CRISE FORÇA O ESTALEIRO ENSEADA A PEDIR RECUPERAÇÃO JUDICIAL, RECONHECENDO DÍVIDA DE R$ 2,3 BILHÕES

ENSEADA - AÉREAEnfrentando um momento de dificuldade, o Estaleiro Enseada, na Bahia, acaba de protocolar seu pedido de recuperação judicial, abrangendo R$ 2,3 bilhões de créditos concursais*. A decisão foi tomada visando a implantação de uma reestruturação financeira definitiva da companhia, que vem enfrentando severos problemas financeiros nos últimos anos. Apesar do pedido de recuperação, o estaleiro vai seguir normalmente com suas atividades.

Desde a crise que se abateu sobre o país e a indústria naval, em 2014, o grupo tentou driblar as dificuldades empresariais e financeiras. Em 2017, a empresa apresentou um plano de recuperação extrajudicial visando reestruturar grande parte de seus passivos. De acordo com a Enseada, esse objetivo foi alcançado. Contudo, o plano tinha como premissa a retomada, mesmo que tímida, do mercado de construção naval e offshore entre 2015 e 2017.

Como esse reaquecimento do setor não aconteceu, a situação se agravou. Além disso, a Enseada aponta que o cenário ficou ainda mais complicado por conta de alterações de políticas públicas e flexibilização de regras de conteúdo local. Este é mais um triste episódio da história recente da indústria naval brasileira. Em tempos de auge, a companhia chegou a empregar 9 mil trabalhadores.

O Estaleiro Enseada segue o mesmo destino de seu grupo controlador – a Odebrecht. Como se sabe, o conglomerado também iniciou o seu processo de recuperação judicial em junho deste ano, com uma dívida de cerca de R$ 98 bilhões. Mais recentemente, a Caixa pediu a falência da Odebrecht, alegando que o grupo não evoluiu nas negociações. A empresa nega e diz que está mantendo uma negociação ativa com seus credores.

* Créditos concursais são aqueles que estão concorrendo na recuperação judicial. Ou seja, eles contemplam os credores cujos créditos estão incluídos na recuperação judicial.

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