BRA CERTIFICADORA AJUDARÁ NA IMPLEMENTAÇÃO DE CONTEÚDO LOCAL EM ANGOLA

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

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O diretor-executivo da BRA Certificadora, Tiago Martins

A Angola está implementando sua política de conteúdo local no setor de óleo e gás. E, para isso, vai contar com a experiência brasileira nesse novo momento. A empresa brasileira BRA Certificadora fechou uma parceria com a consultoria PetroAngola, com o objetivo de auxiliar o país africano na introdução de conteúdo local dentro do mercado petrolífero. A BRA também ajudará na formação profissional em Angola em temas relacionados não só a conteúdo local, mas também a compliance, governança e gestão de risco. Olhando para o futuro, a BRA Certificadora ainda entrar em Angola, por meio de uma joint venture com sua nova parceira. “Para o futuro, nos tornaremos um potencial certificador no mercado de Angola, com uma empresa constituída formalmente no país”, disse o diretor-executivo da companhia brasileira, Tiago Martins. Pelo lado da PetroAngola, o foco maior está em contribuir com o seu país a desenvolver a política de conteúdo local da melhor forma possível. “O maior desafio dessa parceria é ajudar a encontrar uma forma clara, objetiva, simples e menos onerosa para garantir uma implementação eficiente do conteúdo local em Angola”, afirmou o CEO da PetroAngola, Patricio Quingongo.

Poderia começar nos contando um pouco como surgiu a ideia de formar a parceria entre as duas empresas?

Tiago – No final do ano passado, a BRA foi convidada para um seminário sobre conteúdo local em Angola. O evento foi organizado pela PetroAngola, uma das maiores empresas de consultoria na área de óleo e gás do país. Foi um seminário representativo, com a presença de ministros de estado de Angola, entidades profissionais do mais alto gabarito, pessoas dos Estados Unidos ligadas ao tema de conteúdo local e representantes de empresas.

O nosso sócio-gerente da parte de conteúdo local, Elmar Mourão, fez uma palestra no evento, que foi muito bem avaliada. Somos a segunda maior certificadora de conteúdo local do mercado brasileiro. Estamos concentrados na parte nobre de exploração e produção – os equipamentos. Hoje, atendemos os principais fabricantes de equipamentos e sistemas do mercado, como Schlumberger, Halliburton, Technip, Aker, OneSubsea, Repsol, Chevron, MFX, Oceanering, Hirsa e outras.

Depois do evento, recebemos um convite do diretor da PetroAngola para firmar uma parceria bilateral. Eles têm interesse no mercado brasileiro porque sabem que temos escolas excelentes para formação de profissionais para óleo e gás. A Angola ainda é muito carente de mão de obra qualificada. Por isso, eles têm o interesse em criar uma ponte com o Brasil.

E como vai funcionar, na prática, essa nova parceria?

Patricio Quingongo

O CEO da PetroAngola, Patricio Quingongo

Patrício – A BRA veio nos prestar suporte técnico. A PetroAngola ocupa um lugar primordial na implementação do conteúdo local. Estamos focados na valorização dos angolanos e das empresas nacionais que prestam serviços na indústria de petróleo e gás. A BRA traz consigo sua experiência do Brasil, sendo a segunda maior certificadora do país. Juntos, vamos criar a sinergia necessária para alavancar o conteúdo local em Angola. A PetroAngola tem um centro especializado em formações executivas para funções de petróleo e gás. Em conjunto com a BRA, vamos trabalhar em formações ligadas ao conteúdo local, compliance e governança.

Como a BRA Certificadora poderá contribuir para as discussões do conteúdo local em Angola?

Tiago – Vamos oferecer as lições aprendidas aqui no Brasil, que tem conteúdo local desde meados de 2007. Poderemos compartilhar o que aprendemos nesse período sobre como a certificação é conduzida e elaborada.

A PetroAngola tem um envolvimento muito grande com o próprio governo angolano e com a ANPG (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis de Angola). Por isso, provavelmente estarão no grupo de trabalho que discutirá como implantar as políticas de conteúdo local e instituir as certificações. Com essa parceria bilateral com a PetroAngola, a BRA poderá participar dessas discussões, levando a experiência brasileira. Para o futuro, nos tornaremos um potencial certificador no mercado de Angola, com uma empresa constituída formalmente no país.

Quais serão as primeiras ações dentro do escopo dessa parceria?

Kizomba-A-FPSOPatrício As primeiras ações serão as formações, que começarão agora em fevereiro. O objetivo é criar um background para o pessoal da indústria de Angola. Apesar de a indústria petrolífera ter mais de 100 anos de atividade no país, nunca se colocou tanta ênfase no conteúdo local como está sendo feito agora.

Não existia um respaldo legal específico para o conteúdo local. Isso passou a existir a partir de outubro do ano passado. Então, com a nova lei, foram criadas as condições legais para que se possa implementar um conteúdo local eficiente em Angola. É isso que vamos fazer.

Não existe um starting point melhor do que a parte informativa. Vamos ensinar as pessoas e as empresas o que é conteúdo local. A parte governamental também precisa conhecer os benefícios para que, em conjunto, possamos trabalhar para implementar um conteúdo local eficiente em Angola.

A BRA e a PetroAngola hoje são um único corpo aqui em Angola para dar esse suporte à implementação de um conteúdo local para o setor petrolífero do país.

Que perspectivas se abrem para a BRA Certificadora a partir dessa parceria?

Tiago – Hoje, estamos direcionando essa parceria para a parte de treinamento e formação de profissionais, tanto em óleo e gás quanto para compliance, governança e gestão de risco. Ao mesmo tempo, já prevemos uma construção de uma joint venture formal, na qual trabalharemos em consultorias e certificações no mercado angolano e no continente africano como um todo. Vemos com muito bons olhos as perspectivas de desenvolvimento do mercado de óleo e gás da região.

No futuro, nos próximos dois anos, esperamos começar de fato a atuar localmente na prestação de serviços de certificação e consultoria,  através de uma joint venture com a PetroAngola.

Gostaria que apresentasse um panorama atual da política de conteúdo local em Angola.

fpso-girassolPatrício – O conteúdo local tem sido um grande desafio para o governo, as empresas e as operadoras. Nosso maior problema passa a ser a falta de industrialização de Angola. Nosso país é pouco industrializado e todos os bens e serviços são basicamente importados. Isso prejudica completamente as intenções de criar um bom conteúdo local no país. Os serviços que são prestados pela indústria petrolífera, em sua maioria, são importados. O conteúdo local em Angola até hoje é inferior a 10%. Ou seja, mais de 90% dos bens e serviços que são prestados em Angola vêm de fora.

Queremos inverter essa pirâmide. O objetivo é construir uma base sólida com conteúdo local e desenvolver as capacidades dos técnicos angolanos que trabalham na indústria de petróleo e gás. Queremos desenvolver a capacidade das empresas que prestam serviço na indústria de petróleo e gás. Isso só é possível agora porque há uma lei que obriga a contratação das empresas angolanas em detrimento às empresas estrangeiras. Então, foi um passo positivo dado pelo governo, que criará um ambiente propício para potencializar as empresas angolanas.

Poderia explicar como a BRA vai atuar no processo de formação de profissionais de Angola?

Tiago – Vamos atuar na formação e capacitação dos profissionais técnicos e de nível superior de Angola na área de exploração e produção; na área de conteúdo local; e também em compliance – que já se tornou também uma necessidade no mundo inteiro.

A BRA foi a pioneira no desenvolvimento do primeiro padrão de certificação anticorrupção completo. Por isso, fomos convidados pela PetroAngola para introduzir isso no país, ainda de forma bem inicial. A ideia é levar um pouco dessa conscientização sobre técnicas de implementação dos programas de integridade e de certificação de compliance para que comecem a ter a percepção de como isso funciona. De igual forma, trabalharemos com a parte de gestão de risco e de governança corporativa. Essa é uma área onde somos muitos fortes no Brasil.

Vamos começar a formar esses profissionais, seja na parte mais pesada de conteúdo local ou na metodologia de cálculo. Também abordaremos a experiência brasileira, como a certificação evoluiu por aqui e como eles podem aproveitar essas lições. Ao mesmo tempo, vamos ajudá-los na compreensão de técnicas, sistemas, equipamentos e processos de exploração e produção. E especificamente, de uma forma ampla, ajudaremos na formação de profissionais na parte de governança e riscos e na transferência de tecnologia e metodologia desse tipo de tema.

O que o setor de óleo e gás de Angola pode esperar de frutos com a celebração desse acordo?

bandeira-angolaPatrício – Neste momento, estamos à procura da melhor forma de regulamentar o conteúdo local. A lei de conteúdo local precisa ser executada. Então, um dos focos da nossa parceria será procurar uma melhor forma de implementação dessa lei. De forma que o conteúdo local não impacte negativamente a indústria, encarecendo a atividade petrolífera e aumentando o tempo dos serviços prestados.

Mas, por outro lado, que essa lei beneficie as companhias operadoras, as empresas que prestam serviço e também o governo e a economia angolana. O maior desafio dessa parceria é ajudar a encontrar uma forma clara, objetiva, simples e menos onerosa para garantir uma implementação eficiente do conteúdo local em Angola.

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