METHA ENERGIA ESPERA DOBRAR BASE DE CLIENTES ATÉ O FIM DO ANO E PLANEJA EXPANDIR ATUAÇÃO PELO PAÍS

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

1591632026517A mineira Metha Energia deve chegar ao final de 2021 com boas recordações para guardar na memória. A empresa, que criou uma plataforma que faz a ponte entre produtores de energia limpa e o consumidor final, espera concluir o ano com uma base de 100 mil clientes, número que representa o dobro do patamar atual. Para conquistar esse crescimento, a companhia de Minas Gerais quer expandir seu raio de ação, ampliando a presença no Sudeste e inaugurando operações no Centro-Oeste e Nordeste. Em conversa com o Petronotícias, o CEO da Metha, Victor Soares, também comentou suas expectativas para o setor de geração distribuída no Brasil para os próximos anos. “Olhando para o longuíssimo prazo, o que esperamos é que todos os agentes reguladores do setor e o governo enxerguem que o paradigma e a organização do segmento elétrico estão ficando cada vez mais defasados”, pontuou o executivo. “A geração distribuída é a porta de entrada para começar essa mudança setorial”, acrescentou. Soares analisou também o cenário atual de crise hídrica e o risco de racionamento no país. Além disso, comentou ainda sobre o debate no Congresso Nacional acerca do marco legal da geração distribuída: “Isso trará um pouco mais de estabilidade regulatória para o setor. O investimento em geração distribuída é substancial, tanto para a pessoa física quanto para um empreendimento comercial. Em ambos os casos, essa estabilidade regulatória é importante”, concluiu.

Poderia nos falar sobre as suas perspectivas para o setor de geração distribuída no Brasil? Especialmente diante do cenário de aumento de preço na tarifa e também pelo fato de a conta de energia pesar no orçamento de indústrias e pessoas físicas…

painel-solar1Todas as vezes que existem notícias relativas ao aumento de tarifa, acionamento de bandeira, etc., um gatilho muito forte dispara entre os clientes, que começam a buscar soluções para a economia de energia. É interessante que, durante muito tempo, a solução disponível era a mudança de hábitos de consumo – que geram um impacto pequeno. Nesse momento, muitos perceberam que existia uma outra possibilidade e vemos cada vez mais pessoas descobrindo a geração distribuída.

O grande paradigma da geração distribuída é o conhecimento. Não existe ninguém que não gostaria de economizar energia se soubesse que isso é possível. Como você falou, a maioria das pessoas e das empresas sofre no orçamento por causa do custo da energia. Então, vemos cada vez mais pessoas falando sobre a geração distribuída. É muito claro para nós, olhando nossos números, que em todos os momentos em que existe algum aumento de custo de energia, a curva de procura pelo nosso serviço também cresce.

Tendo em vista essas circunstâncias, quais são expectativas da empresa a segunda metade desse ano?

Foto eolicaNos últimos quatro anos, focamos no desenvolvimento da expertise e do nosso produto para prestar um serviço de qualidade para nossos clientes. Aproveitamos o fato de sermos uma empresa mineira para conseguir uma concentração muito grande no estado. Temos clientes em mais de 300 cidades de Minas Gerais. Mas a nossa ideia é ser um produto que gere impacto nacional. Então, nosso plano para o segundo semestre é, justamente, focar um pouco mais na expansão geográfica.

E como pretendem ampliar a presença no país?

A Metha está abrindo operação em novos estados. A expectativa é que, até o final do ano, a empresa consiga ter clientes em três novos estados. Até o fim de 2021, devemos estar operando em mais um estado do Sudeste e também no Centro Oeste e Nordeste. Esse será o grande desafio da Metha. Se tudo der certo, nós terminaremos o ano com algo como 100 mil clientes ativos, utilizando nosso serviço. Atualmente, nossa base de clientes possui cerca de 50 mil clientes.

O Congresso Nacional está discutindo a criação do marco legal da geração distribuída, embora ainda não tenhamos uma previsão de quando o texto será votado. Qual sua opinião sobre o debate do texto em Brasília?

Congresso NacionalA discussão sobre o marco legal de energia acaba sendo um mal necessário. Uma discussão regulatória nunca é agradável para os players do setor. Gera ansiedade e desconforto em todos, porque nunca se sabe ao certo o que irá acontecer. Principalmente em um tema tão polêmico que envolve, de um lado, as distribuidoras de energia e, do outro, os players setoriais e  os consumidores de geração distribuída. 

Na minha visão, independentemente de qualquer coisa, de como virá o texto e quais os pontos colocados, o mais importante nesse momento é que o Brasil tenha um marco legal para a geração distribuída. Isso trará um pouco mais de estabilidade regulatória para o setor. O investimento em geração distribuída é substancial, tanto para a pessoa física quanto para um empreendimento comercial. Em ambos os casos, essa estabilidade regulatória é importante.

Sobre a proposta que está sendo discutida, o que nos preocupa é o cabo de guerra que acabou instalando-se. Temos a visão de que o melhor caminho é o do meio. Existem as discussões sobre o período de manutenção do subsídio e a cobrança ou não o fio do cliente. O mais importante é criar um sistema que seja equilibrado. Não adianta colocar uma regra que beneficia em 100% o consumidor final, porque será uma questão de tempo até surgir uma nova discussão sobre o tema.

O grande problema é que a pauta muda um pouco cada vez que entra para votação. O nosso grande receio é sobre o que vai, de fato, ser aprovado no final. Realmente, existem algumas etapas que podem modificar muito o texto, pendurando ou retirando alguns trechos relevantes que são importantes para alcançar o caminho do equilíbrio.

Queria ouvir também sua avaliação sobre atual situação energética do país, que vem enfrentando um período de seca e registrando baixos níveis nos reservatórios das hidrelétricas.

sobragiHá muitos anos vemos esse impacto de sermos tão reféns da matriz hídrica no Brasil. Se olharmos para um gráfico de percentual de dependência das fontes de geração de energia, a hídrica representa a maior fatia no país. É normal que, de tempos em tempos, o país passe por essas situações. O grande problema aqui é a falta de planejamento. Há tantos anos, para não dizer décadas, já enfrentamos esse problema e muito pouco foi feito. Continuamos no mesmo modal, com o mesmo sistema e paradigma. Houve muito pouco investimento institucional e incentivo para que criássemos uma variabilidade maior nos tipos de fontes usadas no Brasil.

Essa discussão se vai ou não haver racionamento, na minha opinião, por tudo o que temos visto, é que existe um risco altíssimo. Nosso receio é, realmente, ver a população passando por alguma situação de racionamento, o que impactará na vida de todos. É preciso aguardar e ver o que acontecerá nos próximos meses. Mas, sim, é um risco iminente. A situação hídrica é a pior das últimas décadas. E o consumidor terá um custo mais alto de energia durante um bom tempo.

Por fim, poderia compartilhar conosco como avalia o futuro da geração distribuída no Brasil nos próximos anos?

ssssssDiversificar o modal de geração no Brasil é o futuro. No mundo inteiro, observamos o movimento de descentralização da geração. Existe um desafio muito real na geração centralizada. Quando falamos de hidrelétricas, por exemplo, existe um impacto ambiental enorme. Vimos há alguns anos a discussão sobre a usina de Belo Monte, por exemplo. Então, realmente, cada vez mais a tendência é vermos a geração solar e eólica ganhando cada vez mais espaço.

Então, apesar das mudanças por vir do ponto de vista regulatório, se conseguirmos obter um marco legal que seja minimamente dentro da realidade e com parcimônia de olhar para os dois lados da mesa, continuaremos com um volume muito grande de implantação de geração distribuída no país. Esse é o futuro.

Olhando para o longuíssimo prazo, o que esperamos é que todos os agentes reguladores do setor e o governo enxerguem que o paradigma e a organização do segmento elétrico estão ficando cada vez mais defasados. É preciso olhar cada vez mais com cuidado, carinho e respeito para o consumidor final.

O consumidor final brasileiro paga uma tarifa de energia realmente muito alta. Ele dispõe de um serviço com uma qualidade razoável, do ponto de vista de entrega de energia, na maioria dos locais. Mas o consumidor ainda tem uma experiência de utilização muito abaixo da média. Na maioria dos estados, o serviço de suporte e acesso às informações com as concessionárias deixam a desejar.

A geração distribuída é a porta de entrada para iniciar essa mudança setorial. Quem sabe, daqui a alguns anos, estaremos falando de clientes livres, podendo escolher quem serão seus fornecedores de energia, com um serviço de alta qualidade, assim como acontece em outros países do mundo.

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