STEINBOCK APOSTA NO MERCADO MERCADO LATINO-AMERICANO E PRIORIZA EÓLICAS NO BRASIL

Por Bruno Viggiano (bruno@petronoticias.com.br) –

Matheus MunfordO foco da Steinbock para os próximos anos no Brasil já não é mais o setor de óleo e gás. A expansão das atividades no setor eólico tem chamado a atenção da empresa, que está realizando seu primeiro projeto no segmento, no Ceará. O diretor da Steinbock, Matheus Munford, afirmou que novas opções já estão sendo buscadas para outros serviços relacionados a eólicas. Projetos em outras áreas também seguem surgindo, como no píer de escoamento de minério de ferro, do projeto S11D da Vale, no Maranhão. No setor de óleo e gás, por enquanto, as possibilidades têm se restringido a conversas sobre gasodutos, especialmente fora do país. A América Latina tem se colocado como um importante mercado para compensar a crise econômica brasileira. “O Brasil acabou trazendo todo o PIB da América Latina para baixo, refletindo na economia de todos os países da região, mas países como Peru, Chile, Guatemala, México e agora Argentina, por conta da eleição do presidente Macri, têm mostrado boas perspectivas”, afirmou Munford.

Do que se trata o contrato da Steinbock com a Vale, no Maranhão?

Nós fomos contratados para a ponta final do projeto S11D da Vale, o píer responsável pelo escoamento da produção de minério de ferro do Pará. A responsável por essa obra é a Queiroz Galvão, para fazer o Píer 4 do Terminal Marítimo de Ponta da Madeira. Nós estivemos na obra até o meio do ano passado, em uma atuação de cinco meses. O objetivo era aumentar a eficiência das obras, reduzindo custos e respeitando os prazos. Um maior complicador nesse projeto foi a característica offshore, mas nós estivemos envolvidos desde o início da obra, o que nos permitiu traçar estratégias de produção e logística com antecedência. É importante imprimirmos a ideia de que o melhor não é o mais rápido, mas a manutenção de um ritmo. Isso é essencial para bons índices de eficiências.

O trabalho com eólicas realizado no Ceará foi o primeiro no segmento?

Nós fomos contratados pela CTZ Tower, uma divisão da Cortez Engenharia, para trabalhar no processo de produção das torres para turbinas eólicas. Elas serão utilizadas no complexo eólico Itarema e este projeto nos deu a oportunidade de ver o encontro da indústria de construção com a indústria fabril. Foi um contrato curto, de apenas três meses, e marcou nossa entrada nesse setor. Os resultados foram muito bons e já estamos tendo conversas com representantes de empresas dessa área para crescer ainda mais nesse mercado. Esse tipo de serviço mostra que nesses casos mais estruturais é importante focar em um trabalho forte, mais até que buscar qualquer tipo de inovação. As torres de concreto não influenciam na eficiência das turbinas, elas precisam estar firmes para sustentar esses equipamentos.

Como a Steinbock coloca em prática esses conceitos para ganhar eficiência e reduzir custos?

Uma das coisas mais importantes nos processos é a gestão das obras, e no Brasil o planejamento de obras costuma ser confundido com gestão. É muito importante saber capilarizar as estratégias traçadas até a ponta do processo, no operário. Nos cerca de 50 contratos que nós tivemos, 100% deles, não importa o tamanho, tinham dificuldade de colocar no chão de obra o que havia sido programado. Nós usamos ferramentas muito simples, e com muito treinamento, uma comunicação para tornar a gestão cíclica, completa, indo do operário até os executivos, em um fluxo de trocas. A Steinbock utiliza muito da cultura alemã na maneira de encarar um projeto, com especial atenção ao takt time, o tempo disponível para a produção dividido pela demanda de mercado. É algo que envolve uma maneira diferente de avançar com os projetos, realizando um front loading dos problemas, diferente do end load que é praticado, onde os problemas são postergados, o que acaba estourando prazos, custos e etc.

Qual o principal foco da empresa? Projetos no setor de óleo e gás continuam sendo a principal atividade?

Nós seguimos buscando projetos nessa indústria, mas há uma crise no setor, que nós não escapamos. Estamos tendo conversas a respeito de um gasoduto no Peru, em um projeto dentro da selva. No setor de óleo e gás, gasodutos são o foco da empresa, mas no Brasil esse tipo de projeto não tem acontecido. O que nos leva a olhar com mais carinho para a América Latina, com o México sendo uma boa opção de negócios também. No Brasil, hoje, a Steinbock vê com boas possibilidades o crescimento das nossas atividades no setor eólico.

A Steinbock está buscando mais projetos no exterior ou no Brasil?

Posso dizer que estamos dividindo de maneira igual o nosso olhar para o Brasil e exterior. Fora do país, o maior foco é a América Latina. O Brasil acabou trazendo todo o PIB da América Latina para baixo, refletindo na economia de todos da região, mas países como Peru, Chile, Guatemala, México e agora Argentina, por conta da eleição do presidente Macri, têm mostrado boas perspectivas. O melhor lugar para se investir, no entanto, é os Estados Unidos. Investir no país é algo que estamos pensando para 2017.

A crise econômica afetou o faturamento da empresa no último ano?

Sim, tivemos já alguma influência no faturamento, mas o posicionamento internacional da empresa – atuante em 11 países – conseguiu dar uma sobrevida aos nossos números. A expectativa para este ano é boa, com uma perspectiva interessante de captar projetos das Olimpíadas, que estão entrando em fase final e ainda tem problemas no cronograma. No atual momento que a economia atravessa, somente projetos com modelo de negócio estruturado serão realizados. Quem vai ganhar serão os que conseguirem captar mais recursos. As obras mais interessantes para se buscar negócios estão em concessões, como aeroportos, que a Infraero se preparava para entrar com 49% do projeto e hoje já se prepara para um modelo sem participação alguma nos investimentos.

Em quais projetos a Steinbock está envolvida no momento?

Nesse momento nós ainda estamos no projeto das eólicas com a CTZ. Em São Paulo, estamos com alguns contratos de concessões, tanto de rodovias, como estradas em geral . No Nordeste também temos atuado em projeto de infraestrutura com governos locais, trabalhando na área de mobilidade urbana. Fora do país, ainda temos alguns contratos para aeroportos e metrôs.

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