ABEN ORGANIZA EVENTO INTERNACIONAL E AUXILIARÁ OS TRABALHOS DO COMITÊ NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO NUCLEAR

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

ClaudioAlmeidaAbdan-1024x683O final de ano será de muito trabalho e novidades para a Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN). Entre os dias 21 e 25 deste mês, a entidade vai organizar a International Nuclear Atlantic Conference (INAC), em Santos (SP), um grande evento com participantes do Brasil e de diversos países que vão debater os novos horizontes do setor. A pauta, como não poderia deixar de ser, vai passar pela questão da retomada das obras Angra 3, mas também abordará outros temas relevantes ao segmento, como a quebra do monopólio estatal e até mesmo a utilização do tório para fins de geração. O presidente da ABEN, Cláudio Almeida, conta também que a associação participará, a partir de novembro, de um grupo de trabalho do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasil. O objetivo será discutir como levar a informação ao público sobre os benefícios da nuclear para a sociedade, um tópico que tem cada vez mais atraído atenção dentro desta indústria.

Gostaria que começasse falando sobre a programação desta edição do evento.

Esse evento é feito a cada dois anos. Existem várias sociedades nucleares no Brasil e a ABEN é a mais abrangente, porque cobrimos todas as áreas da fonte nuclear. Esse evento tem um caráter internacional e é composto pela junção de três encontros: um de física de reatores, outro sobre aplicações nucleares e o último sobre a indústria nuclear. Além disso, temos uma exposição onde participam várias das companhias que produzem produtos ou serviços na área nuclear. Por fim, temos ainda uma parte que chamamos de “Jr Poser”, dedicada a estudantes de graduação ou que terminaram ou estão terminando teses recentemente. É uma confêrencia bastante abrangente.

Nós recebemos cerca 900 trabalhos propostos, dos quais 600 foram selecionados para apresentações. Estamos esperando uma grande quantidade de pessoas, entre 600 e 700. Durante os quatro dias de evento, teremos diversos debates. 

Os debates deste ano vão girar em torno de quais assuntos?

Vamos discutir os passos futuros. Na abertura do evento, vamos ter a presença do almirante Marcos Sampaio Olsen, da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, além de representantes da Amazul, da Eletronuclear e da CNEN. Essas pessoas podem, eventualmente, fazer alguma apresentação de novidades. Em seguida, teremos uma mesa redonda com a INB, a Amazul, a Eletronuclear, a Nuclep e, talvez, os institutos. Estamos ainda definindo.

Na parte de reatores, vamos focar na retomada de Angra 3, na construção dos Small Modular Reactors e no programa do submarinos da Marinha. Vamos ter ainda uma mesa redonda sobre o Reator Multipropósito Brasileiro, que é uma iniciativa da CNEN junto com o Ministério da Saúde, para produção de radioisótopos para aplicação médica e testes de materiais. Será um evento muito abrangente.

Hoje, o Brasil analisa a possibilidade da quebra de monopólio no setor. Este tema também será contemplado no evento?

Sim, vamos ter um workshop sobre a quebra do monopólio do Brasil. Existem várias propostas de emendas à Constituição, que atualmente determina que tudo que é nuclear é monopólio do governo. Houve uma mudança na Constituição para permitir a produção de radioisótopos de vida curta [pelo setor privado]. Agora, a ideia é quebrar toda a produção de radioisótopos, para que todas as firmas particulares possam produzi-los. Do mesmo modo, está sendo pensada a quebra do monopólio da exploração de urânio. O Brasil só teve um terço de seu território prospectado e precisa de uma cooperação da indústria privada para explorar  o resto do país.

Por outro lado, existem duas iniciativas para quebrar o monopólio da produção de energia nuclear. Essa é uma coisa mais a longo prazo.

Sobre tecnologias e outros assuntos mais técnicos que também estarão na conferência, o que o senhor nos pode antecipar?

No passado, foi muito discutido sobre o uso do tório. Ele não é material físsil, mas ele pode ser usado para se tornar Urânio-233 e, assim, ser usado em reatores. No Brasil, existe uma grande quantidade de tório. Hoje em dia, com o desenvolvimento de reatores mais avançados, estamos voltando a falar de reatores com tório. Na Índia, há um projeto muito grande em relação a isso, porque o país produz muito tório. Eles têm a ideia de construir reatores que usem esse elemento como combustível. Vamos fazer um workshop dedicado a esse tema. Esse será um assunto que chamará muito a atenção durante a conferência.

Qual sua avaliação do momento atual da indústria nuclear?

Quando tomei posse como presidente da ABEN, eu disse que a minha prioridade era a retomada das obras de Angra 3. Eu acho que estamos no caminho certo. A Eletronuclear fez pesquisa de mercado para estudar o modelo de participação de outras companhias. Esse trabalho já foi concluído e eles estão agora escolhendo um modelo de cooperação. Depois, será feita a licitação para escolher quem será o parceiro no empreendimento. Isso tudo para que no final do ano que vem, ou no máximo em 2021, se retome a construção de Angra 3, com vistas a terminar em 2026. Claro que isso é um cronograma bem otimista e bem apertado, mas temos que lutar dentro desse cronograma.

E quais serão as próximas ações da ABEN depois do evento?

Como eu disse, a INAC é realizada a cada dois anos. Ou seja, em 2020 não teremos a conferência. Mesmo assim, a ABEN continuará suas atividades normalmente. No final do ano passado, o governo recriou o Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasil. Esse comitê estabeleceu diretrizes para o Programa Nuclear Brasileiro, como aumentar a participação da energia nuclear na matriz energética e a utilização da fonte na área de medicina nuclear. A ABEN vai continuar monitorando a implementação do PNB, dando suporte em todas as áreas.

O comitê criou vários grupos de trabalho, que analisam temas como a quebra de monopólio, a falta de profissionais, entre outros. A ABEN tem a intenção de participar desses grupos. Fomos convidados para uma reunião do comitê em Brasília e vamos fazer parte dos grupos para os quais fomos convidados.

Em quais grupos a ABEN vai atuar?

Os grupos já estão formados e alguns já terminaram seus trabalhos. Fomos convidados recentemente para o Grupo de Trabalho 11, que vai começar sua atuação em novembro. Esse grupo vai discutir a parte de informação ao público. A ABEN tem vários mecanismos nesse sentido. Temos uma revista chamada Brasil Nuclear, além do nosso site e de nossas redes sociais. Temos um programa chamado Embaixadores Nucleares, que escolhe alunos para apresentar projetos na área nuclear. Vamos premiar a equipe vencedora durante o INAC.

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