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RETOMADA DE INVESTIMENTOS EM CAMPOS MADUROS MOVIMENTA NOVAS TECNOLOGIAS DE ANÁLISE SÍSMICA NA INDÚSTRIA NACIONAL

Por Luigi Mazza (luigi@petronoticias.com.br) –

Josias_SilvaA adaptação a tendências de mercado é a chave para novas oportunidades na crise. Apesar da desaceleração de projetos na indústria nacional de óleo e gás, o investimento em tecnologias segue vivo hoje na medida em que as fornecedoras se curvam à principal demanda do setor: redução de custos. Esse vem sendo o caminho adotado por grande parte da cadeia produtiva brasileira e é o caso da Petrec, startup tecnológica que investe em novos sistemas para análises sísmicas e busca ampliar sua atuação com demandas pela otimização de operações. A empresa vem desenvolvendo a aquisição de dados sísmicos de alta resolução, projeto que pode encolher equipes de 200 pessoas para um grupo de apenas seis profissionais e expandir o suporte à análise de campos terrestres. De acordo com o diretor executivo da Petrec, Josias Silva, o método de redução de gastos também será voltado ao setor de mineração, que vem sendo enxergado pela companhia como uma alternativa de investimento em meio à crise do segmento de petróleo. O foco da empresa, no entanto, segue direcionado à cadeia produtiva de óleo e gás, pela qual participa do novo ciclo do InovAtiva Brasil, programa desenvolvido pelo governo federal para estimular a inovação de startups na indústria nacional. Além disso, as demandas do segmento vêm crescendo com a perspectiva de novas ofertas de campos maduros no mercado brasileiro, afirma Silva, que enxerga nesse cenário a oportunidade para parcerias voltadas a tecnologias onshore com pequenas produtoras. “São projetos de reinterpretação de dados, com sísmica de alta resolução, e outros métodos que podem ser associados à redução de custos. Estamos sendo contratados por empresas internacionais para atuar em projetos dessa área.

Quais são hoje os principais projetos da Petrec?

Nós temos atualmente dois projetos com a Sinochem: um é para a caracterização de carbonatos na Bacia de Santos, e o outro é voltado ao desenvolvimento de metodologia para exploração de gás de xisto no Recôncavo Baiano. O projeto de pesquisa começou em julho do ano passado. E nós estamos também desenvolvendo projetos internos, como uma biblioteca digital, que segue a linha da digitalização de rochas.

Como é constituída essa biblioteca?

É um processo bastante inovador. Nós usamos um tomógrafo médico para digitalizar a rocha e a partir disso temos uma imagem do testemunho. Tratamos a imagem e então conseguimos ver as propriedades do material, como sua porosidade, fraturas, etc. Nós botamos essa imagem digitalizada em um banco de dados com a ANP, de forma integrada e que pode ser acessada de qualquer lugar. Você conecta as informações disponíveis de um poço e tudo fica cadastrado nesse banco. É um projeto interno que está na fase de registro, sendo colocado no mercado.

Quando ele deverá ser lançado?

O protótipo já está pronto; a única coisa que estamos esperando é o registro da marca. Já fizemos vários ensaios de digitalização, colocamos banco de dados. Deve ser lançado ano que vem, mas oferecemos para algumas empresas e a biblioteca já está vendendo.

Que benefícios esse projeto pode gerar?

O foco disso é criar uma facilidade, tanto na organização quanto na avaliação das características. Hoje os testemunhos estão localizados em depositários, as empresas guardam isso em galpões. A ideia da digitalização é que a empresa possa trabalhar de forma não destrutiva, para que não se percam as características. Outra grande vantagem é espalhar conhecimento, porque isso pode ser mostrado em outros países, inclusive com muito mais riqueza de detalhes do que ao vivo. Traz uma série de benefícios.

A avaliação digital permite então uma análise melhor que a laboratorial?

Quando temos o resultado da petrofísica digital, sempre comparamos com o laboratório para poder amarrar a conclusão. A grande vantagem é poder fazer cálculos que a petrofísica normal não permite, como é o caso da microporosidade. Podemos fazer a simulação de fluidos, ensaio de pressão e estudar diferentes cenários de produção de reservatório, com fatores como temperatura e viscosidade.

A dificuldade financeira do setor vem afetando as demandas da Petrec?

Nós realmente estamos enfrentando esse problema, porque o mercado de serviços está em baixa com o preço do barril. Estamos desenvolvendo aqui uma solução no sentido de diminuir os custos para as empresas por meio da aquisição de dados com aerogeofísica. Outra solução consiste em fazer aquisição de dados sísmicos em alta resolução e com uma equipe bastante reduzida. É um projeto interno que também estamos tentando operacionalizar, e temos integração com outros métodos, como magnetometria. Nós damos suporte para o caso de campos terrestres, por exemplo, que têm uma qualidade de dados muito ruim. Queremos integrar esses métodos geofísicos com métodos sísmicos para reduzir custos.

Qual é a projeção de redução de custos com esse processo?

Uma aquisição de dados, com uma equipe sísmica normal, envolve geralmente cerca de 200 pessoas. É uma movimentação muito grande. Nós fazemos isso com seis pessoas. A profundidade atinge um máximo de 2 quilômetros, mas o processo sai muito mais em conta. Ainda temos que fechar nosso plano de negócios, então esse valor não está fechado porque falta calcularmos o custo de importação de algumas máquinas.

A Petrec está participando InovAtiva Brasil, programa do governo federal para estimular startups tecnológicas. Qual foi o projeto escolhido para integrar o programa?

Nós vamos colocar esse nosso projeto de aerogeofísica. Será voltado tanto para o mercado de óleo e gás quanto para outras áreas.

A empresa busca hoje atuar em outros segmentos?

Estamos montando um plano de negócios para o setor de mineração e resolvendo uma série de fatores para fornecer a esse mercado usando métodos geofísicos, tanto na fase de exploração não predatória quanto no controle de barragens.

Quando esse plano deverá ser lançado?

Até a metade deste ano já vai estar pronto. O mercado de óleo e gás está em baixa, então estamos redirecionando. Mas outro mercado em que também estamos de olho é o desinvestimento da Petrobrás em campos maduros. Estamos sendo contratados por empresas internacionais para atuar em projetos dessa área.

Quais têm sido as demandas para a produção nesses campos?

São projetos de reinterpretação de dados, com sísmica de alta resolução, e outros métodos que podem ser associados à redução de custos. A Petrobrás está mais focada no pré-sal, realmente não é mais vantagem ficar operando campos com produção de 2 mil barris por dia. Mas para uma empresa pequena, microprodutora, é extremamente rentável.

A Petrec já vem dando início à atuação nesses projetos?

O que nós fazemos já está pronto para ser aplicado nesse tipo de mercado. Hoje nós estamos fazendo o levantamento de todas as ofertas que a Petrobrás está colocando no mercado e criando um mapeamento dos dados geológicos.

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