TERRORISTAS HOUTHIS ATACAM NO OCEANO ÍNDICO E SÃO RECHAÇADOS POR NAVIOS DA COALIZÃO SOB O COMANDO DE UM ALMIRANTE BRASILEIRO

O Almirante Antônio Braz e o Comandante Sazanami, do navio da Japan Maritime Self Defense Force

O Almirante Antônio Braz e o Comandante Sazanami, do navio da Japan Maritime Self Defense Force

Os iranianos prometeram devolver um navio de contêineres de bandeira portuguesa, mas de propriedade de um grande empresário de Israel, apreendido por forças militares do país. Prometeram, mas até agora não cumpriram. Da mesma forma como os terroristas do Hamas, apoiados pelo Irã, também prometeram, mas não libertaram os reféns israelenses que estão em seu poder desde o dia 7  de outubro – quando realizaram um ataque sangrento no sul de Israel assassinando idosos, mulheres e crianças de forma cruel e absurda. Outros terroristas do Iêmen, os Houthis, apoiados e armados pelo Irã, também sinalizaram uma trégua em seus ataques aos navios comerciais e os militares que patrulham o Golfo de Aden e o Mar Vermelho, mas igualmente não cumpriram. Na quinta-feira passada (25), às 9h52 (horário local), um míssil balístico antinavio (ASBM) foi lançado de áreas do Iêmen controladas por terroristas, no Golfo de Aden. Não houve feridos ou danos relatados por navios dos Estados Unidos,  da coalizão militar que envolve 43 países ou mesmo os navios comerciais.

Navio de Guerra do Irã

Navio de Guerra do Irã

Separadamente, entre 12h19 e 16h17 (horário de Sanaa), o Comando Central dos Estados Unidos (USCENTCOM) enfrentou e destruiu com sucesso uma embarcação de superfície não tripulada (USV) e um veículo aéreo não tripulado (UAV) em áreas controladas pelos Houthi no Iêmen. Foi determinado que o ASBM, o USV e o UAV representavam uma ameaça iminente aos EUA, à coalizão e aos navios mercantes na região. Estas ações são tomadas para proteger a liberdade de navegação e tornar as águas internacionais mais seguras e protegidas pela a coligação militar.

nacios da cioalizaçaoO Comando das forças de coalização estará nas mãos do Almirante Antônio Braz, da Marinha do Brasil, até o dia 24 de julho, quando assumirá outro oficial. O Petronotícias acompanha de perto a escalada desse conflito, envolvendo militares de várias marinhas contra o poder dos terroristas Houthis e do Hamas ainda muito ativos, agressivos e perigosos. Por isso, hoje (30), ouviremos o Almirante Braz, que revela uma informação que ainda não circulou na mídia europeia ou brasileira, que são ataques praticados pelos terroristas Houthis em outra região – no Oceano Índico Ocidental -, onde estão fazendo ataques de pirataria aos navios mercantes. Agora, houve reforço na vigilância também desses locais. Vamos então à entrevista exclusiva do Almirante Antônio Braz:

– Depois desses primeiros meses, como está o trabalho?

Os militares do Centro de Comando acompanham os movimentos dos navios de Guerra no Mar Vermelho

Os militares do Centro de Comando acompanham os movimentos dos navios de Guerra no Mar Vermelho

Diferentemente dos outros Comandos do Brasil na CTF 151, este terceiro contingente deparou-se com o ressurgimento dos casos de ataques de piratas na região, iniciado dois meses antes da assunção de nosso comando. As atividades no combate à pirataria continuam em acompanhamento diário, com obtenção massiva de dados e constante troca de informações com Forças Navais e Centros de Segurança Marítima, de forma a maximizar a cooperação, para enfrentar a conjuntura atual.

Nesses primeiros meses, pudemos perceber que os grupos piratas também têm efetuado ações no Oceano Índico Ocidental, em áreas distantes do Golfo de Aden e da costa da Somália, possivelmente considerando,

dentre outros aspectos, o aumento da concentração de meios militares no Mar Vermelho e Golfo de Aden, em virtude dos ataques que têm sido tentados por atores não estatais contra navios mercantes nessas regiões.

– Os navios russos estão fazendo parte também da força tarefa?

O Almirante Braz sendo recebido pelo comando de um navio japonês da coalizão

O Almirante Braz sendo recebido pelo comando de um navio japonês da coalizão

A CTF 151 é uma das cinco forças-tarefa da Combined Maritime Forces (CMF), que é a maior parceria naval multinacional do mundo, com 43 nações membros e parceiras. A CTF 151 conta com navios de países que integram a CMF (principalmente Coreia do Sul e do Japão), da qual a Rússia não faz parte.

– Os Houthis pararam de atacar os navios mercantes?

Não, ainda há ataques contra navios mercantes na região, no entanto a maioria dos ataques tem sido interceptados com sucesso por meios navais presentes no Mar Vermelho e no Golfo de Aden. A atuação de forças-tarefa presentes nessas áreas, como a CTF 153, da própria CMF, responsável pela Operação PROSPERITY GUARDIAN, e a CTF-466, da União Europeia, responsável pela Operação ASPIDES, têm sido essenciais na interceptação de mísseis e drones.

 Nesse contexto, tem sido possível acompanhar, por meio de mídias sociais do U.S. Central Command (CENTCOM), informações sobre atividades de forças dos EUA em proveito da proteção a navios mercantes. Podemos dizer hoje que a rota pelo mar vermelho e pelo estreito de Ormuz está seguro? Não, pois têm sido registrados ataques a navios mercantes nessas regiões.

– Os  iranianos apreenderam um navio de contêiner de bandeira de Portugal, mas de propriedade de um israelense. Isso pode levar mais tensão a região? De que forma?

O Comandante Brasileiro sendo recebido na ponte do navio japonês

O Comandante Brasileiro sendo recebido na ponte do navio japonês

– Existe essa possibilidade, uma vez que, se um ator estatal passar a realizar ações ilícitas na região, esse ator pode alvejar navios mercantes, assim como essa prática poderia ocasionar reação de outros atores estatais, aumentando as tensões na região.

– A força tarefa pode também defender desses ataques iranianos ou isso levaria uma escalada na região?

– Não existe essa possibilidade, tendo em vista que a CTF 151 pode atuar somente para conter atores não estatais.

– Os iranianos e os norte coreanos continuam a mandar armamentos para os Houthis? Que rotas eles usam pra isso?

NAVIOI JAPONESEssas informações estão fora da esfera de atuação da CTF 151.

–  Quantos brasileiros estão auxiliando o seu trabalho aí ainda?

A CTF 151 tem atualmente o seu estado-maior composto por 23 militares, sendo 11 brasileiros e 11 das seguintes nações: Bahrein, Coreia do Sul, Espanha, Itália, Japão, Jordania, Singapura, Tailandia e Turquia.

– O senhor fica no comando até quando?

A passagem do Comando para a Turquia está prevista para o dia 24 de julho de 2024.

– O senhor pensa em dar um curso para os oficiais brasileiros depois dessa experiência?

COMANDANTE NAVIOO conhecimento aqui adquirido deverá sim ser retransmitido. Possuímos toda uma documentação a ser preenchida sobre as missões que participamos, com o objetivo de manter e disseminar o conhecimento adquirido. Sendo necessário, serão inclusive proferidas palestras e/ou cursos, em especial para a preparação de novos contigentes.

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