REPSOL VOLTA À VENEZUELA APOSTANDO QUE OS ESTADOS UNIDOS NÃO VOLTARÃO COM AS SANÇÕES ECONÔMICAS CONTRA O DITADOR MADURO

acordo-300x168A petroleira espanhola  Repsol está aproveitando o período de “testes de liberdade para negociar” concedido pelos Estados Unidos que levantou as  sanções econômicas da  Venezuela por seis meses, para assinar  um novo contrato para um empreendimento petrolífero administrado em conjunto com a PDVSA. Uma aposta de risco. Os espanhóis não estão apenas aproveitando, mas acreditando que o ditador Nicolás Maduro cumprirá todas as exigências impostas pelos Estados Unidos. Mesmo sabendo que o ditador ameaçou invadir a vizinha Guiana atrás de seu petróleo, a Repsol fez o acordo. A invasão  só não aconteceu por intervenções e negociações internacionais e pela  permissão da Guiana para americanos e ingleses montarem  bases militares no país. O ministro do Petróleo da Venezuela, Pedro Tellechea, e o chefe de upstream da Repsol, Francisco Gea, assinaram um acordo durante um evento em Caracas realizado no final da tarde de ontem (18),  concedendo às grandes empresas europeias mais controles operacionais e financeiros sobre os seus empreendimentos nos campos petrolíferos de Petroquiriquire Occidente e Oriente.  A Repsol é a terceira gigante petrolífera a assinar novos acordos com a Venezuela desde que a Chevron. obteve uma licença especial para retomar a produção no país. Os Etablissements Maurel & A Prom,  da França, também assinou um novo contrato no mês passado, mas os espanhóis foram os primeiros depois do anúncio de que a Venezuela invadiria o vizinho.

“Nós conhecemos bem a Venezuela. Este acordo é uma continuação do nosso relacionamento de 30 anos com a PDVSA”, disse Gea durante o eventorepsol na sede da Petróleos de Venezuela. “Estivemos aqui em épocas diferentes e esperamos continuar aqui no futuro.” A Repsol enviou uma equipe de negociação a Caracas nos últimos meses para explorar opções para garantir o acesso ao petróleo pesado para as suas refinarias de petróleo em Espanha, incluindo novos campos petrolíferos.

A empresa, com sede em Madrid,  também tem uma  dívida de longo prazo da PDVSA relativa às vendas de petróleo e gás. Inclui a dívida acumulada pela PDVSA nas vendas de gás natural do empreendimento offshore Cardon IV que a Repsol administra em parceria com a Eni, sediada em Roma. O projeto produz gás suficiente para atender quase um terço da demanda da Venezuela, segundo Ruben Perez, diretor da Chemstrategy, uma consultoria energética em Caracas. Embora o alívio das sanções tenha aberto um caminho para o regresso das grandes petrolíferas à Venezuela, o ditador  Nicolás Maduro ainda não cumpriu todos os termos estabelecidos pelos Estados Unidos, o que levou os homens  do Presidente Biden a estar avaliando uma potencial necessidade de reimpor as sanções. Aí neste caso, os contratos com as petroleiras vão de água abaixo. É realmente um aposta de risco contra a banca.

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