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SYNDARMA PREVÊ INÍCIO DE RETOMADA NO SETOR DE APOIO MARÍTIMO A PARTIR DO PRÓXIMO ANO

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

Presidente- DR_GustavoO Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) está entrando em uma nova fase, com o início da uma gestão liderada pelo executivo Gustavo Machado. Uma das prioridades da entidade será a luta pela manutenção do marco regulatório do setor de apoio marítimo. Com as mudanças previstas para o segmento de cabotagem, em virtude da chamada “BR do Mar”, o Syndarma quer garantir que essas alterações não interfiram na atividade de apoio marítimo. Outro foco de ação é a discussão sobre o reescalonamento dos financiamentos contraídos pelas empresas de navegação nos últimos anos. Com a crise, muitos navios dessas companhias tiveram seus contratos terminados e não foram renovados. “Com isso, a embarcação não gera recursos, mas o serviço da dívida dela está presente”, explicou. Machado lembra que a retração na indústria naval afetou severamente as empresas, mas a expectativa para o próximo ano é de início de melhoria no cenário. “Em 2020, veremos uma retomada tímida da Petrobrás a partir do segundo semestre, além de uma retomada mais importante das IOCs, com seus programas de exploração de campos leiloados nas últimas rodadas de licitação da ANP”, projetou.

Gostaria que falasse dos objetivos da nova gestão do Syndarma.

Eu já faço parte da diretoria da ABEAM [Associação Brasileira de Empresas de Apoio Marítimo] e do Syndarma há vários anos. Será um trabalho de continuidade ao que estava sendo conduzido brilhantemente pelo Ronaldo Lima por mais de 20 anos à frente da associação. Como a ABAC [Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem] se desfiliou do Syndarma, a ABEAM e o Syndarma hoje têm a mesma composição.

Eu acho importante ressaltar que vou sempre dar mais importância à composição da diretoria do sindicato e da associação do que ao cargo [de presidente]. Além do presidente, temos oito diretores. E todos representam empresas importantes do setor. São executivos muito conhecidos, com bastante experiência e com condição de contribuir muito com o sindicato e com a associação.

O primeiro objetivo é a defesa da bandeira brasileira, das embarcações construídas no Brasil. Queremos também preservar o marco regulatório do setor (lei 9.432/1997). Com base nesse marco regulatório, foram feitos todos os investimentos nos últimos 22 anos. É muito importante que ele seja mantido para questão de segurança jurídica e a segurança dos investimentos feitos por todos os empresários do setor.

E quais serão as próximas ações do sindicato?

Em linha com os nossos objetivos principais, existem várias ações que estão sendo tomadas para garantir a manutenção do marco regulatório e a defesa das embarcações de bandeira brasileira. Em um primeiro momento, temos a discussão do BR do Mar. Temos uma interface estreita com o Ministério da Infraestrutura. O BR do Mar foi todo construído como sendo um projeto para o desenvolvimento da navegação de cabotagem, que tem suas particularidades e desafios. Isso nada tem a ver com a navegação de apoio marítimo.

Esse relacionamento estreito que estamos construindo junto ao Ministério da Infraestrutura é para que o BR do Mar não atinja, de forma nenhuma, a navegação de apoio marítimo. A navegação de apoio marítimo tem que estar blindada. Esse é um trabalho que estamos fazendo forte junto ao Ministério da Infraestrutura. Algumas leis ou regramentos específicos que serão inseridos na BR do Mar e são do interesse do apoio marítimo, essas sim vamos apoiar.

Quais?

Por exemplo, o financiamento para docagem de embarcações com recursos do Fundo da Marinha Mercante. Hoje, existe uma regra que determina a carência de um ano mais dois anos de amortização. Será proposto que isso se ajuste ao ciclo de docagem, que é ciclo de cinco anos. Ou seja: um ano de carência mais quatro anos de amortização. Essa é uma medida que vamos apoiar.

Outra medida tem relação com a flexibilização para reescalonamento de contratos de financiamento do setor, para a navegação de uma forma geral. Estamos discutindo com o Ministério da Infraestrutura e com o Fundo de Marinha Mercante este tipo de medida. Estamos buscando alinhamento também dos gestores, dos oficiais, para ver aquilo que pode ser aprimorado. Talvez isso também venha dentro da BR do Mar e vamos apoiar.

Outra coisa muito importante é a Resolução 398/2008 do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente]. Existe hoje uma discussão sobre a revisão desta resolução. Existe um fórum de discussão, do qual participamos institucionalmente. A nossa posição é que se houver algum aprimoramento a ser feito na resolução, é preciso avaliar. Se for do interesse da navegação de apoio marítimo, nós vamos apoiar. No geral, achamos essa resolução bastante equilibrada. Tudo aquilo que foi posto para operação de combate à poluição de vazamento de petróleo no mar tem que permanecer como está. O aprimoramento tem que ser naquilo que podemos fazer para melhorar e aumentar a eficácia desse aparato. Estamos entrando nessa discussão. Não podemos desmobilizar aquilo que foi construído. Nossa posição vai no sentido de aprimoramento para aumentar a capacidade de combate à poluição de petróleo no mar.

Qual a sua avaliação em relação ao mercado de óleo e gás?

Vivemos uma grave crise instalada na indústria de petróleo do Brasil e do mundo, além de algumas particularidades do principal contratante de embarcações, a Petrobrás. A empresa passou por um momento de ajustes importantes a partir de 2014. Então, tivemos uma crise forte instalada desde dezembro daquele ano, que ainda não terminou. Houve uma redução de demanda de embarcações bastante significativa nesse período. Hoje, estamos em um momento de estabilidade. A redução aconteceu e agora estamos em um momento de uma composição de frota mais estável. A partir deste momento, devemos perceber um aumento gradativo da demanda por embarcações de apoio marítimo.

Durante esse período, muitas embarcações foram construídas. Infelizmente, várias associadas tem uma parte de suas frotas em lay up. Elas tiveram seus contratos terminados e que não foram renovados. Com isso, a embarcação não gera recursos, mas o serviço da dívida dela está presente. O que estamos discutindo é o reescalonamento dos contratos de financiamento que foram realizados para as empresas terem uma condição financeira mais saudável para administrarem esses últimos anos de crise. Teremos que administrar pelo menos um, dois ou até três anos de resultados ruins, com parte da frota fora de operação e diárias baixas.

Quando deve acontecer a retomada do mercado?

Em 2020, veremos uma retomada tímida da Petrobrás a partir do segundo semestre, além de uma retomada mais importante das IOCs, com seus programas de exploração de campos leiloados nas últimas rodadas de licitação da ANP. Então, em 2020, devemos ver um aumento grande de atividade das IOCs e das empresas independentes de petróleo e, com isso, um aumento da demanda por embarcações por parte dessas empresas.

Em 2021, eu acho que também teremos um cenário de recuperação. Uma recuperação mais gradativa da Petrobrás e uma dinâmica de operação maior por parte das IOCs. Estamos mais otimistas em relação a 2022. Ao longo daquele ano, teremos um crescimento bastante interessante de demanda. Temos projeções de equilíbrio entre oferta e demanda até o final de 2022 e início de 2023.

Qual foi o impacto da crise no afretamento de embarcações de apoio?

Em 2014, no pico da atividade de apoio marinho, chegamos a ter 520 embarcações operando no Brasil. Hoje, temos 280 em operação. 

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