PÖYRY PREVÊ CRESCER ACIMA DE DOIS DÍGITOS NO BRASIL E FOCA NOS SETORES DE GÁS, MINERAÇÃO E SANEAMENTO

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

Fábio Bellotti da Fonseca_1A Pöyry, empresa de engenharia, projetos e consultoria, vê o mercado brasileiro com muito carinho. Os resultados dos anos anteriores no país explicam esse tratamento especial. Crescendo acima dos dois dígitos – resultado que deve se repetir em 2020 também -, a Pöyry quer expandir sua atuação em outros setores, como os de gás natural, mineração e saneamento, segundo revelou o presidente da companhia no Brasil, Fábio Fonseca. O executivo acredita que, com o impulso dado pelas áreas de gás natural e saneamento, haverá um aumento na receita da companhia com o segmento de infraestrutura e energia. “Hoje, 80% dos nossos negócios acontecem na área industrial e a parcela restante em infraestrutura e energia. Mas o que vislumbramos para daqui a dois anos é que infraestrutura e energia passarão para 30% e industrial ficará com 70%”, projetou. Ele também comentou sobre o papel importante que o Brasil tem desempenhado globalmente para a Pöyry: “Temos usado, cada vez mais, o país como plataforma para expansão para outros mercados. Hoje, temos projetos feitos no Brasil para clientes nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia”, disse. Fonseca comentou ainda sobre o interesse de participar de projetos de geração de energia a partir do lixo, o foco em digitalização e sustentabilidade e como está sendo a prospecção de negócios em tempos de pandemia.

Como tem sido a atuação da Pöyry no setor de energia?

A Pöyry faz parte do grupo sueco AFRY e está entre as cinco maiores empresas de consultoria de energia no mundo. No Brasil, temos um foco grande nos mercados de energias renováveis (eólica e solar) e térmicas de biomassa. No ano passado, fizemos dois projetos de energia solar atuando na engenharia do proprietário – a usina fotovoltaica da Verde Vale 3 e a usina fotovoltaica da Assuruá Energia Solar, ambas na Bahia. Temos ainda outros projetos de eólica e solar, mas não temos autorização dos clientes para divulgá-los.

Estamos também colocando muito foco na questão do gás natural. Temos diversos clientes para projetos futuros envolvendo térmicas a gás. E ainda estamos nos posicionando para os projetos de energia gerada a partir de lixo. Nosso grupo é um dos que detém maior experiência nesse setor nos países nórdicos. Contamos com o suporte do pessoal de Suíça, Suécia e Finlândia para nos impulsionar em projetos futuros de geração a partir de lixo.

Nos últimos anos, temos crescido com uma taxa sempre acima dos dois dígitos. Temos duas grandes áreas de atuação: a área industrial e a de infraestrutura e energia. Na parte industrial, os nossos principais negócios são papel e celulose, alimentício, químico e mineração. Já em infraestrutura e energia, os principais negócios são energia renovável, infraestrutura de portos e aeroportos. Nessa parte de aeroportos, por exemplo, recebemos o prêmio da ENR Global Best Project Awards pelo Projeto de expansão do Porto Alegre Airport.

De que forma a empresa tem enfrentado a crise desencadeada pela pandemia do coronavírus?

Temos visto que, mesmo com a pandemia, há diversos projetos acontecendo. Não tivemos nenhum projeto cancelado. Continuamos crescendo e vendendo mais projetos. Eu acho que isso é um reflexo da postura dos clientes. Eles estão procurando empresas mais sustentáveis do ponto de vista de geração de soluções completas de engenharia, com capacidade global de atendimento e com compromisso com os colaboradores e com a sociedade.

Um dos setores que estamos entrando e tendo bastante sucesso nesse ano é o de mineração. Essa é uma área em que a empresa está investindo bastante. Contratamos muitos profissionais e trouxemos o time da Finlândia também. E estamos estruturando bastante também a empresa para entrar no setor de saneamento, que é um mercado que temos muito a colaborar. O Marco do Saneamento será bem importante para o país e vamos auxiliar bastante o Brasil nos desafios de saneamento.

E quais as perspectivas com os setores de gás, mineração e saneamento?

valeverde

A usina fotovoltaica da Verde Vale 3, na Bahia

Hoje, a Pöyry tem mais de 80% da receita com projetos de engenharia. Contamos com mais de 700 colaboradores no Brasil e a maioria deles trabalha fazendo projetos. Então, contamos com todo esse grande corpo de conhecimento, aliado com nossa forte posição mundial em energia e em engenharia industrial.

Temos usado muito o conhecimento local e também estamos trazendo os nossos especialistas globais. Essa é a estratégia que estamos montando para a área de gás de natural. Estamos discutindo com diversas empresas que vão participar de leilões futuros, já estabelecendo algumas parcerias.

Na parte de mineração, estamos focando em trazer a digitalização da engenharia para os projetos do setor e também usando o nosso conhecimento adquirido nos países nórdicos.

Sobre o setor de saneamento, nos enxergamos como uma das empresas mais completas para atender ao segmento. Temos profissionais desde a parte de estudos ambientais até a área de regulação e a engenharia em si.

Importante lembrar da nossa presença na indústria de celulose, que é uma grande consumidora de água. Participamos de um grande projeto onde, só de tubos da adutora, temos mais de 40 km. Isso equivale a um projeto de uma rede de saneamento para uma cidade de aproximadamente 1 milhão de habitantes. E com todo o conhecimento adquirido nos países nórdicos, temos uma proposta de valor grande para contribuir com os desafios do Marco do Saneamento.

O que o senhor pode compartilhar conosco sobre as previsões de crescimento da empresa?

Os números não são abertos, mas posso lhe apresentar uma indicação. Temos crescido nos últimos anos acima de dois dígitos. Nesse ano, continuamos com um crescimento também acima de dois dígitos. E o que vemos, até levando em conta o gás natural e o saneamento, é que o setor de infraestrutura e energia tomará uma participação ainda maior na nossa receita.

Hoje, 80% dos nossos negócios acontecem na área industrial e a parcela restante em infraestrutura e energia. Mas o que vislumbramos para daqui a dois anos é que infraestrutura e energia passarão para 30% e industrial ficará com 70%.

Pelo o que percebo até aqui na conversa, o Brasil tem um papel fundamental para a Pöyry, globalmente falando. Queria que falasse um pouco mais do peso do país para os negócios da companhia.

Porto Alegre Airport_Crédito Paulo Romio

Porto Alegre Airport

Hoje, temos por volta de 750 colaboradores no Brasil. Globalmente, temos 17 mil colaboradores. O Brasil é o principal escritório da empresa fora da Europa. O país tem uma posição bem importante para o grupo. Temos usado, cada vez mais, o Brasil como plataforma para expansão para outros mercados. Hoje, temos projetos feitos aqui no país para clientes nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

E como está a prospecção de novos negócios no Brasil?

Com a pandemia, perdemos um pouco o cara a cara com o cliente. Por outro lado, muitas vezes precisávamos pegar voos para participar de reuniões em outras cidades. Contudo, nesse cenário de pandemia, conseguimos ter reuniões [virtuais] com três ou quatro decisores de outras empresas em um mesmo dia.

Então, a Pöyry está muito ativa nessa nova forma de trabalho de prospecção. O que temos visto é que alguns setores, apesar da crise, continuam com viés de investimento. Sabemos que a engenharia é um bom indicador para o resto da cadeia, porque estamos na ponta dos projetos. Ou seja, esses projetos de engenharia se transformarão, dois ou três anos depois, em projetos de construção e montagem.

Então, o que posso colocar é que estamos com muita prospecção de projetos conceituais e básicos neste momento em diversas indústrias, o que pode significar que continue uma intenção de investimento para o futuro.

Para encerrar nossa conversa, o senhor mencionou brevemente as questões de sustentabilidade e digitalização. Gostaria de ouvir mais sobre como a Pöyry tem trabalhado com esses temas.

O slogan da nossa empresa é “Making Future”. Então, a nossa visão é prover soluções de ponta para as próximas gerações e a nossa missão é criar soluções sustentáveis em engenharia e projetos. A sustentabilidade e a digitalização são pontos fortes que temos trabalhado em todos os projetos. Desde quando começamos a cotar para os clientes, analisamos como reduzir o impacto ambiental e transformar o cliente em carbono neutro ou até mesmo carbono negativo.  

Começamos a focar muito nas soluções de digitalização para os clientes e em sustentabilidade. O que temos visto é que os clientes estão demandando cada vez mais empresas que tenham capacidade de entregar soluções completas – não só pensando na questão de engenharia, mas também na geração de valor e na redução de impacto ambiental.

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Como é bom ter essas notícias que nos enche de emoção por saber que existem empresas crescendo e gerando mais empregos, mesmo com todos os problemas que vimos enfrentando neste ano terrível. Espero que sirva de exemplo para outras. Sucesso enorme a você Fabio e equipe e à Poyry.