INSTITUTO SENAI DE INOVAÇÃO EM QUÍMICA VERDE DESENVOLVE PROJETO PARA MITIGAR RISCO DE CONTAMINAÇÃO DE ÓLEO NO MAR E NA COSTA

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Novos projetos de pesquisa e desenvolvimento prometem trazer inovações para a indústria de óleo e gás do Brasil. Nessa jornada da transição energética, as companhias do setor estão cada vez mais apostando em tecnologia e inovação para superar os desafios ambientais e climáticos. Dentro desse contexto, o Instituto SENAI de Inovação em Química Verde tem desenvolvido uma série de projetos para a indústria petrolífera, sempre com ênfase na sustentabilidade. “Hoje, vivemos em um cenário de descarbonização, e o instituto está muito alinhado com essa tendência global”, disse o pesquisador do Instituto SENAI de Inovação em Química Verde, Victor Saide. “A infraestrutura do instituto é ampla e conta com equipamentos exclusivos que existem em poucos lugares do Brasil”, acrescentou. Saide revelou que a instituição está neste momento desenvolvendo uma promissora metodologia para a Petrobrás que prevê a avaliação de óleo no mar. Como se sabe, a chamada “água produzida” está presente nas formações subterrâneas e é trazida à superfície juntamente com petróleo e gás durante as atividades de produção. Acontece que o descarte dessa água, às vezes, gera um fenômeno conhecido como feição oleosa – uma mancha que evidencia a presença de óleo concentrado na superfície da água. “Quando acontece essa feição, significa que o óleo está concentrado na superfície da água e pode contaminar as margens, as costas e a areia”, explicou o pesquisador. “Com esse projeto, será possível apontar porque um determinado óleo está formando uma feição, bem como definir se o teor de óleo na água produzida deverá ser reduzido, por exemplo”, detalhou.

Poderia começar explicando aos nossos leitores como é a atuação do Instituto Senai de Inovação em Química Verde?

ISI-QuímicaVerde-BioMolvinícius-maglahães_4057Os Institutos SENAI de Inovação são braços da iniciativa FIRJAN e surgem para apoiar a indústria em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. O Instituto SENAI de Inovação em Química Verde, localizado aqui no Rio de Janeiro, faz parte desse conjunto e sua atuação, em geral, abrange desde a etapa pré-competitiva, no apoio ao fomento da indústria, até a etapa final, com a produção de uma solução para a indústria em geral. 

O foco do nosso instituto é desenvolver soluções inovadoras para indústrias, sempre com ênfase na sustentabilidade. Além disso, nosso objetivo é promover o crescimento sustentável da indústria, especialmente na área da química verde. Hoje, vivemos em um cenário de descarbonização, e o instituto está muito alinhado com essa tendência global.

Quantas pessoas estão envolvidas no instituto? Poderia detalhar também um pouco da estrutura laboratorial atual?

O nosso instituto conta com cerca de 50 pesquisadores, entre colaboradores e bolsistas. A maioria dos nossos pesquisadores possui mestrado e doutorado. Temos especialistas de diversas áreas, como química, engenharia química, engenharia ambiental, biologia e biomedicina. Essa multidisciplinaridade nos permite aprovar projetos complexos para a indústria. Contamos também com um escritório, composto por especialistas em gestão de projetos, responsáveis por toda a gestão financeira e acompanhamento de todos os projetos dentro do instituto.

A infraestrutura do Instituto SENAI de Inovação em Química Verde é ampla e conta com equipamentos exclusivos que existem em poucos lugares do Brasil. Um exemplo é o cromatógrafo de fluidos supercríticos. Importante destacar também a presença de um equipamento exclusivo chamado Câmera Hiperespectral, que existe em pouquíssimos lugares do Brasil. Esse equipamento possibilita, por meio de imageamento em tempo real, obter informações tanto da imagem quanto informações químicas. Em processos para automação, em linha, esse tipo de equipamento é extremamente relevante, permitindo a automação eficiente de processos.

Quais são as principais fontes de financiamento e parcerias estabelecidas pelo instituto?

Victor Gabriel De Paula Saide - pesquisador do Instituto Senai de Inovação em Química VerdeA rede dos Institutos SENAI de Inovação faz parte do Sistema S. Portanto, contamos com recursos de editais específicos do SENAI para apoiar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Além disso, possuímos credenciamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que recebem recursos provenientes da tributação das empresas que produzem petróleo, gás e energia. Esses recursos são reinvestidos em projetos de PD&I.

Adicionalmente, o Instituto SENAI de Inovação em Química Verde é uma das poucas Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) credenciadas como uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Como se sabe, a Embrapii tem facilitado parcerias e projetos com a indústria e é uma organização social qualificada pelo poder público desde 2013.  Ela apoia instituições de pesquisa e tecnologia, fomentando a inovação industrial brasileira e compartilhando os riscos com a indústria.

De modo geral, pode falar sobre a atuação do instituto em projetos voltados ao setor de óleo & gás?

O instituto tem um pouco mais de 8 anos de atuação e vem atuando na área de óleo e gás desde o seu nascimento. Ao longo desse período, já desenvolvemos diversos projetos com fomento da ANP para o setor, incluindo parcerias com a Petrobrás e outras empresas do segmento.

Nesse sentido, dentre os projetos concluídos para a Petrobrás, destaco a criação de um método de predição de metais e concentração de sólidos no petróleo, que acabou resultando em uma patente. Também desenvolvemos métodos para a identificação de compostos naftênicos e nitrogenados na água de produção. Interessante destacar, ainda, uma metodologia específica para a determinação de TOG (teor de óleos e graxas) em regiões offshore, uma vez que a metodologia tradicional não poderia ser utilizada nesse tipo de ambiente.

Além desses, pode citar algum projeto em andamento atualmente que mereça um destaque especial?

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Feição oleosa

Temos um projeto em parceria com a Petrobrás/CENPES que está em fase final de desenvolvimento. Foi um projeto bastante desafiador, mas que está apresentando resultados muito promissores em termos de sustentabilidade.

Atualmente, a Petrobrás descarta água produzida no mar, seguindo o que foi determinado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) por meio da resolução 393/2007.  O descarte de água produzida deverá obedecer à concentração média aritmética simples mensal de óleos e graxas de até 29 mg/L, com valor máximo diário de 42 mg/L. 

Mesmo dentro dos limites de TOG, o descarte dessa água, às vezes, gera o que chamamos de “feição oleosa”. Quando acontece essa feição, significa que o óleo está concentrado na superfície da água e pode contaminar as margens, as costas e a areia.

Nesse novo projeto, estamos propondo a avaliação da formação dessa feição proveniente da água produzida de plataformas. Utilizando a técnica de imageamento disponível no instituto, conseguimos prever a quantidade de óleo presente no mar. Além disso, através desse imageamento, conseguimos criar um banco de classificação de óleo para identificar a sua origem. 

Com esse projeto, será possível apontar porque um determinado óleo está formando uma feição, bem como definir se o teor de óleo na água produzida deverá ser reduzido, por exemplo. O descarte de óleo no mar é um grande problema, que pode aumentar a toxicidade com componentes tóxicos, ácidos e compostos benzênicos prejudiciais à saúde. Por isso, entender como essas feições são formadas é crucial para mitigar esse impacto ambiental.

Em que fase está a execução desse projeto?

Estamos na etapa de escala final. Iniciamos esse projeto em escala de laboratório, compreendendo como essas feições eram geradas. Agora, adquirimos um tanque de 3000 litros para simular o ambiente marítimo com salinidade, explorando condições mais próximas da realidade. Ajustes estão sendo feitos nesse tanque e a previsão é que o projeto seja concluído em 6 meses. Futuramente, em uma segunda etapa, pretendemos testar essa metodologia em escala real.

Quais são os novos planos e objetivos do instituto para esse ano de 2024?

Pretendemos ampliar nossa atuação para ter uma maior proximidade com as empresas, especialmente nos segmentos nos quais temos maior afinidade. Isso implica em estar mais próximos das demandas e oportunidades de companhias nos setores de bebidas, alimentos, farmacêutico, embalagens renováveis, química, cosméticos, bem como no setor de óleo e gás. Além disso, estaremos atentos às tendências emergentes. Adicionalmente, estamos fortalecendo a capacidade de integração com outros institutos SENAI, bem como com as ICTs brasileiras e internacionais.

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Ana
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Ana

Excelente conteúdo! 👏🏽
Interessante saber que pesquisas assim estão sendo desenvolvidas pelo Senai.