PRESIDENTE DA PPSA DESTACA RESULTADOS RECORDES ALCANÇADOS PELA EMPRESA EM 2023 E FAZ PROJEÇÃO OTIMISTA PARA 2024

Tabita LoureiroApós a pausa para as comemorações do Ano Novo, o Projeto Perspectivas 2024 volta nesta semana para apresentar as projeções da diretora técnica e presidente interina da Pré-Sal Petróleo (PPSA), Tabita Loureiro. Ela destacou que o ano de 2023 foi bastante positivo para a empresa, com uma arrecadação recorde que deve superar os R$ 6 bilhões com a comercialização das parcelas de petróleo e de gás natural da União. Além disso, a estatal registrou também um patamar inédito no volume de óleo comercializado. “Certamente foi um ano muito positivo para a PPSA. E acredito que 2024 será ainda melhor”, projetou. Tabita falou ainda também sobre o futuro do regime de partilha, dizendo acreditar na necessidade de adequar esse modelo ao contexto de maior risco exploratório dentro do polígono do pré-sal. “É necessário aumentar a competitividade tanto das oportunidades remanescentes do pré-sal, como também as oportunidades do pós-sal, que acabaram não sendo priorizadas no passado”, declarou.

Como foi o ano de 2023 para a PPSA?

fpso_guanabara_6Foi um ano excelente para a PPSA, repleto de recordes. Vamos fechar 2023 com uma arrecadação recorde, superando R$ 6 bilhões com a comercialização das parcelas de petróleo e de gás natural da União. O volume de petróleo comercializado também será recorde, superando 15 milhões de barris. 

Para quem não sabe, hoje a União já conta com uma produção de mais de 50 mil barris de petróleo por dia. Isso equivale a uma produção de uma empresa independente que está na 11ª posição no ranking dos maiores produtores. 

Esse ano também passamos a fazer a gestão de quatro novos contratos, oriundos do 1º Ciclo da Oferta Permanente no Regime de Partilha de Produção de Petróleo. E trabalhamos junto ao ministério de Minas e Energia nos grupos de trabalho do programa Gás para Empregar.  

Em paralelo, direcionamos esforços para aumentar nossa eficiência no acompanhamento da produção dos contratos e no monitoramento das melhores práticas e tecnologias, bem como na ampliação da comunicação com a sociedade brasileira.  

Certamente foi um ano muito positivo para a PPSA. E acredito que 2024 será ainda melhor.    

A PPSA completou 10 anos em 2023, e agora administra 23 contratos no regime de partilha. Poderia compartilhar conosco como enxerga o futuro desse regime ao longo da próxima década, em meio ao processo de transição energética?

FPSONesses 10 anos de história, o regime de partilha se consolidou e hoje já responde por 27% da produção, cerca de um milhão de barris por dia de produção de petróleo. O estudo que apresentamos em nosso Fórum Técnico mostra que, em 2029, apenas os 9 contratos comerciais vão superar 2 milhões de barris por dia, sem contabilizar projetos exploratórios e novos leilões que virão.  

A União, por sua vez, terá mais de 500 mil barris por dia. Isso faz com que a PPSA de amanhã seja muito maior do que a de hoje. Para se ter uma ideia, vamos sair de um cenário em que comercializamos 2 a 3 cargas de petróleo por mês para comercializar uma carga por dia ou mais.  

Fora isso, ainda temos a comercialização do gás da União, que vai atingir 3 milhões de m³ por dia. Precisaremos colocar esse gás no mercado e comercializar o GLP e outros derivados. Tudo isso tem sido discutido com o Ministério de Minas e Energia, e estamos aguardando as políticas públicas que estão sendo desenhadas no âmbito do Gás para Empregar.  

A transição energética está em curso, mas como disse o ministro Alexandre Silveira, na 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), não há razão para nos envergonharmos do potencial dos combustíveis fósseis no Brasil. O petróleo e o gás natural precisam continuar sendo explorados e produzidos mesmo num contexto de transição energética. Eles garantem a segurança energética para a continuidade do abastecimento, além de recursos e expertise técnica para o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono.  

Agora a transição energética impõe duas coisas: a necessidade de avançar na pauta da descarbonização e a urgência no aproveitamento dos nossos recursos. 

Hoje, o petróleo do pré-sal tem uma das menores intensidades de carbono do mundo (em média 10kgCO2e/boe). Precisamos garantir que essa competitividade na pegada de carbono continue no tempo. Esse tema faz parte da nossa pauta. Vamos lançar nosso Planejamento Estratégico para 2024-2029 e a descarbonização será um dos nossos pilares. 

Acredito também na necessidade de adequar o modelo de partilha a um novo contexto, de maior risco exploratório dentro do polígono do pré-sal. O programa Potencializa E&P vai endereçar essas questões. É necessário aumentar a competitividade tanto das oportunidades remanescentes do pré-sal, como também as oportunidades do pós-sal, que acabaram não sendo priorizadas no passado. Precisamos também impulsionar a “infrastructure led exploration”, ou seja, a exploração no entorno das infraestruturas para oportunidades que serão desenvolvidas em tie-backs.  

Com o conhecimento atual, sabemos que a produção do Brasil sobe no médio prazo, mas começa a declinar até antes de 2030. Se não repusermos reservas estaremos importando petróleo em meados de 2030. Por isso, é necessário ser pragmático nas discussões para garantirmos a soberania energética, a autossuficiência do Brasil e a continuidade na geração de emprego e renda para a sociedade brasileira. 

Quais são as suas perspectivas sobre o setor de óleo e gás para este novo ano que está para começar e quais as perspectivas da nossa economia para o ano vem?

fpso-solMuito difícil prever qualquer coisa. O crescimento econômico global tem se mostrado mais resiliente do que o esperado, mas o ritmo mundial para 2024 será de moderação, segundo projeções. 

No mercado de O&G, a única coisa que sabemos é que a volatilidade permanece. Continuaremos vulneráveis a riscos econômicos e geopolíticos.  

Hoje a gente vê uma pressão maior puxando os preços do petróleo para baixo no começo de 2024, mas tem a OPEP assegurando os cortes e tentando manter o patamar de preço a partir do equilíbrio entre oferta e demanda. Embora no início de 2024, o mercado aponte uma sobreoferta, acredito que ao longo do ano a demanda global de petróleo tende a se recuperar. O último report da Agência Internacional de Energia dizia que iríamos atingir o recorde de 102,9 milhões de barris por dia de demanda de petróleo em 2024.  

O Brasil permanece contribuindo com a oferta. Lembro que em março, nossa produção era de 3,11 milhões de bpd. Em setembro, bateu 3,67 milhões de bpd, ou seja, um crescimento de mais de 500 mil barris por dia em 6 meses. Em 2024 não veremos um crescimento expressivo assim, mas manteremos nossa produção. Voltaremos a subir com o maior ritmo de entrada de novas unidades a partir de 2025, com um reflexo maior em 2026.

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