MOVIMENTO CONTRÁRIO A INSTALAÇÃO DAS USINAS NUCLEARES EM ITACURUBA ENTREGA CARTA AO GOVERNO PERNAMBUCANO

wswwswswRepresentantes da Regional Nordeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil entregaram um documento ao governo de Pernambuco contra a implantação de um projeto nuclear previsto para a região de Itacuruba, às margens do Rio São Francisco, no sertão do Estado.  A “Carta de Floresta”, como foi intitulada, faz ponderações com um toque alarmista sobre o resultados dos estudos elaborados por profissionais que durante alguns anos, apontaram para aquela região um ponto positivo para a instalação das novas usinas nucleares no Brasil, fundamentais para geração de energia que o precisaremos até 2050. O texto da carta foi o resultado de dois dias de debates promovidos pela Igreja no início deste mês e inspirado nas palavras do Papa Francisco. A carta sustenta argumentos sobre um alicerce de preconceitos, revelando o requinte de um desconhecimento preguiçoso que esconde do diálogo os benefícios que um complexo nuclear seguro, pode trazer para a população. Não apenas na área de energia limpa, mas de saúde, educação conhecimento, riquezae prosperidade. O exemplo brasileiro com suas usinas nucleares de Angra 1 e de Angra 2 são palpáveis. O complexo Nuclear de Itacuruba não traria apenas progressos para uma região abandonada e empobrecida, mas alavancaria para o Estado de Pernambuco um conhecimento precioso. Passados já dezenove anos do Século XXI, não se pode deixar a obtusidade do desconhecimento ser mais forte do que as claras evidências que o escuro preconceituoso impõe para a vida das pessoas.

ITACURUBA - SERTÃO PERNAMBUCANO

ITACURUBA – SERTÃO PERNAMBUCANO

O Diácono Jaime Bonfim, é articulador da Comissão Regional de Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB Nordeste 2. Ele disse que a carta é para promover o diálogo e que querem ouvir o governo para “ buscar o melhor caminho para as pessoas e o meio ambiente, sobretudo, naquela região do Sertão.” Talvez um primeiro passo para esse diálogo seja procurar informações com a própria Eletronuclear. Sugerimos que sejam apresentados para a população de Itacuruba, uma série de vídeos produzidos pela companhia intitulado VIDAS (Um deles pode ser visto no Vídeos em Destaque aqui no Petronotícias). Nesses pequenos filmes, a empresa consegue de forma brilhante, mostrar o cotidiano real  de pessoas, famílias, que vivem e trabalham nas usinas nucleares de Angra dos Reis. Todos poderão ter esse acesso ao mundo nuclear real. O que já existe e não aquele gerado pela desinformação deliberada, que sempre abre as portas para a manipulação de pessoas.  Buscar conhecer o que a Medicina Nuclear faz pela saúde das pessoas, além do uso dessa tecnologia para preservação de alimentos, são outras  informações que seriam úteis para quem quiser vencer suas próprias suspeitas.

O Petronotícias reproduz agora  alguns trechos da carta entregue pela CNBB Nordeste 2 ao governo de Pernambuco:

“ Nós, bispos, presbíteros, diáconos, religiosas, leigos e leigas, representantes das comunidades quilombolas e de povos indígenas, pesquisadores e estudantes, reunidos em Floresta- PE…sentimo-nos impelidos a escutar o povo de Itacuruba e da região do Sertão de Itaparica a respeito das esperanças e dos temores suscitados pelo projeto de implantação de um complexo nuclear naquele município, à beira do rio São Francisco…..”

HOSPITAL MODELO INSTALADO PELA ELETRONUCLEAR

HOSPITAL MODELO INSTALADO PELA ELETRONUCLEAR

“…Escutar para entender, para se informar, para solidarizar-se, escutar como estilo de caminhar juntos, a fim de que todos possam ser protagonistas das suas vidas e do seu futuro….”

“ … Fomos conduzidos e iluminados pela constatação de que progresso e desenvolvimento só são verdadeiros e reais quando promovem a vida, a partir da vida dos mais necessitados, e não a economia e o lucro de uma restrita elite.Nossa primeira preocupação é com a vida de quantos moram na região, com o trabalho, a cultura, o futuro, a possibilidade de um crescimento e de um desenvolvimento de acordo com as suas caraterísticas, tradições, possibilidades e aspirações….”

“….Sentimos, nas falas deste povo, o drama de quem desejaria mostrar suas forças e energias para o presente e o futuro, mas não tem perspectivas. Esse povo não sente a necessidade de usina nuclear, não acredita em promessas que já ouviu trinta anos atrás e que resultaram na situação problemática em que hoje vive. Progresso não pode ser palavra bonita, mas vazia, não pode significar imposição de um modelo de vida baseado no ter e que acarreta problemáticas sociais muito fortes. Com quais instrumentos de conhecimento, com quais estruturas sociais o povo de Itacuruba e região irá enfrentar a transformação decorrente da chegada de muitas pessoas na sua terra? Quais serão as possibilidades de desenvolver harmoniosamente a sua vida no futuro próximo? …”

“…Diz o Papa Francisco na sua Encíclica Laudato Sí: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão crescendo? Esta pergunta não toca apenas o meio ambiente de maneira isolada, porque não se pode pôr a questão de forma fragmentária. Quando nos interrogamos acerca do mundo que queremos deixar, referimo-nos sobretudo à sua orientação geral, ao seu sentido, aos seus valores… se esta pergunta é posta com coragem, leva-nos inexoravelmente a outras questões muito diretas: Com que finalidade passamos por este

PROJETO DAS USINAS NUCLEARES

PROJETO DAS USINAS NUCLEARES

mundo? Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?…” 

“…A saúde do rio São Francisco também nos preocupa, porque, dele e com ele, o nosso povo vive e cresce,e não pode ser considerado como um instrumento de lucro por uma técnica que sabe fazer muitas coisas, mas que, até agora, raramente foi colocada a serviço da vida plena da nossa casa comum. Todos aceitam com entusiasmo a possibilidade de uma vida melhor, mas isso significa acesso à educação e à saúde, possibilidade de um trabalho real e contínuo, justiça social e defesa das culturas….”

“… É esse o tipo de desenvolvimento de que estamos precisando,algo que faça do povo de Itacuruba e região não pessoas que recebem uma “recompensa” por hospedar um complexo nuclear difícil de aceitar, mas que poderão afirmar sua plena pertença a um País e contribuir para o crescimento dele com humildade e ousadia.”

“…Conclamamos todos os homens e mulheres de boa vontade, independentemente de suas convicções político-ideológicas, a conhecerem os qqaqaaqestudos técnicos e sócio-antropológicos relativos à temática, e a se comprometerem com a defesa e a promoção da vida dos povos, do Rio São Francisco e do meio ambiente como um todo, a fim de que  todos tenham vida e vida em abundância”.

A Carta é assinada por Dom Gabriel Marchesi (foto à esquerda), Bispo diocesano da Diocese de Floresta; Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, Presidente da CNBB Regional NE 2; Dom Antônio Carlos Cruz Santos, Vice-Presidente da CNBB Regional NE 2  e  Dom Limacêdo Antonio da Silva, Presidente da Comissão RegionalPastoral para a Ação sociotransformadora.

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Se a região não quer gerar energia, coloca a região a luz de vela …