Megabanner

FPSO DE LIBRA PODE NÃO SER CONSTRUÍDO NO BRASIL POR POSSÍVEIS ACORDOS DE FINANCIAMENTOS INTERNACIONAIS

fernando borgesO FPSO de Libra corre o risco de ser construído sem conteúdo local, sob a alegação de que a indústria brasileira não oferece um preço competitivo. Mas esta desculpa apresentada pela Petrobrás e suas parcerias nem de longe convence o mercado. A convicção de membros do setor é de que o esforço da estatal em tentar aprovar o perdão pelo não cumprimento dos índices é resultado da pressão de instituições financeiras do exterior, como os bancos chineses. Esta hipótese, inclusive, foi levantada pelo presidente da Abimaq, José Velloso, durante a audiência pública sobre o pedido de waiver para o navio-plataforma. A visão do mercado é clara: os chineses só financiarão o projeto caso a unidade seja construída em seus estaleiros. Mas o líder do consórcio de Libra, Fernando Borges (foto), se esquivou da acusação, dizendo que o consórcio “não enxerga isso” e recorreu à justificativa de que são as afretadoras que são responsáveis pelo financiamento da construção. “Cada um busca seu recurso de financiamento. Por exemplo, a Modec, por ser de origem japonesa, busca bancos japoneses. A SBM busca outro grupo de instituições, da Europa“, alegou.

Além disso, Borges insistiu na ideia de que 40% dos gastos com o FPSO de Libra serão realizados no Brasil. No entanto, ao ser questionado sobre os percentuais que o consórcio está exigindo das afretadoras, preferiu não citar nenhum número. Disse que os números do edital estão disponíveis para consulta pública. No entanto, o Petronotícias solicitou à Petrobrás para ter acesso ao edital. Foram várias tentativas até o fechamento desta matéria, todas sem sucesso. Pode ser público, mas não está disponível.

O senhor poderia detalhar um pouco como foi feito o cálculo, apresentado durante a audiência pública, de que 40% dos gastos com FPSO de Libra seriam feitos no Brasil?

No levantamento dos últimos oito FPSOs que fizemos no Brasil, que seguiram o modelo de afretamento, quando a unidade chegou ao País, em média, 53% do custo da unidade já haviam sido gastos pelo empreendedor. Com a unidade no Brasil, 47% foram gastos no País. Lógico que parte desses 47% foram porque, enquanto que a obra está no Brasil, ele importou equipamentos para incorporar em módulos nacionais. Mas uma estimativa que temos, quando citei o número 40%, vem desse levantamento histórico que os empreendedores investiram aqui no Brasil 47% do valor total da unidade. Parte disso importando equipamentos, mas grande parte comprando equipamentos do Brasil e adquirindo engenharia nacional. O que é necessário entender quando se fala em critérios de conteúdo local, é que eles só existem quando há nota fiscal. Como foi alegado, eu não tenho uma fatura de um serviço de engenharia, portanto não é certificável. Então, muito do que o empreendedor faz aqui, com toda sua força de trabalho própria, não aparece, apesar de serem empregos para brasileiros.

O instrumento contratual que existe, na cláusula 25.8, coloca que o waiver é por contrato. Eu tenho um único contrato de afretamento. O que sobrou para o instrumento contratua, que engloba o contrato como um todo, é o waiver. Não existe meio waiver. O waiver é a isenção porque tem sobrepreço. Então, nós pedimos o waiver perante a ANP. Perante o mercado, no nosso edital, exige o conteúdo local sim. Exige um conteúdo que repete a lógica construtiva destes últimos FPSOs.

Qual o percentual exigido?

Você falar em números, em quantos porcento, isso é complicado. Se você analisa as cinco primeiras rodadas, o requisito contratual era de 30% de conteúdo local. E o critério de medição da época nos levava a realizar de 60% a 65% de conteúdo local. Não existe uma linha para FPSO. Existe uma tabela com 45 itens para representar o FPSO. Não é igual a linha sonda de perfuração, que tem um valor global.

Para engenharia básica e detalhada, qual o percentual que consórcio está estipulando, já que este item não pode ser isento de conteúdo local?

Eu não tenho a fatura de engenharia básica, eu não contrato engenharia básica, eu contrato um FPSO para afretar.

Mas o senhor está dizendo que vai ter alguma exigência de conteúdo local. Então, está previsto algum percentual para cada um desses itens?

Sim, está na apresentação. O que estou dizendo é que, do custo total do FPSO, estimamos que 40% será gasto no Brasil. Parte disso naqueles módulos nacionais, onde também tem equipamentos importados. Naquele módulo fabricado no Brasil, a empresa gasta alguns recursos para importar alguns equipamentos. Da mesma forma que o vaso de pressão que é feito em um aço especial, super duplex, esse aço não é fabricado no Brasil. Parte do custo foi com importação. Então, isso não é certificável. A parte certificável do vaso de pressão super duplex é só aquele agregado de serviço da empresa que o fabricou. Toda a parte do material não é certificável.

O senhor está incluindo o OPEX nesse número?

Não. Estamos falando apenas do contrato de afretamento. O OPEX se refere ao contrato de serviço para a operação da unidade, que começa a partir da produção.

Foi levantada a hipótese de a China estar pressionando para liberar financiamento. Isso é um fator relevante para vocês? Isso está dentro do escopo da negociação?

Isso nós não enxergamos. Quem busca o financiamento são os afretadores. Cada um busca seu recurso de financiamento. Por exemplo, a Modec, por ser de origem japonesa, busca bancos japoneses. Isso que sei lhe dizer. A SBM busca outro grupo de instituições. Isso depende do afretador.

1
Deixe seu comentário

avatar
1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors
alexandre loz. Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
alexandre loz.
Visitante
alexandre loz.

Eu gostaria de saber qual operadora, em sã consciência, deixaria de explorar o pré sal brasileiro, mesmo se o conteúdo local fosse mantido. Quanto custa uma plataforma? Quanto tempo ela trabalha? Quanto petróleo vai extrair? Então façam a conta. Conta de padeiro mesmo. Quanto bla bla bla. Conteúdo nacional não deveria obedecer interesse de quem é o maior beneficiado com a exploração do petróleo, deveria ser objeto de política governamental e ponto final. País vendido a preço de banana.