PERTO DE COMPLETAR 10 ANOS, LABOCEANO VAI INAUGURAR SISTEMA DE CORRENTEZA EM 2013

Referência mundial em pesquisa e desenvolvimento, o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) surgiu como uma opção nacional para os serviços em hidrodinâmica que eram feitos bem longe do Brasil. Hoje, com tecnologia e infraestrutura de ponta, o laboratório brasileiro, que integra o Programa de Engenharia Naval e Oceânica da COPPE/UFRJ, é o maior do mundo. Perto de comemorar 10 anos de existência e de concluir a instalação de seu avançado sistema de correnteza, previsto para 2013, o laboratório tem no currículo mais de 70 projetos realizados com sucesso. Entre eles, ensaios com modelos semi-submersíveis, plataformas do tipo FPSO, além de testes de operação de equipamentos submarinos. Para saber mais sobre o laboratório e seus projetos, o repórter Rafael Godinho conversou com o coordenador executivo do LabOceano, Paulo de Tarso Themistocles Esperança (ao centro da foto, com pesquisadores japoneses), que assumiu a função em 2010 e também é professor no Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica, bem como do Programa de Engenharia Naval e Oceânica da Coppe/UFRJ.

Qual é o objetivo do LabOceano?

A ideia sempre foi ter um laboratório em que fosse possível simular as condições do mar (ondas, ventos, correnteza) e avaliar os seus efeitos sobre navios e plataformas, bem como em veículos submarinos AUV, que são veículos autônomos não tripulados para missões de reconhecimento por parte da marinha. Nosso objetivo é realmente apoiar o desenvolvimento tecnológico em águas profundas e ultraprofundas. Em 2013, o LabOceano vai fazer 10 anos de idade.

Quais são as proporções do laboratório?

Nosso tanque possui 23 milhões de litros de água, em 30 metros de largura, 40m de comprimento e 15m de profundidade média. O LabOceano é o mais fundo do mundo. As grandes proporções nos permitem simular as condições ambientais às quais o sistema offshore será submetido no mar. Além disso, no fundo do tanque há um poço central de 10m de profundidade e 5m de diâmetro. Nesse poço, fazem-se ensaios de plataformas de pernas tensionadas (TLWP – Tension-Leg Wellhead Platform), tipo muito usado no Golfo do México. A primeira unidade do Brasil está sendo instalada no Campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos, pela Petrobrás.

Como foi idealizado o projeto de construção do LabOceano?

Antes do LabOceano, a parte final dos projetos era executada ou num laboratório da Noruega, chamado Marindtek, com 10m de profundidade média, ou em outro semelhante na Holanda, chamado Marin. Devido à demanda e à distância, surgiu a ideia de construir um laboratório oceânico no Brasil, associado à Petrobrás, com a vantagem do fácil acesso e da fácil interação por causa do idioma. De grandes proporções, hoje existe um laboratório na China com 11m de profundidade média. Ao todo, há 11 laboratórios oceânicos no mundo, de vários tamanhos.

A maioria dos projetos do laboratório é voltada para o setor de óleo e gás?

Sim, mas também existem trabalhos dedicados à energia das ondas, por exemplo. Aqui foi feito o primeiro ensaio para as duas usinas de Pecém, no Ceará. Elas foram projetadas na Coppe/UFRJ, no Laboratório de Tecnologia Submarina, com a cooperação do LabOceano. Agora há duas unidades em tamanho real, as primeiras usinas de ondas da América Latina.

Quem são as pessoas que trabalham no LabOceano?

No LabOceano trabalham cerca de 60 funcionários contratados no regime CLT, entre os quais engenheiros e técnicos administrativos. Além disso, contamos com 15 alunos de graduação, mestrado e doutorado, que ingressam via processo de seleção, e seis professores do Departamento de Engenharia Naval, que participam das atividades na função de consultores. Desses professores, cinco atuam no LabOceano desde a inauguração.

Entre os principais projetos, quais destacaria?

Destacaria os ensaios da plataforma semissubmersível P-55, que está em construção no Estaleiro Rio Grande. Destacaria também o ensaio para o lançamento de uma plataforma autoelevatória para o consórcio Rio Paraguaçu, liderado pela Odebrecht. Os testes foram feitos aqui e foram feitos dois lançamentos de plataformas a partir de uma balsa BVL2. Foi monitorado o lançamento em escala real. Também destacaria os ensaios dos oito FPSOs replicantes da Petrobrás.

O LabOceano é financiado pelo governo, ou apenas pela iniciativa privada?

A grande parte do financiamento na primeira fase do LabOceano veio do CT Petro, da Finep, ligado aos royalties do petróleo. Na segunda parte, foi iniciada a instalação do sistema de correnteza do laboratório, também com auxílio da Finep e substancial contribuição da Petrobrás. A instalação já começou e está próxima da conclusão, com previsão para 2013, no aniversário de 10 anos. Alguns projetos são da Finep, outros são de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia de empresas do setor de óleo e gás (Odebrecht, Shell, Ecovix etc.). Hoje há grande procura por conta do aquecimento do mercado global de petróleo.

Qual a importância da parte computacional num laboratório de experimentação?

Apesar de ser principalmente um laboratório de medição, a parte computacional é fundamental. Por isso temos um supercomputador que nos permite simular diversas operações e nos dá subsídios para a experimentação. Economiza tempo e recurso. Podemos escolher melhor os sensores. No entanto, não elimina a necessidade do teste experimental. Então, o laboratório demanda a parte computacional e experimental.

Qual o mais recente projeto executado no LabOceano?

Tenho como dizer apenas que há um projeto da Petrobrás associado ao lançamento de um manifold (unidade submarina que recebe os dutos). Estamos trabalhando no ensaio desse procedimento.

Há novas perspectivas para o Parque Tecnológico?

Antigamente, o Parque Tecnológico era um terreno descampado, mas agora abriga diversas empresas de pesquisas no setor de óleo e gás. Em breve serão cerca de 15 grandes centro de pesquisa em energia na mesma região.

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