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INB DÁ NOVO FORMATO PARA MINERAÇÃO EM SANTA QUITÉRIA E DIZ QUE TESTES EM CAETITÉ SERÃO CONCLUÍDOS EM JULHO

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

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Reunião do Ministro Bento Albuquerque com representantes da INB e Galvani

A mineração de urânio no país está cada vez mais próxima de sua retomada. Este será o tema da segunda e última parte da nossa entrevista com o presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Carlos Freire, que revelou quais foram os últimos avanços da estatal nesse segmento. No município de Caetité (BA), o executivo afirma que os testes na jazida da empresa devem ser concluídos até o final de julho. Depois, o próximo passo será a retomada da produção na área. “Caetité, no seu modelo atual, em plena operação, produziria 400 toneladas de yellow cake por ano. E temos uma previsão de dobrar esse número para 800 toneladas por ano”, acrescentou. Enquanto isso, a INB também avança em outra frente de mineração, em Santa Quitéria (CE). Lá, em parceria com a Galvani, pretende extrair urânio associado ao fosfato. Recentemente, lideranças das duas empresas se reuniram com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para discutir os detalhes do projeto. O início de operação no local deve acontecer até 2024 e a previsão de produção é de 1.600 toneladas de yellow cake por ano. Freire ainda revela que uma nova roupagem do empreendimento traz uma rota tecnológica de separação de fosfato do urânio que reduzirá a quantidade de água consumida em 50%.

O Ibama renovou em janeiro a licença de Caetité. Gostaria que o senhor nos atualizasse sobre a situação da mineração de urânio no município.

Caetité estava sem produzir há cinco anos. É uma pena, porque é um site com várias possibilidades. Em um esforço gigantesco, dentro de uma ótica de relação aberta e clara com órgãos licenciadores, nós conseguimos  a licença da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) ao final de 2019 e, no início de janeiro, a licença do Ibama, o que foi uma vitória extraordinária. No momento, estamos finalizando as questões jurídicas e contratuais com o parceiro que vai fazer o trabalho braçal da mineração.  De forma que acreditamos que voltaremos a produzir em breve.

Depois de todas essas questões de licenciamento, a unidade entrou em uma fase de testes. Aproveitamos o período de parada para fazer uma série de manutenções de grande porte, seja no pátio de minério ou nas instalações da planta química. Normalmente, você não tem espaço para fazer grandes intervenções como essas. Mas aproveitamos a parada para fazer esse trabalho. A planta está finalizando a questão dos testes operacionais e devemos retomar em breve a questão da produção.

5ffa5683-74c4-44e4-87c6-d243931824dfUm detalhe: quando são realizados os testes operacionais, na verdade já está se produzindo. Mas não em uma condição de nível operação. Trata-se de uma operação monitorada. Então, devemos concluir os testes, conhecidos como TF3, até o final do mês de julho. E a partir de então, estaremos prontos para tocar o projeto para frente. Vamos depender apenas agora do nosso parceiro contratado para fazer sua mobilização e começar a mineração.

E sobre o projeto de Santa Quitéria? Qual a importância deste empreendimento?

Este é um projeto muito interessante. No ano passado, retomamos esse projeto fortemente, porque é de grande relevância para o país. O Brasil é grande importador de fosfato. E, em termos de urânio, Santa Quitéria nos dá uma autonomia fantástica. O minério de urânio, que é um subproduto, permitiria atender dois conjuntos de unidades de Angra 1, Angra 2 e Angra 3.

Caetité, no seu modelo atual, em plena operação, produziria 400 toneladas de yellow cake por ano. E temos uma previsão de dobrar esse número para 800 toneladas por ano. Em Santa Quitéria, a previsão é de 1.600 toneladas por ano. Ou seja, Santa Quitéria seria o dobro de Caetité depois de ampliada.

Quais foram os últimos avanços?

Recentemente, fizemos uma apresentação sobre o projeto ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que ficou bastante empolgado com as possibilidades. Santa Quitéria é uma parceria pública-privada. O CAPEX virá do setor privado. E muito provavelmente, este projeto será bem sucedido. 

Ele vai alavancar uma região muito pobre do Ceará, com geração de empregos diretos e indiretos da ordem de 2.600. Apenas de recolhimento previsto de ICMS, em função da produção do concentrado de urânio, do fosfato granulado e do fosfato bicalcico, estamos falando de algo em torno de US$ 25 milhões por ano para o estado do Ceará. A jazida tem uma expectativa de vida de 26 anos de exploração.

E quando a operação em Santa Quitéria poderá ser iniciada?

2f949aba-c1d2-49ad-95c3-711e581c6ea6A nossa previsão para Santa Quitéria é que no final de 2023 e 2024, já estejamos na fase operacional. É um grande desafio porque as licenças são sempre muito complicadas. Isso já está sendo trabalhado junto ao Ibama e ao CNEN.

A nova roupagem do projeto de Santa Quitéria traz uma rota tecnológica de separação de fosfato do urânio. Com isso, um grande problema que tínhamos com a rota tecnológica anterior de produção, que era a quantidade de água consumida, será reduzida em 50%. Na rota anterior, chamada de rota úmida, tínhamos a necessidade de uma barragem. Essa necessidade deixa de existir na nova rota, chamada rota seca. Esse projeto tem tudo para ser um marco para a INB, permitindo inclusive que, em conjunto com outras ações, a empresa possa se tornar uma empresa independente de recursos do Tesouro.

Por fim, poderia fazer um balanço das principais ações do seu primeiro ano à frente da INB?

Nós iniciamos o nosso mandato no dia 1º de fevereiro do ano passado. E a nossa primeira preocupação foi escalar o time. Tínhamos uma diretoria e assessoria que vinham de administrações anteriores. Procuramos colocar pessoas altamente técnicas que pudessem nos ajudar nos desafios colocados pelo nosso ministro de Minas e Energia.

Desafios esses no sentido de que a INB voltasse a produzir urânio e tornar a empresa, no médio prazo, independente do Tesouro Nacional. Somos uma empresa que temos uma dependência mínima do Tesouro e, com isso, ficamos atrelados ao orçamento da União. O que é muito ruim para uma empresa que pretende alavancar mercados e pretende ter uma posição de player no mercado internacional de alto nível.

Então, recompomos as equipes, os diretores e reduzimos bastante a questão da assessoria. Colocamos pessoas altamente técnicas que podem contribuir com a empresa. Posteriormente, fizemos algumas alterações no organograma para dar maior agilidade aos processos, uniformidade e, sobretudo, uma eficiência maior na gestão dos problemas da empresa. Isso funcionou muito bem e seguimos em frente.

Outro ponto marcante foi o trato na relação com nossos órgãos reguladores, como a CGU, TCU, Ibama, CNEN. De forma que esse trabalho pudesse ser feito de forma transparente e objetiva, sempre procurando entender as demandas desses órgãos. Graças a Deus funcionou.

WhatsApp Image 2020-05-15 at 12.32.17Nós conseguimos, por exemplo, em prol de unidades em descomissionamento, uma abordagem mais objetiva, no caso de provermos segurança tanto física quanto radiológica dessas unidades. Em Caldas (MG), assinamos um pacto com o Ministério Público Federal de Pouso Alegre objetivando corrigir inações no passado no trato do descomissionamento daquela unidade. Isso se inseriu no projeto de descomissionamento de outras unidades, como por exemplo Buena (RJ). Não se trata simplesmente de fechar uma unidade. Você tem que procurar planejar o descomissionamento, fazendo o melhor aproveitamento dos ativos, tratando as pessoas de forma correta e alocando-as em novos empreendimentos.

Isso está em processamento no caso de Buena, que é uma unidade que já vem não apresentando um resultado razoável há mais de 10 anos. Teremos ainda dois anos ainda produzindo o que há de material e insumos. E mais dois anos fazendo o descomissionamento da unidade. É um processo que está sendo feito com um acompanhamento muito próximo do nosso pessoal de RH, para que possamos tratar as pessoas da melhor forma possível. Elas merecem.

Em termos de realizações, nós tivemos no ano passado a inauguração da oitava cascata de ultracentrífugas. No ano passado fizemos também, com muita dificuldade, as duas recargas de Angra 1 e Angra 2. Esse ano nós já estamos fazendo a 16ª recarga de Angra 2.

Ainda no ano passado, ampliamos nossas parcerias, visando a prestação de serviço, tanto com a Eletronuclear como com a Westinghouse. Isso é um salto em termos de prestação de serviço.

Sempre participamos, junto com a Eletronuclear, da revisão dos reatores e manutenção durante a parada para substituição do elemento combustível de Angra 1 e Angra 2. E em uma extensão dessa parceria que já tínhamos aqui no Brasil, passamos a realizar esse serviço para a Westinghouse nos Estados Unidos no ano passado. Temos uma equipe retornando agora de mais um contrato de prestação de serviço. Isso demonstra uma grande capacitação das nossas equipes. Eu diria que ter uma equipe de brasileiros prestando um serviço desse nível tecnológico para uma empresa de nível mundial, como a Westinghouse, é algo de muita relevância muito grande para o país.

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