DIRETOR GERAL DA AGÊNCIA INTERNACIONAL ATÔMICA ALERTA CONSELHO DE SEGURANÇA SOBRE OS ATAQUES IRANIANOS CONTRA USINAS NUCLEARES
Alerta nuclear. Em uma reunião com o Conselho de Segurança das Nações Unidas após um ataque com drone do Irã, próximo ao perímetro interno da usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi, alertou para as consequências “gravíssimas” de um impacto direto. Na verdade, é mais uma prova da irresponsabilidade dos líderes da ditadura teocrática dos Aiatolás sanguinários iranianos. Imagine o país de posse de um artefato nuclear. Um ataque com drone na manhã de domingo (17) causou um incêndio em um gerador elétrico localizado fora do perímetro interno da usina dos Emirados Árabes Unidos. Geradores a diesel de emergência foram necessários para fornecer energia à unidade 3 de Barakah até que a energia externa fosse restabelecida em quantidade suficiente. Os níveis de radiação permaneceram normais o tempo todo e não houve relatos de feridos.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que suas investigações constataram que o drone, assim como outros que foram interceptados com sucesso, tinha origem em território iraquiano, embora tenham sido lançados pelos iranianos. Grossi afirmou ter estado em contato com líderes “em toda a região do Golfo e percebo a inquietação e a grande preocupação. Tenho discutido como a AIEA pode oferecer mais assistência. Desde o ano passado, a AIEA tem vindo a recolher informações, bem como a analisar e avaliar as capacidades de preparação e resposta a emergências. Viajarei em breve ao Golfo para dar continuidade a este importante trabalho conjunto.”
Na reunião, ele disse que “A AIEA continuará a fornecer orientações e treinamento às autoridades competentes e aos socorristas em áreas como: impacto radiológico, medidas de proteção de emergência para o público e trabalhadores, mecanismos internacionais de emergência, planos de resposta a emergências e fornecimento de equipamentos e serviços para apoiar a resposta a emergências. Estamos prontos para, se necessário, mobilizar os especialistas em segurança nuclear da Agência para apoiar os esforços de segurança nuclear no terreno.”
A AIEA, que é uma agência das Nações Unidas, possui um Centro de Incidentes e Emergências em sua sede em Viena, Áustria, que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. “A situação é extremamente preocupante. Trata-se de uma instalação nuclear no Oriente Médio, onde as consequências de um ataque
poderiam ser gravíssimas. É uma usina nuclear em operação e, como tal, abriga milhares de quilos de material nuclear no núcleo dos reatores, tanto combustível novo quanto usado. Quero deixar absolutamente claro: em caso de ataque à Usina Nuclear de Barakah, um impacto direto poderia resultar em uma liberação altíssima de radioatividade para o meio ambiente.”
Rafael Grossi, que é candidato à presidência da ONU, disse ainda que “Um impacto que desativasse as linhas de fornecimento de energia elétrica à usina poderia aumentar a probabilidade de fusão dos núcleos dos reatores, o que poderia resultar em uma alta liberação de radioatividade. Nos piores cenários, ambas as
situações exigiriam medidas de proteção, como evacuações e abrigo da população ou a necessidade de ingestão de iodo estável, com alcance que varia de alguns a várias centenas de quilômetros. O monitoramento da radiação precisaria cobrir distâncias de várias centenas de quilômetros e restrições alimentares poderiam ser necessárias.”
Falando por videoconferência aos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova Iorque, nos EUA, o
diretor geral da agência atômica acrescentou que os “Ataques a instalações nucleares destinadas a fins pacíficos são inaceitáveis. Isto está em consonância com as resoluções da Conferência Geral da AIEA. Os ataques são ainda mais perigosos quando dirigidos a centrais nucleares em funcionamento, como a central nuclear de Zaporizhzhia, a central nuclear de Kursk, a central nuclear de Bushehr, a central nuclear de Barakah ou qualquer outra central nuclear. As centrais nucleares estão protegidas pelo direito internacional humanitário.” Ele reiterou seu apelo para que se demonstre a máxima contenção: “As atividades militares contra centrais nucleares e outras instalações nucleares acarretam riscos inegáveis… é evidente que o único caminho sustentável para a paz, a estabilidade e a cooperação é aquele baseado no diálogo e na diplomacia”.

publicada em 20 de maio de 2026 às 14:30 






O paradoxo kafkaniano na questão dos ataques à usinas nucleares na Ucrânia e no Oriente Médio é que dois dos cinco membros permanentes, China e Rússia, estão por trás (ou por cima) dos ataques, através de seus proxies. A que ponto chegamos.
Mas usinas nucleares não são tão frágeis quanto a retórica do Grossi faz crer.