita riqueza de detalhes e troca de informação, demonstrando custos e o uso harmônico da geração nuclear com as outras fontes de energia.

Qual o papel da energia nuclear para o setor elétrico brasileiro?

O Brasil tem todas as fontes e a energia nuclear pode ter nesse momento o papel de gerar de energia base, que precisamos principalmente no Nordeste. É necessário que tenhamos belos empreendimentos solares e eólicos, mas eles não são energia de base. É preciso muita potência de energia de base no Nordeste.

E o que ainda falta, ao seu ver, para maior uso da geração nuclear?

Um marco interessante do Spotlight foi a fala do presidente da EPE, Thiago Barral Ferreira, que explicou como é feito o planejamento hoje. O setor vem pedindo mudanças no modelo de planejamento, para que ele seja inclusivo com todas as fontes. É muito importante não ter um modelo discriminatório, que contemple só algumas fontes e outras não. Hoje, por exemplo, as usinas hidrelétricas de reservatório e as nucleares não aparecem no modelo decenal.

O governo lançou na sexta-feira um decreto, instituindo um grupo de trabalho para fazer uma série de revisões, modelagem e levantamento de problemas do setor elétrico a serem resolvidos. Isso é extremamente importante.

O senhor percebe alguma resistência ou preconceito por parte dos planejadores da EPE?

Eu não colocaria que o preconceito é da EPE. Eu diria que o modelo adotado até hoje é, na nossa visão, preconceituoso, a partir do momento em que determinadas fontes não aparecem nele. Então, eu acho que esses modelos precisam ser mexidos e melhorados. A própria EPE já reconhece a necessidade de melhora no modelo existente.

Alguns outros países tem planos de 15 anos ao invés de planos decenais. Podemos ter uma opção para trocar o decenal para um plano onde apareçam as nucleares e hidrelétricas de reservatório. Isso é importante. O fato é que precisamos achar uma forma harmônica. Nenhuma fonte vai ser a solução sozinha da matriz energética, apesar de alguns segmentos acharem que isso é possível. Mas não é.  

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