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BENDINE RENUNCIA À PRESIDÊNCIA DA PETROBRÁS

Aldemir BendineO presidente da Petrobrás, por fim, subiu ao telhado. Na tarde desta segunda-feira (30), Aldemir Bendine apresentou sua carta de renúncia ao Conselho de Administração da estatal, marcando o final de um legado conturbado à frente da maior empresa do país. Com sua saída, abrem-se agora os caminhos para uma nova gestão liderada por Pedro Parente, ex-ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso que foi nomeado por Michel Temer e pode assumir já nesta terça-feira (31) as rédeas da companhia.

Em sua carta de renúncia, Bendine realça os feitos de sua gestão e comemora os cortes de investimentos que renderam à Petrobrás um “caixa robusto, superior a R$ 100 bilhões”. Cortes esses que, embora tenham favorecido as finanças da companhia no médio prazo, levaram à crescente paralisação de projetos na indústria nacional, agravando o cenário de crise com uma cadeia de endividamentos e perdas nos mais diversos setores produtivos.

Após uma carreira de bancário na presidência do Banco do Brasil, Bendine assumiu a Petrobrás em fevereiro de 2015, no centro do furacão que, com peso reforçado, impactou a empresa tanto em termos econômicos quanto políticos. Criticado tanto internamente quanto por observadores externos do mercado, o executivo se despede da empresa definindo a si mesmo como petroleiro.

Segue a íntegra da carta, divulgada pelo Valor:

“Caros colegas, Gostaria de comunicar a vocês que apresentei hoje, ao Conselho de Administração, minha carta de renúncia ao posto de diretor-presidente da Petrobras. Tomei esta decisão para que os conselheiros possam conduzir as propostas de mudança na diretoria feitas pelo acionista controlador sem sobressaltos que possam prejudicar os interesses da companhia.

Deixo esta empresa com a enorme satisfação de ter podido participar da história da maior empresa do Brasil, que dá os primeiros passos para virar a página da maior crise do nosso mundo corporativo e voltar a ser orgulho de todos os brasileiros.

Cheguei aqui no momento de maior pessimismo com os rumos da companhia. Sem um balanço financeiro avalizado, corríamos o risco concreto da execução precoce das nossas dívidas.

Lidávamos ali com o que muitos chamam de “tempestade perfeita”: uma conjuntura adversa em que problemas de natureza distinta se sobrepõem e se potencializam. Não bastasse a queda aguda nos preços do petróleo, fomos obrigados a enfrentar forte desvalorização do real frente ao dólar e lidar com as descobertas da Operação Lava-Jato, que revelou um conjunto de crimes praticados contra a companhia, com a participação inclusive de ex-executivos da empresa.

Não havia dúvida de que os desafios eram enormes, mas o contato com a brilhante força de trabalho desta empresa me deixou cheio de confiança de que superaríamos todos. Hoje, quinze meses depois, são muitas as vitórias que podemos comemorar juntos.

Da ameaça de apagão financeiro, chegamos a um caixa robusto, superior a R$ 100 bilhões. Essa marca é resultado direto do corte nos investimentos e do enxugamento nos custos operacionais, que fizeram com que nossas despesas fossem menores que nossas receitas pela primeira vez desde 2008.

Em outra frente, redesenhamos a estrutura organizacional na busca de construir uma Petrobras mais leve e moderna, compatível com o momento atual que vive o setor de óleo e gás no mundo.

Todo o modelo decisório foi revisto, assegurando que as decisões estratégicas e a contratação de fornecedores sejam sempre colegiadas. Uma empresa em que os critérios técnicos guiem as decisões e em que seus executivos não ajam como senhores, mas como servidores dos interesses da empresa.

Não poderia deixar de manifestar minha gratidão e meu reconhecimento aos meus colegas da diretoria executiva, com quem dividi as decisões tomadas ao longo deste período. O profissionalismo, o talento e o amor de vocês pela Petrobras foi uma fonte permanente de estímulo e aprendizado.

Também agradeço aos conselheiros, que demonstraram compreensão clara dos obstáculos no caminho da Petrobras e se empenharam vigorosamente na busca de meios para superá-los.

Por fim, deixo meu agradecimento a todos os empregados e colaboradores da Petrobras, em todos os postos no Brasil e no exterior. Os desafios pela frente são enormes, mas não há time mais preparado, coeso e qualificado para enfrentá-los que vocês.

Um forte abraço deste petroleiro

Aldemir Bendine”

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