SBM OFFSHORE BUSCA NOVAS OPORTUNIDADES NOS MERCADOS DE FPSOS E ENERGIA EÓLICA OFFSHORE

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

rafael-torresA OTC Brasil 2019 entra hoje (31) em seu último e decisivo dia. As empresas participantes se movimentam em busca de novos negócios. É o caso da holandesa SBM Offshore. O grupo voltou neste ano a figurar no mercado brasileiro, ao assegurar o contrato para a construção da unidade de Mero 2 para a Petrobrás. O diretor de desenvolvimento de negócios da companhia, Rafael Torres, disse que a partir de agora, a expectativa da empresa é aproveitar o momento de boas expectativas do setor de óleo e gás, que prevê um aumento considerável na frota de FPSOs no Brasil nos próximos anos. “Eu estou otimista. Acho que não será apenas no modelo que fazemos bastante, que é o Lease & Operate [arrendamento]. A Petrobrás vai voltar a fazer unidades próprias. Devem surgir outros modelos de negócio no futuro. Acho que temos chance de brigar por esses negócios”, declarou. O executivo falou também do interesse da empresa em atuar na área de energia eólica offshore. “No Brasil, se fala muito na geração eólica onshore. Mas o offshore não pode ser desprezado, por conta de suas turbinas, que são maiores. A fonte eólica offshore tem algumas vantagens que o tempo vai revelar”, completou.

O que vocês estão apresentando na feira?

Já tinha um tempo que não participávamos com um estande na feira. Antes, estávamos presentes só com palestras e participando de painéis. Desta vez, achamos interessante voltar a participar com estande aqui no OTC Brasil, assim como fizemos na OTC de Houston. O que estamos apresentando aqui é o nosso projeto Fast4Ward. Estamos mostrando o que significa esse casco. Outro ponto é a questão das renováveis. Ontem, tivemos um painel onde falamos sobre a parte de energia eólica flutuante e energia renovável por maré.

Qual tem sido a avaliação do que tem sido discutido durante a feira?

Foi muito interessante o discurso de abertura do diretor-geral da ANP, Décio Oddone. Foi bem alinhando com o que ele sempre tem falado. A tendência é que as IOCs continuem investindo no Brasil. Para a Petrobrás, a opção é investir no Brasil. Agora, quando a ExxonMobil ou qualquer outra operadora internacional escolhe investir no país, mostra um sinal para o mercado. O número previsto pelo Décio, de 60 novos FPSOs, é bem alto. Acho que alguma coisa perto disso não é um sonho nos próximos dez anos. É atingível, se tudo correr bem.

No que consiste o Fast4Ward?

O Fast4Ward consiste, basicamente, em dois pontos. O primeiro deles é o casco MPF (multi-purpose floater). O segundo ponto se refere aos módulos pré-engenheirados, que são padrões. A ideia do Fast4Ward é conseguir um ganho de 6 a 12 meses, dependendo do projeto, concluindo a construção mais rapidamente. A ideia é você adiantar o trabalho com um projeto padrão que pode ser utilizado.

Quais as perspectivas de aplicação do Fast4Ward aqui no Brasil?

Casco de Liza 2

Casco de Liza 2

Esse casco foi feito usando como base a especificação do que seria uma unidade do pré-sal. Estamos fazendo um casco desses para Guiana, com capacidade de processar 220 mil barris e armazenar 2,2 milhões de barris.

Eu acho que quando você tem uma produção maior, como a do pré-sal, é justo ter esses cascos grandes, por conta da sua grande capacidade de armazenamento e uma flexibilidade de trabalhar melhor com sua logística de offloading. Ele tem características perfeitas para o pré-sal.

Nós estamos hoje com dois cascos em execução no estaleiro Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding. Um deles é o FPSO Liza 2, na Guiana, como já citei antes. Está praticamente pronto, já está quase saindo do estaleiro para fazer a integração. E o segundo casco ainda está sem contrato. Além disso, há outro casco que começou a ser construído no China Merchants Heavy Industry para o FPSO Mero 2.

Agora falando sobre energias renováveis, como a SBM enxerga esse mercado aqui no país?

A SBM é uma empresa especialista em soluções offshore. E vimos a possibilidade de usar um conceito bem maduro, de tension-leg platform (TLP), que já é usado para plataformas de petróleo. Usamos isso para torre eólica. Temos já um projeto sendo executado no sul da França. Ainda não está pronto, mas já temos o design do flutuante. Os testes de laboratório ocorreram bem e agora estão sendo feitos testes piloto no sul da França. 

No Brasil, se fala muito na geração eólica onshore. Mas o offshore não pode ser desprezado, por conta de suas turbinas, que são maiores. A fonte eólica offshore tem algumas vantagens que o tempo vai revelar. A tendência é que daqui a cinco anos, ou alguma coisa assim, comece a vir o offshore. Mas não vamos esperar por cinco anos para iniciar o negócio. Já estamos de olho desde agora.

Olhando para o futuro do mercado de FPSOs no Brasil, quais são as perspectivas da SBM?

Um pouco mais da metade dos projetos no mundo estão no Brasil. Aqui no país, quando você tem um bid vindo para a rua, pode demorar um tempo ou não, mas esse projeto acontece. Já fora do Brasil, os projetos as vezes surgem, mas acontece o final investiment decision. Então, o Brasil é mais confiável.

Eu diria que o momento é esse. As petroleiras estão investindo no Brasil, crescendo em estrutura. Existem campanhas de perfuração sendo contratadas agora. Isso é um sinal de que teremos projetos no futuro. Eu estou otimista. Acho que não será apenas no modelo que fazemos bastante, que é o Lease & Operate. A Petrobrás vai voltar a fazer unidades próprias. Devem surgir outros modelos de negócio no futuro. Acho que temos chance de brigar por esses negócios.

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