EQUINOR QUER AMPLIAR ENTRE TRÊS E CINCO VEZES A PRODUÇÃO NO PAÍS E SE APROXIMA MAIS DA CADEIA FORNECEDORA

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

mauroandradeA Equinor é a segunda maior petroleira do Brasil em termos de volume de produção de óleo e gás. E se depender dos planos da empresa, a ideia é ampliar ainda mais esses números. É o que revela o vice-presidente global de supply chain da companhia, Mauro Andrade. “Nós estimamos que com a entrada de Peregrino 2, Carcará e BM-C-33, nossa produção passará a ser entre 300 mil e 500 mil barris por dia (nosso share) até 2030”, afirmou. Atualmente, a Equinor está no patamar de 100 mil barris por dia. Em entrevista ao Petronotícias, o executivo detalhou outros aspectos importantes, como os projetos de aumentar para até 30% o fator de recuperação do campo de Peregrino, na Bacia de Campos, e as estratégias para redução de emissão de CO2 em suas operações. Além disso, Andrade comenta que a Equinor quer estreitar ainda mais os laços com a cadeia fornecedora brasileira e elenca os pontos necessários para as empresas nacionais que querem fazer negócios com a petroleira norueguesa.

O Brasil é considerado como uma das áreas prioritárias da Equinor. O que levou a esse interesse pelo país?

São vários fatores. Acho que o potencial geológico do Brasil, sem dúvida, é um fator importante. Mas você deve recordar que, mesmo antes das rodadas do pré-sal, a Equinor já tinha o projeto Peregrino Fase 1 desde 2011. Nós estamos prestes a instalar a terceira plataforma no campo, o que nós chamamos de Peregrino Fase 2, com entrada em produção no final de 2020. A Equinor fechou uma parceria de 25% com a Petrobrás em Roncador. E também adquirimos a operação de Carcará. Isso tudo foi feito antes das rodadas do pré-sal. É claro que a disponibilidade de rodadas ajuda a empresa a se programar, mas a companhia já tinha definido o país como um dos hubs internacionais de produção antes mesmo dessas rodadas.

Isso porque consideramos que o Brasil casa bem com a nossa estratégia, pois tem potencial geológico. A própria questão de o país ter dimensões continentais abre oportunidades para além do óleo e gás, como as de energia renováveis. Isso está dentro da nossa estratégia. É um país capaz de conversar com as estratégias definidas pela Equinor em quase todos os segmentos. Não achamos isso em muitos países do mundo. Esta é uma das razões pelas quais escolhemos o Brasil como um dos motores de crescimento daqui para frente.

A Equinor apresentou, durante a OTC Brasil, a sua demanda de produtos e serviços durante um evento para a indústria local. O senhor pode compartilhar conosco um pouco da expectativa da Equinor em relação à cadeia nacional de fornecedores?

Foram passados, durante o evento, três grupos de mensagens. O primeiro é a questão de atenção com saúde, meio ambiente e segurança. E também questões de integridade de negócios e ética, que são expectativas que temos com fornecedores do mundo inteiro, não apenas do Brasil. Isso é fundamental para nós. Sobretudo na parte de transparência e de integridade de negócios. O Brasil passou por uma crise de integridade muito grande que teve origem no setor de óleo e gás. Toda a indústria no Brasil precisa fazer um esforço de melhorar a imagem do país no exterior. A seriedade no ambiente de negócio é importantíssima. 

O segundo grupo de mensagem foi sobre as formas pelas quais podemos colaborar com eles para fazermos um ambiente de negócio melhor.

E, por fim, falamos um pouco de Peregrino, um projeto desafiador que estamos operando há muitos anos. Conseguimos passar da marca de 200 milhões de barris produzidos durante oito anos. É um campo de óleo pesado. Nenhuma outra operadora quis tentar desenvolver essa área, mas a Equinor conseguiu. É uma história de sucesso. Se a Equinor não tivesse tentado, esse óleo ainda estaria debaixo da terra, sem gerar emprego ou riqueza para o país. Temos que reconhecer que o trabalho de Peregrino foi feito em conjunto com os fornecedores. Sozinhos, não teríamos chegado até aqui. Essa foi uma mensagem de agradecimento que passamos no evento. Pedimos que eles continuem engajados conosco, porque além de Peregrino Fase 2, temos Carcará e Pão de Açúcar. Temos, possivelmente, de 30 a 40 anos de operação pela frente levando em consideração somente o portfólio que possuímos. É um chamamento para que os fornecedores tenham uma aderência conosco.

Aproveitando que o senhor mencionou Peregrino, poderia falar a respeito dos planos da Equinor para aumentar o fator de recuperação do campo?

fpso peregrinoTemos ambição de aumentar o fator de recuperação de Peregrino, chegando a cerca de 20% ou 30%. Em um campo de óleo muito pesado, como é o caso, é uma meta bastante ambiciosa. Como o campo de Peregrino é complexo, posso dizer que desde os primeiros dias que começamos a produzir, já pensávamos em métodos de recuperação melhorada.

O que fazemos hoje é a injeção de água para tentar melhorar a recuperação, mas também já testamos a injeção de polímeros no reservatório. Também usamos válvulas, na complementação de alguns poços, para barrar a entrada da água, permitindo só a passagem  de óleo. Esses são exemplos de métodos que estamos usando há muito tempo. No que se refere aos polímeros, este é um projeto que está em fase piloto, que já mostrou resultados promissores. Continuamos estudando isso para seguir em frente.

E, naturalmente, com a fase 2 de Peregrino, vamos perfurar mais poços. Chegaremos em uma parte do reservatório que não alcançamos com as plataformas existentes. Tudo isso vai aumentar o volume de reservas e o fator de recuperação também.

A Equinor pretende replicar iniciativas de redução de emissões de CO2 em outros ativos, além de Peregrino?

Quando abordamos a redução de emissão de CO2, estamos falando de duas coisas. Primeiro, estamos falando em operar um ativo já existente de forma mais eficiente – seja gastando menos combustível ou otimizando sua logística. Ou, para os ativos novos, estamos falando em construir, junto com os fornecedores, um projeto que seja mais eficiente do ponto de vista de consumo de energia.

Para Peregrino, por exemplo, temos algumas iniciativas. Passamos a gerenciar melhor o combustível dos barcos de apoio. No próprio campo de Peregrino, onde geramos energia através de diesel, estamos importando gás da Rota 2. Construímos um gasoduto de 45 km que vai ligar a Rota 2 à nova plataforma do campo. O gás natural entra substituindo o diesel, portanto, com uma redução significativa de 100 mil toneladas de CO2 por ano.

Quais são as metas/previsões de crescimento de produção de óleo e gás no Brasil?

Estamos produzindo atualmente 100 mil barris de óleo equivalente por dia. Esse número se refere à nossa participação. Nós estimamos que com a entrada de Peregrino 2, Carcará e BM-C-33, nossa produção passará a ser entre 300 mil e 500 mil barris por dia (nosso share) até 2030. O valor operado é maior que esse, mas o nosso share será entre 300 mil e 500 mil barris por dia.

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Nelson

Quantos brasileiros estão colaborando na Equinor atualmente?
Quantos serão admitidos nos próximos anos?
A perfuração de dezenas de poços prevista para os próximos anos terá a participação de alguma companhia brasileira? Qual? Em qual setor?