BRASIL DEVE ECONOMIZAR CERCA DE US$ 5 BILHÕES EM 2022 POR CAUSA DE INVESTIMENTOS EM RENOVÁVEIS NO ÚLTIMO ANO | Petronotícias





BRASIL DEVE ECONOMIZAR CERCA DE US$ 5 BILHÕES EM 2022 POR CAUSA DE INVESTIMENTOS EM RENOVÁVEIS NO ÚLTIMO ANO

Francesco La CameraEnquanto a Europa passa por um sufoco com os altos preços das fontes fósseis e se esforça para reduzir sua dependência dos hidrocarbonetos da Rússia, o Brasil vive em um cenário oposto. A forte presença das fontes limpas em nosso país garantirá um certo alívio nos custos com energia. É o que afirma um novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês). Segundo o documento, o Brasil vai economizar cerca de US$ 5 bilhões em 2022, graças aos investimentos em fontes renováveis realizados no ano passado – que evitarão custos adicionais com a geração de energia fóssil. Esse montante é o segundo maior de todo o mundo, ficando atrás apenas da China – que deve economizar cerca de US$ 30 bilhões por conta de seus novos projetos renováveis. A excelente posição do Brasil apontada no relatório da IRENA é explicada, principalmente, pela forte presença da fonte eólica terrestre no país.

Dos cerca de US$ 5 bilhões economizados no país em 2022, os novos projetos de energia eólica onshore adicionados em 2021 responderão por uma fatia de aproximadamente US$ 3,5 bilhões. A energia solar fotovoltaica também trará uma contribuição considerável, trazendo uma economia de US$ 1 bilhão para o Brasil. Por fim, a biomassa e a energia hidrelétrica somadas trarão ganhos de US$ 500 milhões.

EOLICAO relatório da IRENA, chamado “Renewable Power Generation Costs in 2021(disponível, em inglês, clicando aqui), mostra que quase dois terços ou 163 gigawatts (GW) da energia renovável instalada no mundo em 2021 teve custos menores que a opção a carvão mais barata do G-20. Por isso, diante dos atuais altos preços dos combustíveis fósseis, a energia renovável adicionada em 2021 economiza cerca de US$ 55 bilhões dos custos globais de geração de energia em 2022.

As energias renováveis são de longe a forma mais barata de energia atualmente. O ano de 2022 é um exemplo gritante de quão economicamente viável a nova geração de energia renovável se tornou. A energia renovável libera as economias da volatilidade de preços e importações de combustíveis fósseis, reduz os custos de energia e aumenta a resiliência do mercado – ainda mais se a atual crise de energia continuar”, disse o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera.

A IRENA destacou também o importante papel que as energias renováveis de custo competitivo vão desempenhar na transição energética, de acordo com o limite de aquecimento de 1,5°C e as metas do Acordo de Paris. De acordo com a agência, as fontes solar e eólica possuem prazos relativamente curtos para implantação de projetos. Por isso, elas serão vitais nos esforços dos países para reduzir rapidamente e, eventualmente, eliminar os combustíveis fósseis e limitar os danos macroeconômicos que causam na busca de zero emissões líquidas.

COMGAS-064Embora uma resposta temporária à crise possa ser necessária na situação atual, desculpas para suavizar as metas climáticas não serão válidas a médio e longo prazo. A situação de hoje é um lembrete devastador de que as energias renováveis e a economia de energia são o futuro. Com a COP27 no Egito e a COP28 nos Emirados Árabes Unidos chegando, as energias renováveis fornecem aos governos energia acessível para se alinhar com as zero emissões líquidas e transformar suas promessas climáticas em ações concretas com benefícios reais para as pessoas no terreno”, acrescentou La Camera.

Os altos preços do carvão e do gás fóssil em 2021 e 2022 também deteriorarão profundamente a competitividade dos combustíveis fósseis e tornarão as energias solar e eólica ainda mais atraentes. Com um aumento sem precedentes nos preços do gás fóssil na Europa, por exemplo, a nova geração de gás fóssil na Europa se tornará cada vez mais antieconômica ao longo de sua vida, aumentando o risco de ativos ociosos.

solarNas contas da IRENA, os custos de combustível e CO2 para usinas de gás existentes podem ser, em média, de quatro a seis vezes mais caros em 2022 do que o custo vitalício de uma nova energia solar fotovoltaica e eólica onshore comissionada em 2021. A agência afirma que, entre janeiro e maio de 2022, as gerações solar e eólica podem ter economizado na Europa importações de combustíveis fósseis na ordem de US$ 50 bilhões, predominantemente gás fóssil.

Quanto às cadeias de suprimentos, os dados da IRENA sugerem que nem todos os aumentos de custos de materiais foram repassados ainda aos preços de equipamentos e custos de projetos. Se os custos dos materiais continuarem elevados, as pressões de preços em 2022 serão mais pronunciadas. Entretanto, os aumentos podem ser ofuscados pelos ganhos gerais das energias renováveis de custo competitivo em comparação com os preços mais altos dos combustíveis fósseis.

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