ECMAN ESTÁ PERTO DE ASSINAR CONTRATO PARA OBRAS EM NOVO TERMINAL DE GNL NO BRASIL

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

1622052714670A construtora Ecman é uma das empresas que tem conseguido crescer mesmo em meio aos desafios atuais da economia. No Brasil, a companhia está bem perto de fechar dois novos contratos já no início do ano. Enquanto isso, a empreiteira também se prepara para alçar voos transoceânicos, mirando nos mercados dos Estados Unidos e da África. Para conhecer mais sobre esse momento da companhia, conversaremos hoje (25) com o diretor executivo da Ecman, Luciano de Carvalho. Ele revela que a empresa deve assinar, no primeiro trimestre, um contrato relacionado a um novo terminal de regaseificação, cujo escopo envolve soluções construtivas e de processo para um cliente privado. O executivo vê a Ecman como um importante player nesse segmento de GNL e prevê que a construtora possa conquistar de 15% a 20% de novos contratos desse setor nos próximos dois anos. Carvalho conta ainda que a empresa teve um crescimento de 38% em quantidade de contratos em carteira em 2021. Para o futuro, o diretor aponta que a Ecman mira na expansão de seus negócios internacionais. Neste momento, a construtora está participando de sete concorrências em países da África e se prepara também para conseguir as autorizações necessárias para atuar no mercado dos Estados Unidos. “Acredito que podemos finalizar esse ano já estando aptos legalmente a operar nos Estados Unidos”, projetou.

Poderia começar falando sobre os resultados alcançados em 2021? A empresa registrou crescimento em seus contratos em carteira?

ecmanA Ecman finalizou o ano de 2021 com um crescimento de contratos assinados na casa de 38% em relação ao ano de 2020. Importante frisar que 2020 já havia sido um ano razoável, independente de pandemia. Do ponto de vista de novos contratos, a pandemia não trouxe nenhum impacto, porque nossos projetos são ongoing durante dois ou três anos. É claro que não posso dizer que nada parou durante a pandemia. Sofremos um pouco no chão de obra, com impactos de protocolos anti-covid e, evidentemente, afastamento de colaboradores. Em termos de faturamento, ainda não posso falar em números porque o balanço não foi fechado. Mas acredito que o crescimento de faturamento do ano de 2021 tenha sido algo entre 12% e 15% na comparação com 2020.

Fazendo um panorama geral da Ecman, a quantidade de novos negócios caiu na América Latina, em países como Panamá, Costa Rica, Colômbia, Argentina, Chile e Peru. Isso porque esses países têm uma economia privada muito incipiente. Assim, o grande contratante de obras nessas nações são os governos locais – que sofreram muito com a pandemia. Não passamos por essa experiência no Brasil, uma vez que o foco da Ecman no nosso país é, fundamentalmente, voltado para clientes privados. 

Outro feito importante da Ecman foi conseguir a autorização para participar de projetos em quatro países da África. Isso representa um retorno da nossa empresa ao continente africano, depois de um período de nove anos.

Então, mesmo diante da queda nos negócios na América, foi o mercado brasileiro que encabeçou o crescimento verificado em 2021?

SC-recebe-licenca-de-instalacao-de-terminal-de-gas-e-muitos-empregos-serao-gerados-no-estado-860x484De fato, os negócios foram puxados pelo movimento de clientes privados no Brasil, particularmente nas áreas de gás natural, ferrovias e agronegócio. Esses setores demandaram concorrências grandes, de projetos que hoje já estão sendo implementados ou serão implementados a partir de 2022. São segmentos que estão bastante movimentados por contratantes privados.

Já existem perspectivas de novos contratos para o ano de 2022?

No primeiro trimestre, a Ecman espera assinar um contrato de uma concorrência no Panamá. Nossa empresa venceu essa licitação, que é da área da saúde, visando a construção de hospitais e centros de saúde nos distritos da Cidade do Panamá. A Ecman ainda deve assinar também no primeiro trimestre um segundo contrato, desta vez no Brasil. Esse novo negócio está relacionado a um terminal de regaseificação. Nesse caso, eu não posso mencionar o nome do cliente, mas temos bastante confiança de que vamos assinar esse contrato até o final do primeiro trimestre.

Na nossa última entrevista, a Ecman já havia declarado uma grande expectativa de fechar negócios nesse segmento de terminais de regaseificação. Como olham para o futuro desse nicho de atuação?

gnlNessa área de regaseificação, os projetos em regime EPC envolvem toda uma tecnologia de processo. Evidentemente, a Ecman, como construtora, não detém determinadas tecnologias. Então, nossa empresa se associou a duas companhias líderes mundiais nesse ramo – uma da Europa e outra da África do Sul. A Ecman está liderando o consórcio que apresentou soluções construtivas e  de processo para o cliente privado que mencionei anteriormente.

Esse é um setor que está em bastante movimento. De fato, a regulamentação dos últimos quatro anos desse segmento de gás e a regulamentação dos terminais privados trouxeram um boom de negócios. Acredito que o resultado desse movimento será o aumento de trabalho para fabricantes, construtoras e empresas de projeto nos próximos cinco ou seis anos.

A Ecman está muito segura de que é um player importante nesse segmento. Não temos a ambição de ganhar todos os projetos. Mas eu te diria que não é otimismo pensar que a Ecman possa liderar de 15% a 20% dos novos projetos nos próximos dois anos nessa área. Hoje, existem 10 terminais de GNL em cima da mesa em diferentes fases de definição, contratação e implantação. Eu diria que desse total, é possível apostar que a Ecman esteja envolvida em dois deles.

E especificamente falando do mercado de petróleo? Alguma oportunidade no horizonte?

Existem oportunidades em infraestrutura de apoio na área de petróleo. Por exemplo, o projeto do Terminal Portuário de Macaé (Tepor) – Vale Azul é um empreendimento interessante. Trata-se de um projeto que tem obtido alguns avanços bem significativos. Estamos falando de uma movimentação total de US$ 5 bilhões em investimentos, sendo que uma parte é fundamentalmente de apoio e desenvolvimento da área de óleo e gás. Eu diria que esse é um projeto que está mais próximo da Ecman.

Olhando para o mercado exterior, como está o processo de internacionalização da Ecman? Poderia falar mais a respeito da retomada de negócios na África?

obraA África está tendo uma mudança de panorama muito grande. Isso porque os países africanos sempre tiveram, nos últimos 15 anos, uma característica de só contratar obras quando o empreiteiro levava o financiamento. Esse comportamento mudou, porque os empreiteiros fecharam a porta para participar de concorrências com essa característica. Isso levou os governos africanos a buscarem outras alternativas de financiamento para as enormes demandas nas áreas de óleo, gás e infraestrutura. Neste momento, a Ecman está participando de sete concorrências em países da África, sem a necessidade de levar consigo o financiamento. Então, temos a expectativa que 2022 será um ano interessante no continente africano.

Enquanto estamos otimistas com a África, já não podemos dizer o mesmo em relação à América do Sul. Por aqui, os países estão em situação financeira mais complicada. De toda a forma, estamos acompanhando os projetos. Já se observa nessa região algo que não se observou até outubro de 2021, que são novas demandas nesses países.

Os negócios internacionais tendem a manter a relevância dentro do resultado da Ecman?

EUA-Estados-Unidos-1Olhando apenas para 2022, é possível projetar que 65% do faturamento da Ecman será oriundo do Brasil e 35% do exterior. A partir de 2023, acho que voltaremos para a média dos últimos cinco anos – com 50% de faturamento no Brasil e 50% no exterior. A estratégia da Ecman é seguir com seu processo de internacionalização nos países sul-americanos e alguns países da África.

Existe também um trabalho de pesquisa em fase inicial focado no mercado dos Estados Unidos. Estamos olhando para os melhores caminhos jurídicos, financeiros e técnicos. Não vou dizer que já teremos um contrato de obra nesse país em 2022. Mas acredito que podemos finalizar esse ano já estando aptos legalmente a operar nos Estados Unidos.

Por fim, seria interessante se comentasse também sobre as oportunidades e os planos para a área de ferrovias.

Esse é um segmento que recebeu um impacto positivo nos últimos seis meses em virtude de algumas medidas muito adequadas do governo. Essas ações vão mudar a matriz de transporte no Brasil, com certeza. Existem obras de capital privado que devem ser contratadas em 2022 nesse setor. Eu acredito que já é uma realidade o crescimento do modal ferroviário no país. Isso vai mudar a vida de muita gente em vários municípios. A Ecman tem um histórico de obras bem feitas nessa área e vamos tentar abocanhar uma parte desse mercado.

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